sábado, 17 de outubro de 2009

Hoje é Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza



ONU quer conjugação de  esforços para fazer frente à pobreza
ONU quer conjugação de esforços para fazer frente à pobreza

Luanda – Assinala-se hoje, 17 de Outubro, o Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, instituído por uma resolução de Dezembro de 1992 da Organização das Nações Unidas (ONU).

O Dia é uma manifestação de mais um esforço internacional para conjugar forças e assegurar a busca de soluções para fazer frente à pobreza e ao subdesenvolvimento.

Numa mensagem, por ocasião da data, a ONU sublinha a necessidade de se criar uma verdadeira aliança mundial para lutar contra a pobreza, na qual participem, activamente, tanto os países desenvolvidos, tanto os em desenvolvimento.

O mundo, segundo ainda a mensagem, alcançou progressos reais, embora insuficientes, no domínio da realização dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio.

“Apesar de a pobreza extrema ter diminuído, entre 1990 e 2002, passando de 28% para 19% da população do mundo em desenvolvimento, os progressos foram desiguais entre regiões e países, e até no interior do mesmo país ou região”, lê-se no documento.

Em grande parte da Ásia, os avanços económicos e sociais permitiram que quase 250 milhões de pessoas saíssem da miséria absoluta. Contudo, as taxas de pobreza não variaram na Ásia Ocidental e no Norte de África, enquanto aumentaram nas economias em transição da Europa Oriental e na Ásia Central.

O documento indica que a África Subsariana é a região onde se registra o maior atraso, pelo que é improvável que alcance o Objetivo de Desenvolvimento do Milénio, que consiste em reduzir a pobreza extrema para metade até 2015.

É preciso redobrar os esforços para fazer frente à pobreza e ao subdesenvolvimento.

Na mensagem a ONU apela os países desenvolvidos a cumprirem os compromissos assumidos em matéria de Ajuda Pública ao Desenvolvimento (APD) e de redução da dívida.

Solicita os países em desenvolvimento a darem prioridade aos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio e, caso ainda não o tenham feito, adoptar estratégias nacionais para os alcançar.

"Lamentavelmente, a parceria mundial para o desenvolvimento é mais feita de palavras do que de actos. Esta situação tem que mudar. Todos os principais agentes de desenvolvimento – governos, setor privado, sociedade civil e pessoas que vivem na pobreza – devem conjugar forças e lutar juntos contra a pobreza, de modo a elevarem o nível de vida e atenuarem o sofrimento humano".

A campanha que visa fazer da pobreza uma coisa do passado é um desafio moral essencial do tempo e não pode ser a missão de apenas alguns. Pelo contrário, deve congregar a maioria.

Por ocasião do Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, a ONU solicita os países a aderirem a luta para se alcançar progressos reais e suficientes para acabar com a pobreza.

Não adianta olhar pro céu com muita fé e pouca luta



Até quando? - Gabriel Pensador

Não adianta olhar pro céu com muita fé e pouca luta
Levanta aí que você tem muito protesto pra fazer e muita greve
Você pode e você deve, pode crer
Não adianta olhar pro chão, virar a cara pra não ver
Se liga aí que te botaram numa cruz e só porque Jesus sofreu
Num quer dizer que você tenha que sofrer

Até quando você vai ficar usando rédea
Rindo da própria tragédia?
Até quando você vai ficar usando rédea
Pobre, rico ou classe média?
Até quando você vai levar cascudo mudo?
Muda, muda essa postura
Até quando você vai ficando mudo?
Muda que o medo é um modo de fazer censura

Até quando você vai levando porrada, porrada?
Até quando vai ficar sem fazer nada?
Até quando você vai levando porrada, porrada?
Até quando vai ser saco de pancada?

Você tenta ser feliz, não vê que é deprimente
Seu filho sem escola, seu velho tá sem dente
Você tenta ser contente, não vê que é revoltante
Você tá sem emprego e sua filha tá gestante
Você se faz de surdo, não vê que é absurdo
Você que é inocente foi preso em flagrante
É tudo flagrante
É tudo flagrante

A polícia matou o estudante
Falou que era bandido, chamou de traficante
A justiça prendeu o pé-rapado
Soltou o deputado e absolveu os PM's de Vigário

A polícia só existe pra manter você na lei
Lei do silêncio, lei do mais fraco:
Ou aceita ser um saco de pancada ou vai pro saco

A programação existe pra manter você na frente
Na frente da TV, que é pra te entreter
Que pra você não ver que programado é você

Acordo num tenho trabalho, procuro trabalho, quero trabalhar
O cara me pede diploma, num tenho diploma, num pude estudar
E querem que eu seja educado, que eu ande arrumado que eu saiba falar
Aquilo que o mundo me pede não é o que o mundo me dá

Consigo emprego, começo o emprego, me mato de tanto ralar
Acordo bem cedo, não tenho sossego nem tempo pra raciocinar
Não peço arrego mas na hora que chego só fico no mesmo lugar
Brinquedo que o filho me pede num tenho dinheiro pra dar

Escola, esmola
Favela, cadeia
Sem terra, enterra
Sem renda, se renda. Não, não

Muda, que quando a gente muda o mundo muda com a gente
A gente muda o mundo na mudança da mente
E quando a mente muda a gente anda pra frente
E quando a gente manda ninguém manda na gente

Na mudança de atitude não há mal que não se mude nem doença sem cura
Na mudança de postura a gente fica mais seguro
Na mudança do presente a gente molda o futuro

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Querem encontrar à Cristo?

Algumas perguntas que sempre tive e que atualmente foram respondidas, não como respostas definitivas mas porque sinto ter feito as perguntas verdadeiras.

"As respostas apontam para trás. As perguntas, para frente."
Justein


Querem encontrar à Cristo? Olhem nos olhos do teu próximo. Mt 25

Querem levar Jesus para almoçar em sua casa? Então levem os mendigos para almoçar em sua casa. Lc 12:13-14

Querem dar umas roupas bonitas para Jesus? Dê na noite de frio os seus melhores agasalhos e edredons. Mt 25

Querem seguir os mandamentos de Deus? Ame o próximo com a ti mesmo. E só. Gl 5:14

Querem dar um copo de água para Jesus beber? Leve água para os nordestinos sedentos. Mt 25

Querem fazer um jejum à Deus? simples. Reparta o pão com os famitos e ajude os abandonados. Is 58:6-8

A vida cristã é simples. Nós à complicamos.

As nossas respostas sobre Cristo, são mais facilmente encontradas no presente do que no passado, onde Ele se apresenta na forma do nosso próximo.

O amor verdadeiro torna qualquer manifestação pelo próximo, não um peso, mas um toque de poesia.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Crise de Humanidade


Leonardo Boff

A crise econômico-financeira, presivísvel e inevitável, remete a uma crise mais profunda. Trata-se de uma crise de humanidade. Faltaram traços de humanidade minimos no projeto neoberal e na economia de mercado, sem os quais nenhuma instituição, a médio e longo prazo, se agüenta de pé: a confiança e a verdade.

A economia presupõe a confiança de que os impulsos eletrônicos que movem os papéis e os contratos tenham lastro e não sejam mera matéria virtual, portanto, fictícia. Pressupõe outrossim a verdade de que os procedimentos se façam segundo regras observadas por todos. Ocorre que no neoliberalismo e nos mercados, especialmente a partir da era Thatcher e Reagan, predominiou a financeirização dos capitais. O capital financeiro-especulativo é da ordem de 167 trilhões de dólares, enquanto o capital real, empregado nos processos produtivos (por volta de 48 trilhões de dólares anuais). Aquele delirava na especulação das bolsas, dinheiro fazendo dinheiro, sem controle, apenas regido pela voracidade do mercado. Por sua natureza, a especulação comporta sempre alto risco e vem submetida a desvios sistêmicos: à ganância de mais e mais ganhar, por todos os meios possíveis.

Os gigantes de Wall Street eram tão poderosos que impediam qualquer controle, seguindo apenas suas próprias regulações. Eles contavam com as informações antecipadas (Insider Information), manipulavam-nas, divulgavam boatos nos mercados, induziam-nos a falsas apostas e tiravam daí grandes lucros. Basta ler o livro do mega-especulador George Soros "A crise do capitalismo" para constatá-lo, pois ai conta em detalhes estas manobras que destroem a confiança e a verdade. Ambas eram sacrificadas sistematicamente em função do ganância dos especuladores. Tal sistema tinha que um dia ruir, por ser falso e perverso, o que de fato ocorreu.

A estratégia inicial norte-americana era injetar tanto dinheiro nos “ganhadores”(winner) para que a lógica continuasse a funcionar sem pagar nada por seus erros. Seria prolongar a agonia. Os europeus, recordando-se dos resquícios do humanismo das Luzes que ainda sobraram, tiveram mais sabedoria. Denunciaram a falsidade, puseram a campo o Estado como instância salvadora e reguladora e, em geral, como ator econômico direto na construção na infra-estutura e nos campos sensíveis da economia.

Agora não se trata de refundar o neoliberalismo mas de inaugurar outra arquitetura econômica sobre bases não fictícias. Isto quer dizer, a economia deve ser capítulo da política (a tese clássica de Marx), não a serviço da especulação mas da produção e da adequada acumulação. E a política se regerá por critérios éticos de transparência, de eqüidade, de justa media, de controle democrático e com especial cuidado para com as condições ecológicas que permitem a continuidade do projeto planetário humano.

Por que a crise atual é crise de humanidade? Porque nela subjaz um conceito empobrecido de ser humano que só considera um lado dele, seu lado de ego. O ser humano é habitado por duas forças cósmicas: uma de auto-afirmação sem a qual ele desaparece. Aqui predomina o ego e a competição. A outra é de integração num todo maior sem o qual também desaparece. Aqui prevalece o nós e a cooperação. A vida só se desenvolve saudavelmente na medida em que se equilibram o ego com o nós, a competição com a cooperação. Dando rédeas só à competição do ego, anulando a cooperação, nascem as distorções que assistimos, levando à crise atual. Contrariamente, dando espaço apenas ao nós sem o ego, gerou-se o socialismo despersonalizante e a ruína que provocou.

Erros desta gravidade, nas condições atuais de interdepedência de todos com todos, nos podem liquidar. Como nunca antes temos que nos orientar por um conceito adequado e integrador do ser humano, por um lado individual-pessoal com direitos e por outro social-comunitário com limites e deveres. Caso contrário, nos atolaremos sempre nas crises que serão menos econômico-financeiras e mais crises de humanidade.

Os estrangeiros que são todos

Por Paulo Brabo


Certo de estar a ponto de ferir a sensibilidade de alguns, quero deixar clara minha posição sobre determinado assunto: o Estado de Israel não representa qualquer continuidade, mesmo que honorária, com a tradição religiosa judaico-cristã registrada nas duas metades desiguais da Bíblia. Historicamente e espiritualmente falando o Estado de Israel não representa a religião que se convencionou chamar de judaísmo, e creio que pelo menos lá todos sabem disso. Há muitos judeus devotos ao redor do mundo, muitos desses em Israel, mas não cabe identificar israelitas com israelenses ou o associar o Estado de Israel à Terra Prometida (e muito menos ao reino de Davi); qualquer tentativa em contrário é engano ou esforço de marketing e de relações públicas, sendo esses últimos patrocinados em grande parte pelos Estados Unidos, com o consentimento embaraçado de Israel.

Tenho amigos em Israel e estou muito longe de ser anti-semita; tenho também queridos amigos muçulmanos, e não sou ingênuo o bastante para crer que a tensão entre Israel e o mundo árabe seja simples de recapitular, de equacionar, de assimilar ou de solucionar. Também não tenho qualquer antipatia pelos israelenses que não são judeus, e tampouco creio haver qualquer diferença de mérito entre as categorias igualmente arbitrárias que acabo de mencionar.

Amai, pois, o estrangeiro, porque fostes estrangeiros na terra do Egito.

Tenho ainda a dizer que apenas as guerras me enfurecem mais do que Estados e nações; apenas as guerras soam-me mais atrozes e arbitrárias do que rótulos.

Mas a guerra é um demônio que não pára: seu emblema é o símbolo alquímico das duas salamandras devorando incessantemente uma a cauda da outra. O terrorista de um lado é o herói da resistência do outro. Cada ataque confirma as piores suspeitas que um adversário tem do seu antagonista; cada ofensiva é redimida com novos recrutamentos, que garantem a perpetuação do conflito. Os Estados Unidos permanecem liberando indiscriminadamente o Iraque, fomentando indignação igualmente justificada entre muçulmanos letrados e chãos. Israel, sentindo-se ameaçado como nunca pelo Hezbollah (que é por sua vez patrocinado por implacáveis rancores iranianos e sírios), está atacando de formas sujas e limpas palestinos e libaneses – que estão longe de ser inocentes, mas que morrem com a facilidade atroz de qualquer um – enquanto na América cristãos queimam cópias do Corão em austera homenagem ao Príncipe da Paz. Morrem quase quatrocentos libaneses num único dia da semana passada, ao mesmo tempo em que os israelenses abandonam em massa o norte do país temendo velhos ataques e novas retaliações.

* * *

É comum associar o cristianismo e a mensagem de Jesus a uma compreensão nova, inclusiva e compassiva sobre a natureza do “outro”. Isso é em grande parte muito acertado, mas é bom lembrar por exemplo que “amai o próximo como a ti mesmo” é injunção da Bíblia hebraica – curiosa exigência que precede a Jesus e da qual o judaísmo não prescinde.

Se Deus não faz acepção de pessoas, todos os genocídios são o mesmo.

Na verdade, são inúmeros os mandamentos da Lei de Moisés explicitamente desenhados para proteger o desavisado outro – o estrangeiro – que se encontrasse em terras de Israel. E o motor dessa tolerância, o declarado motivo para essa misericórdia, deveria ser segundo o texto a recorrente lembrança do passado de Israel como povo estrangeiro e oprimido no Egito, antes do Êxodo e da independência e da Lei: “amá-lo-eis como a vós mesmos, pois estrangeiros fostes na terra do Egito”.

O israelita é dessa forma desafiado constantemente pela sua Lei a recordar a abjeção da sua condição anterior, bem como a dispensar ao estrangeiro a misericórdia que no passado não obteve:

§ Não rebuscarás a tua vinha, nem colherás os bagos caídos da tua vinha; deixá-los-ás ao pobre e ao estrangeiro. Eu sou o SENHOR, vosso Deus.

§ Quando segardes a messe da vossa terra, não rebuscareis os cantos do vosso campo, nem colhereis as espigas caídas da vossa sega; para o pobre e para o estrangeiro as deixareis. Eu sou o SENHOR, vosso Deus.

§ Se o estrangeiro peregrinar na vossa terra, não o oprimireis.

§ Como o natural, será entre vós o estrangeiro que peregrina convosco; amá-lo-eis como a vós mesmos, pois estrangeiros fostes na terra do Egito. Eu sou o SENHOR, vosso Deus.
(Levítico 19:10, 23:22, 19:33-34)

Outras passagens sustentam que o verdadeiro patrocinador desse amor tolerante pelo estrangeiro/outro é o caráter singular de Deus, que não aceita suborno e não faz distinção entre as pessoas:

§ Pois o SENHOR, vosso Deus, é o Deus dos deuses e o Senhor dos senhores, o Deus grande, poderoso e temível, que não faz acepção de pessoas, nem aceita suborno;

§ que faz justiça ao órfão e à viúva e ama o estrangeiro, dando-lhe pão e vestes.

§ Amai, pois, o estrangeiro, porque fostes estrangeiros na terra do Egito.

§ Não aborrecerás o edomita, pois é teu irmão; nem aborrecerás o egípcio, pois estrangeiro foste na sua terra.

§ Não perverterás o direito do estrangeiro e do órfão; nem tomarás em penhor a roupa da viúva.

§ Quando acabares de separar todos os dízimos da tua messe no ano terceiro, que é o dos dízimos, então, os darás ao levita, ao estrangeiro, ao órfão e à viúva, para que comam dentro das tuas cidades e se fartem.
(Deuteronômio 10:17-19, 23:7, 24:17, 26:12)

Porém o mundo dá voltas, e os palestinos são hoje hóspedes impossivelmente incômodos dos israelenses, da mesma forma que Israel é refém do mundo árabe, embora conte com a proteção dos americanos, graças aos quais os iraquianos são também estrangeiros em sua própria terra. Só me resta pedir que Deus proteja os estrangeiros que são todos, porque não posso esperar que judeus e cristãos e muçulmanos honrem suas Escrituras ou neguem sua história.

* * *

Ninguém me venha, finalmente, acusar de anti-semitismo: se Deus não faz acepção de pessoas, todos os genocídios são o mesmo. Quanto a judeus e cristãos e muçulmanos que derramam sangue ao mesmo tempo em que alegam possuir alguma intimidade com a Misericórdia, façam-me um favor: vão para o inferno.

Maldito aquele que perverter o direito do estrangeiro, do órfão e da viúva. E todo o povo dirá: Amém!
(Deuteronômio 27:19)

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Não os impeçais


Por Paulo Brabo

A primeira vez que estive no Nordeste foi numa viagem para Fortaleza: fui de ônibus conhecendo o sertão do Piauí e Ceará. Naquelas estradas ia conhecendo o povo, conversando com eles, observando seus costumes e divagando sobre como somos tantos povos sob uma mesma bandeira.

Gente simples, gente simpática, gente antipática, gente que roncava, gente que dormia, gente que chorava, gente que sorria. Eram gente.

E nós, os chamados protestantes ou evangélicos, apontamos este povo como idólatras porque quase todos traziam ao peito Nossa Senhora ou se agarravam ao santo que mais lhe agradava. Alguns chamavam a Padre Cícero, ou como lá é conhecido: Padim Ciço. Essa gente simples que vai pela vida com uma força que desconheço e ama seu povo e sua terra.

Idólatras somos nós.

A esses eu tanto julgava! Mas conhecendo o Cristo do Sertão me bateu uma idéia. Uma dessas boas, sabe?

Você já se sentiu envergonhado em um jantar chiquérrimo? Ou se sentiu um idiota com outras pessoas falando um idioma diferente ou mesmo um assunto tão profundo que não fazia o menor sentido para você? Já parou pra pensar que gente assim, tão simples, se sente assim na presença de Deus?

A Igreja Católica criou tantos ritos e suas catedrais se tornaram tão suntuosas que gente simples se sente pequena ali. Ali é a casa de Deus, mas não é a casa deles, a deles é de chão batido e cerquinha de graveto (qualquer semelhança com os templos evangélicos não é coincidência… é reincidência… e burrice).

Aí, alguém cita que existiu um tal padre por ali e que fez milagres. Então, essa gente simples se identifica com aquele que foi gente como ele, viveu como ele e foi capaz de fazer milagre! Gente assim se identifica com uma mãe que obedeceu a Deus e agora, acha que Deus é um ser tão importante e inalcançável que pede o rogar desta mesma mãe a Deus, afinal, Deus é muito distante pra ele.

Quando chamam um santo, chamam alguém que era como nós!

Quando chamam uma santa, chamam alguém que obedeceu a Deus sem hesitar!

Quando chamam um padre, chamam alguém que amou aos outros mais que a si mesmo!

Assim, quando chamam qualquer um destes, é Aquele que responde. Afinal, foi Ele quem viveu, obedeceu, amou, morreu e realizou milagres!

Então, deixe de achar que um católico é idólatra porque chama um nome ou carrega uma imagem. Você não conhece o coração dele, mas você sabe quem conhece.

Idólatra somos eu e você, que mesmo sabendo que Jesus morreu por nós e nos deixou a herança do livre acesso ainda ficamos inventando coisas como libertação, óleos ungidos, orações fortes, unções de bichos e por aí vai. Nos enchemos de cargos e liturgias e assim pisamos na Cruz.

Quando você coloca absolutamente qualquer coisa entre a Salvação de Cristo e você, o idólatra somos eu e você.

Deixe os pequeninos irem até Jesus e só. Não os impeçais! E viva conforme Jesus viveu. Lembra que ele não julgou?

César Chagas, no Infinita Highway

Fonte: www.baciadasalmas.com

No país que sobra dinheiro para Olimpíadas, Copa do Mundo...

Desalojados após incêndio em favela de SP aguardam casa desde 2003

Metade das 268 famílias que perderam seus barracos no incêndio de domingo (11) na favela Diogo Pires, do complexo Nova Jaguaré, está cadastrada há seis anos no plano de novas moradias da prefeitura paulistana. Desde então, elas aguardam a concretização do projeto que prevê a total reurbanização da área, na zona oeste da cidade.


As obras, cujo começo estava previsto para 2004, tiveram início só dois anos depois. Não há previsão para concluí-las, segundo a própria prefeitura.

O local exato onde ocorreu o incêndio foi invadido há cerca de um ano, aumentando ainda mais o número de barracos na Nova Jaguaré, onde a primeira invasão ocorreu nos anos 1960.


Parte da favela Diogo Pires foi ocupada por novos moradores, incentivados pelo início da construção dos conjuntos habitacionais. A outra parte foi ocupada por antigos moradores do complexo, conforme demonstra o cadastro da prefeitura.

Desde o início do processo de reurbanização, em 2006, foram entregues 655 unidades das 1.222 previstas pelo projeto municipal, realizado em parceria com a CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado). Há 135 apartamentos que aguardam apenas a regularização da documentação dos moradores para serem ocupados.

A Secretaria Municipal de Habitação promete entregar mais 110 apartamentos no mês que vem --foi este conjunto, quase pronto, que acabou invadido na segunda-feira (12) pelos desabrigados pelo incêndio.

A prefeitura e a CDHU ainda planejam construir 175 unidades no terreno onde estava a favela Diogo Pires e outras 150 num terreno próximo. Não há prazo para a entrega desses dois conjuntos.

Os atrasos na concretização do projeto de reurbanização da Novas Jaguaré ocorreram por diversos motivos. Em 2004, após o cadastramento de 3.600 famílias e a assinatura do contrato, a então prefeita Marta Suplicy (PT) resolveu não iniciar as obras por falta de verba.

O atual governador José Serra (PSDB) assumiu a prefeitura no ano seguinte e decidiu refazer totalmente o projeto. Segundo sua equipe, o plano anterior, que previa a construção de 992 unidades habitacionais, deixaria mil famílias de fora. O contrato de reurbanização, inicialmente de R$ 110 milhões, passou para R$ 130 milhões.

As obras, então, só começaram em 2006, quando Gilberto Kassab (DEM) já havia assumido a prefeitura. A promessa em 2008, quando ele disputou a reeleição, era entregar tudo 'no segundo semestre de 2009', prazo que não será cumprido, diz a administração municipal.

A Secretaria Municipal de Habitação afirma que um projeto de reurbanização tem de lidar com diversos imprevistos, o que dificulta o cumprimento rigoroso dos prazos de entrega. Um deles é o aumento da população, devido tanto ao crescimento vegetativo quanto à chegada de novos moradores.

Em 2003, quando a prefeitura elaborou o cadastro do qual faz parte metade dos moradores atingidos pelo incêndio de domingo, havia 3.600 famílias na Nova Jaguaré. Hoje, estima a prefeitura, são cerca de 4.500.

Incêndio
O incêndio na favela começou por volta das 18h do último domingo e foram necessárias três horas para controlar as chamas. A favela Diogo Pires fica na avenida Dracena, próxima da esquina com a rua Presidente Altino. Três pessoas chegaram a ser atendidas por intoxicação.

A favela do Jaguaré já foi atingida por outros incêndios em 2000, 2003 e 2006, e também sofre com deslizamento de terras em época de chuvas intensas.

Na segunda-feira (12), cerca de 50 pessoas atingidas pelo incêndio invadiram dois prédio em construção. De acordo com Soninha Francine, subprefeita da Lapa, o grupo ocupou os prédios no início da tarde, quando um temporal atingiu a cidade.

Segundo informações da Defesa Civil, a negociação com os moradores foi pacífica e eles foram encaminhados ao Clube Escola Jaguaré, que servirá como abrigo emergencial para os desabrigados.

Próximos?

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