Ocorreu um erro neste gadget

sábado, 5 de março de 2011

A vida, essa estranha!

Elaine Tavares
Jornalista
Adital

Outro dia um amigo me saiu com essa: "não há gente triste na internet”. E eu fiquei a pensar... Pois não é? As mensagens no twitter ou no facebook são sempre de alegria e dão sinais de que tudo está bem. A cerveja no fim da tarde, os amigos, o vinho, a pizza, os bichos, o sol, os sonhos, enfim... Tudo remete a coisas boas e felicidades. Mas então por que na vida real as coisas e as pessoas parecem estar em escombros? Estarão estes seres querendo criar um espelho irreal para mudar o real? Ou estarão tentando enganar a si mesmos com uma felicidade de plástico? Não sei! ... Eu é que não consigo embarcar neste universo de alegrias. Vejo tudo tão sombrio.
 
Há pessoas que circulam em volta de mim que já não conseguem enxergar beleza na vida. "A impressão é de que quando a gente era jovem conseguia suportar melhor os golpes. Agora, parece não haver esperanças...” Outras tentam desesperadamente encontrar um porto seguro onde ancorar suas promessas de amor. Outras não conseguem viver dentro de um mundo que se faz vazio, outras se emaranham num tempo em que parece não haver devir. Olho para os lados e o que vejo são almas em ruínas, tentando alcançar alguma margem, ainda que não saibam qual. O sólido se desmanchando no ar...
 
Seria o espírito do tempo? Estes tempos pós-tudo, sem sonhos ou utopias? Seria a certeza da mortalidade que se aproxima e se faz cada dia mais real, conforme vamos nos aproximando do crepúsculo? Será a perda efetiva da probabilidade de um mundo melhor? Ou a triste certeza de que o niilismo venceu e não há saídas para o último homem?
 
Não sei, mas tal qual já apontou Nietzsche, creio que nos faz falta a meninice, essa coisa boa e tola de pular amarelinha, girar peão, jogar cinco marias, brincar de queimada e de escolher-fita, diabo-rengo, batatinha frita, um, dois três. Creio que precisamos dar mais cambalhotas, fazer castelos na areia, dar muita risada, pisar nas poças de água. Temos de reencontrar a alegria, a despeito de tudo. O riso servindo como um pirilimpimpim mágico, desfazendo as brumas.
 
Outro dia vi na televisão uma reportagem sobre uma pesquisa que se faz desde há 15 anos nos colégios públicos. Ela revela que as crianças estão mais gordas, mais tristes, com menos energia. E por quê? Porque não existem mais campinhos onde jogar bola, porque não se brinca mais na rua, não se corre, não se gasta energia. As crianças vão para a escola de ônibus ou de carro, comem doritos, jogam vídeo game e falam ao celular. Na hora do recreio não pulam nem suam para não estragar o "modelito”. São pequenos adultos sem vibração, prováveis almas em escombros logo ali adiante.
 
Eu, que chego aos 50, diante das ruínas, começo a perceber que é hora de voltar a brincar. Chegar a casa mais cedo, correr com o cachorro, fazer peraltices, suar em bicas, tomar água pura. Meus cântaros se esgotam e eu preciso viver o dia. Sim, há que lutar pela tarifa zero, pela educação, pela vida digna, pela universidade, pela paz no mundo Mas também há que virar cambalhotas e gargalhar. Porque não quero, na noite da vida, observar a minha e outras tantas almas em escombros. Quero ser capaz do riso, e que ele seja uma lamparina, ainda que bruxuleante, a indicar que, mesmo em meio às sombras pode-se encontrar a beleza. Tal como ensinam os navajos, a beleza aí está, em cima, embaixo, nos lados, em frente. Viver é caminhar na beleza. Mas, a vida, essa estranha, insiste em nos desviar!

sexta-feira, 4 de março de 2011

O direito ao desemprego criador

A partir daí tento mostrar à maioria que a diferença é que nossas casas são centros de consumo, enquanto as de nossas avós e bisavós eram centros de produção. Comida, roupas, energia, insumos, decoração, presentes e objetos de uso eram produzidos nas casas. Quase tudo que a família precisava estava ao alcance das mãos – de habilidosas mãos – que não só produziam, mas também consertavam, mantinham e adaptavam a novos usos quando algo se tornava definitivamente irrecuperável.
 
[...]
 
Veja bem: tudo que entra em casa gera embalagem e sai na forma de poluição. Nada fica, nada é aproveitado, tudo é jogado fora, como se “fora” existisse. Para tantos que falam de jogar algo fora, deve existir uma mágica no universo, uma vez que “fora” significaria uma espécie de buraco negro onde tudo sumiria, quando de fato o que ocorre é que nosso “fora” significa que algo que não queremos deva ser lançado na cabeça de outra pessoa, de outro sistema ou de outra vizinhança. Transformamos o ciclo da vida em cadeia de geração de lixo. E nos prendemos nessas correntes intermináveis que acabam por nos envenenar corpos e mentes.
 
Para termos acesso a essa cadeia, buscamos dinheiro, e para obtê-lo nos submetemos a mais emprego. Nos coisificamos – reificamos segundo Marx – viramos peça de engrenagem e para manejar a situação buscamos ter mais e melhores empregos e com isso criamos muita poluição. Além de transformar a cadeia em algemas para a vida toda.
 
Para empregarmo-nos temos dois carros por família, ou usamos muito transporte de massa. Comemos comida pronta para ganhar tempo, inflamos as praças de alimentação de cada Shopping Center, onde produz-se em média dois contêineres por dia de restos de alimento que irão apodrecer em um aterro sanitário. A cada refeição geramos saquinhos plásticos, colheres plásticas, copos plásticos, facas plásticas e muito papel, energia e barulho que acompanham cada empregado, ou executivo, enquanto usufrui de sua ração diária. Nossos filhos vão a escolas e geram mais engarrafamento e stress, mais transportes, mais lanchinhos, embalagens e mais embalagens. Como a comida deve ser fácil e rápida, snacks entram no lugar de frutas ou pães, e com isso mais embalagens. Máquinas e mais máquinas, roupas compradas em lojas, e tudo que nos auxilia a consumir mais, ter melhor aparência e adequarmos nossa vida ao emprego, polui e acelera o sistema. E como pagamento por nosso esforço, ganhamos dinheiro, para comprar mais, gastar mais e poluir mais.
 
Emprego polui. E só nos empregamos por que não sabemos fazer outra coisa a não ser gerar dinheiro, para comprar mais e fazer menos. E no meio disso, para obtermos a impressão de descanso, nos entretemos diante de alguma bobagem, para que o consumo nos tenha entre tempos. Nos divertimos, para que nossa mente divirja daquilo que é importante. Saímos em grupos, para não sermos importunados pela família. Ligamos a TV para desligarmos a mente daquilo que nos oprime.

Uma boa medida para combater a extrema poluição que assola nosso planeta seria a busca do direito ao desemprego criador.

O impenitente Claudio Oliver,
que não se cansa de me atormentar
e pode ser encontrado na rua com Deus


quinta-feira, 3 de março de 2011

Donner la vie... End Maternal Mortality in Burkina Faso

Do blog Canadá Anistia: "Todos os anos, mais de 2.000 mulheres morrem em Burkina Faso, de complicações durante a gravidez e o parto. Isso significa que pelo menos cinco mortes maternas ocorrem por dia. A maioria dessas mortes podem ser evitadas. Mulheres que vivem em comunidades pobres e rurais são os mais afectadas pela mortalidade materna. A Anistia Internacional Burkina Faso se juntou com a Save the Children para criar um novo vídeo sobre a mortalidade materna no Burkina Faso. O vídeo da música conta com artistas locais e é uma ferramenta para envolver o público no trabalho de campanha. "

quarta-feira, 2 de março de 2011

Vacinação em massa contra o sarampo no Congo

O vídeo mostra algumas das atividades de Médicos Sem Fronteiras (MSF) em fevereiro de 2011. Os destaques do mês são a vacinação em massa contra o sarampo na República Democrática do Congo, os desafios para levar cuidados de saúde ao contexto de insegurança da Chechênia, o aniversário de 10 anos do uso de antirretrovirais em pessoas vivendo com HIV no Malaui e o trabalho de MSF para ajudar pessoas com problemas de saúde mental no campo de Burj Al Barajneh, no Líbano.





terça-feira, 1 de março de 2011

Cair na folia para resolver todos os problemas

O carnaval já começa a acordar pelas cidades, com blocos pipocando aqui e ali (para mim, particularmente, os festejos só começam oficialmente quanto ouço aquele repórter de TV em Pernambuco soltando seu eterno “Aqui, em Olinda, a festa não tem hora para acabar”). Parte do país, pelo menos a sua mídia, já entrou no clima – com destaque para os açougues de mulheres em que se transformam muitos veículos de comunicação na busca por audiência. Eu sei, eu sei, parece coisa de gente mal-humorada reclamar disso. Mas para entrar nos festejos de momo, não é preciso deixar o cérebro na chapelaria.
E foi de frente para a TV ontem que quase tive uma síncope. Fiquei imaginando o que aquele comentarista de carnaval (profissão genuinamente tupiniquim) queria dizer com “o brasileiro, novamente, tem a chance de cair na folia para resolver todos os problemas”. Se ainda fosse “ignorar” ao invés de “resolver”, vá lá. Com isso, lembrei-me de uma cena que retratei tempos atrás que mostra que, mesmo diante de tanta gente sorrindo, certas coisas não mudam. Nem com um milhão de confetes e mil quilômetros de serpentina:
A fantasia nova era seu orgulho. E ele, o orgulho dos pais. Espada de plástico, calça, colete, botas e lenço na cabeça – sem esquecer de um indefectível tapa-olho – faziam do menino um pirata no carnaval de rua daquela cidadezinha do interior. A mãe municiava seu pequeno corsário de confete, com o qual ele atacava, sem cerimônias, os transeuntes. Enquanto isso, o pai registrava tudo com uma câmera de vídeo digital – para a posteridade. Sabe como é, os filhos crescem rápido demais.
Sem que fosse sua intenção, um dos ataques de bolinhas de papel acertou em cheio um outro menino, fantasiado de catador de latinhas de alumínio. Fantasia sem graça aquela, feita por uma camiseta esburacada, bermuda encardida e pés descalços. Ao invés de uma reluzente cimitarra de plástico, cinco ou seis latinhas de cerveja carregadas na improvisada bacia formada pelos braços. O tamanho dos dois era o mesmo, tiquinhos de gente de seis anos, no máximo.
O menino fantasiado de catador de latinhas, que seguia em uma marcha firme, se detém. Sem dizerem nada, por um instante, se olham. O pirata deve ter pensado que fantasia estranha era aquela, cheirando a cerveja. Não seria melhor deixar aquelas latinhas ali e vir brincar com ele? Havia confete para todo mundo no saco da mamãe. E a rua era grande o suficiente.
O olhar do outro parou em misto de inveja e resignação – apesar dele não ter idade para entender o que é inveja, muito menos resignação. Ter um fantasia bonita e colorida como aquela seria bom demais. Não ter que trabalhar na noite de domingo, poder brincar com os pais, melhor ainda. Mas o tempo corria – o tempo sempre corre. Tinha que procurar mais latinhas porque a concorrência estava alta e a festa, como a infância, não ia durar muito mais tempo.
Virou o rosto para frente, continuou sua marcha e se perdeu na multidão. O outro ainda ficou parado um instante. Depois, enfiou a mão no saco de confetes e jogou novamente para cima, formando uma chuva de papel.
Afinal de contas, é carnaval. E o brasileiro, novamente, tem a chance de cair na folia para resolver todos os problemas.

Anajás (PA) tem quase metade da população com casos de malária


A cidade na Ilha de Marajó com 25 mil habitantes tem 10 mil casos de malária só na primeira metade do ano. A doença mata, maltrata e ameaça o futuro de milhares de brasileiros desde os primeiros anos de vida.



Marcelo CanellasAnajás, PA
Você conhece, mas ninguém fala dela. Está perto da sua casa, do seu trabalho, da sua família. É doença do silêncio. Em mais uma série especial do Bom Dia, os repórteres Marcelo Canellas e Luiz Quilião cruzaram o país para mostrar os efeitos da tuberculose, do mal de chagas e da malária.
Na África, a malária ainda mata três mil crianças por dia. No Brasil, está concentrada na Amazônia. Em 2009, foram 300 mil casos. No primeiro semestre deste ano, mais de 120 mil. A malária mata, maltrata e ameaça o futuro de milhares de brasileiros desde os primeiros anos de vida.
No calor equatorial da Amazônia, a sensação é de que o corpo congelou. “É um frio que parece que vai quebrar os ossos”, diz um rapaz. Ele estica o braço para mostrar o tremor da doença. “Muito tremor, febre, dor de cabeça, dor nas costas”, relata.

O exame é só para confirmar o óbvio. “Já tem o diagnóstico clínico de malária. Não adianta (dar o cobertor para ele). Nenhum cobertor vai curar isso”, diz o Dr. José Maria de Souza, do Instituto Evandro Chagas que estuda a malária há quase 50 anos.
Todos os dias, dezenas de pacientes prostrados e febris esperam para ser atendidos por ele no ambulatório do Instituto Evandro Chagas em Belém. “Começam os sintomas hoje em que se incluem a febre. Passa um dia sem febre. E dá febre no outro dia. Ou seja, 48 horas”, aponta o médico.
No Brasil, são três tipos de malária: vivax, falciparum e malarie. Todos são transmitidos pela fêmea do mosquito Anáfloes que pica a pessoa e introduz o parasita. É um protozoário que circula no sangue e destrói as hemácias, os glóbulos vermelhos. “Em 48 horas, rompe a hemácia, joga no sangue substâncias tóxicas que produzem esse fenômeno: febre, frio ou cale-frio, e muita dor de cabeça”, destaca Dr. José Maria de Souza, do Instituto Evandro Chagas.
Este ano, o número de testes positivos de malária no ambulatório aumentou em 50%. “Na Amazônia como um todo, aquilo que a gente esperava que 2009 para 200 e poucos mil ultrapassou a casa dos 300 mil”, afirma o médico.
O Brasil conseguiu a façanha de reduzir a malária de 10 milhões de casos anuais em 1940 para 50 mil em 1970. Mas a doença voltou com força, quando os governos da ditadura militar iniciaram os projetos de colonização da Amazônia.
“O que existia de malária nos anos de 1960? Alguns milhares de casos de malária na Amazônia. O que aconteceu com a penetração do homem e a alteração do meio ambiente, a fronteira agrícola que se expandiu? O número de malárias passou de alguns milhares para quase 500 mil casos de malária na década de 80”, explica o infectologista Luiz Hildebrando Pereira da Silva.
O Grupo de Controle da Malária do Ministério da Saúde, criado em 1999, conseguiu reduzir o número de casos para 300 mil por ano. “Na ilha de Marajó, teve um pico de malária importante. Por quê? Por causa da atividade econômica novamente. É o homem que penetra certas áreas e aumenta muito a sua participação, aumenta a degradação ambiental, aumenta a produção de mosquito. Novamente, picos de malária”, afirma o infectologista Luiz Hildebrando Pereira da Silva.
Um carro leva doente do Marajó. A prefeitura da cidade de Anajás mantém uma casa na periferia de Belém para que eles se tratem na capital. “Todas as semanas chega gente com malária. Vem gente de barco. Vem gente de avião”, conta a coordenadora da Casa de Apoio, Maria Mesquita Soares.
Encontramos 60 pessoas em uma casa de oito cômodos. Alguns tiritando de frio. “Esse nunca pegou malária antes. É a primeira vez. Ele está com febre, todo enrolado, com frio”, diz a coordenadora da Casa de Apoio, Maria Mesquita Soares.
“É muita malária. Tem pessoas que passam uma semana, tomam pílula e está de novo com a malária”, aponta o catador de açaí Eliel Furtado.
A agricultora Rosilene Amaral está na sua décima malária. “Está me ardendo tudo, vai me matando”, revela. Dessa vez, a doença veio forte, a ponto de assustar.
A cidade de Anajás está no coração da ilha de Marajó, tem 25 mil habitantes e 10 mil casos de malária só na primeira metade do ano. É quase impossível encontrar alguém que não tenha sido contaminado, pelo menos, uma vez. “Já peguei (malária) muitas vezes já. Umas 17 vezes, mais ou menos”, diz o pescador Miquéias de Almeida.
Velhos, jovens, crianças, ninguém escapa. Uma mulher grávida de quatro meses informa ao repórter Marcelo Canellas que está com a doença.
A cidade foi construída em cima de um imenso criadouro de mosquitos. Toda a área alagada é foco do mosquito. Todas as casas têm palafitas, uma passarela suspensa ajuda as pessoas a caminhar.
A dona de casa Alzira Martins nem sabe mais quantos exames já fez. “Às vezes, a gente guarda papel. Às vezes, não. Tenho uma lata cheia de papéis de malária”, diz.
Na casa da família Souza, é pior. Um menino de um ano e dois meses já está com malária. Outro bebê também está com a doença. “Nesses 11 meses que ela tem, já são umas 15 vezes que ela teve a malária. No máximo, é um mês que passa sem estar com malária”, informa o catador de palmito Eurani dos Santos.
O catador de palmito Manoel de Souza do Rosário calcula que os integrantes da família pegaram a doença cerca de 120 vezes, nos últimos dois anos. “É difícil uma semana que não dá malária”, informa.
Como manter uma vida escolar normal em Anajás? Ter malária entre os estudantes significa uma semana de ausência, pelo menos, mas há casos mais graves. “Tem aluno que está há três meses sem vir à aula, porque a malária não deixa. Quando ele vai melhorando, ela renova”, conta a professora Maria Brasil.
A professora nos leva para conhecer o garoto. No caminho, fica claro porque a cidade é também campeã de casos de hepatite e febre tifóide: o esgoto está junto do cano que leva água potável para a casa das pessoas.
O estudante Richarlis está em casa. Ele conta que a malária passou um pouco, mas o garoto ainda está anêmico e se recupera devagar. “Eu tinha medo que ele morresse”, diz uma mulher.
Nos povoados mais distantes, o agentes de saúde se queixam da falta de remédio. “Outro dia mesmo, eu peguei malária. Eu pego 15 dias e já estou com sintomas de novo, porque não tinha primaquina, só cloroquina. Quase todos os pacientes estão no mesmo caso que eu”, informa o enfermeiro.
Miriam está tomando apenas um dos remédios que tinha que tomar. Ela revela que está com malária, que está com uma dor no estômago. “Não posso comer nada, porque tudo que eu como parece que vai em uma ferida”, diz.
“Ela está sentindo frio e tremores. Provavelmente, ela está com as duas malárias: plasmodium vivax e plasmodium falciparum. Com esse frio, não há o que fazer”, diz o enfermeiro.
As autoridades municipais alegam que não podem fazer mais do que já fazem. “Quando você comprova que é malária, a única medicação é a primaquina e a quinina. São medicamentos que normalmente estão faltando no município. Não tem o remédio no município”, informa a diretora do Hospital de Anajás, Marilândia Lucena. “A gente só está fazendo o tratamento alternativo que é só com a quinina”.
Em Brasília, o Ministério da Saúde reconhece que faltou remédio durante uma quinzena. “Faltou, porque o produtor do medicamento que é a Farmaguinhos da Fiocruz teve um atraso na chegada da matéria-prima que vem da China. Então, houve esse atraso na entrega e atraso na produção”, explica José Lázaro de Brito Ladislau, do Programa Nacional de Controle da Malária.
No ano passado, em mais de 300 mil casos, houve menos de 100 mortes por malária no Brasil. Traço estatístico ou tragédia humanitária? “Para mim, é terrível. Não consigo aceitar isso. Para mim, era para morrer zero. Salvar uma vida é salvar a humanidade. Portanto, perder uma vida é perder a humanidade”, declara o Dr. José Maria de Souza, do Instituto Evandro Chagas.
Related Posts with Thumbnails