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sexta-feira, 19 de março de 2010

Quatro capitais brasileiras estão entre as mais desiguais do mundo, diz ONU

Goiânia, Brasília, BH e Fortaleza só são menos desiguais que 3 africanas.
Número de moradores de favelas caiu 16% no Brasil, segundo relatório.



Carolina Lauriano Do G1, no Rio

Goiânia, Fortaleza, Belo Horizonte e Brasília são as cidades mais desiguais do Brasil, segundo relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), que será divulgado nesta sexta-feira (19), no Rio de Janeiro. Em comparação às cidades no mundo, só perdem para três cidades sulafricanas, que lideram a lista de desigualdade: Buffalo City, Johannesburgo e Ekurhuleni.



O Brasil, no entanto, ainda é considerado pela ONU o pior da América Latina em termos de desigualdade.



Esse é um dos dados que serão apresentados no Píer Mauá, na Zona Portuária do Rio, onde vai acontecer, na próxima semana, o V Forum Urbano Mundial da ONU. Este ano o tema em debate é o crescimento das cidades e as políticas públicas que precisam ser implementadas para o cidadão ter seus direitos garantidos, como o acesso à moradia. Segundo a ONU, mais da metade da humanidade hoje vive em cidades.



As cidades citadas apontaram um valor de Gini, baseado na renda, superior a 0,60. Esse índice varia de 0 a 1 (quanto mais próximo de 1, maior a desigualdade entre o que as pessoas ganham).



No documento, a ONU ressalta que quando o índice de Gini tem como base o gasto em consumo, reflete menos desigualdade do que quando se baseia em renda. Isso significa que, mesmo que as cidades brasileiras apresentem um alto índice de desigualdade de renda, o acesso à água potável e ao saneamento básico obtiveram um resultado melhor do que as cidades altamente desiguais dos países pobres africanos.

Um exemplo, segundo a ONU, é que em Brasília, apesar do alto valor de Gini, 90% da população tem acesso à água corrente e 85%, a saneamento.


Favelização diminuiu

De acordo com o relatório, 227 milhões de pessoas em todo o mundo deixaram as favelas na última década. O documento afirma que o Brasil conseguiu reduzir sua população favelizada em 16% desde 2000. Cerca de 10,4 milhões de pessoas melhoraram as condições de vida nesses 10 anos.



A redução na favelização no Brasil é atribuída, entre outros fatores, a políticas que aumentaram a renda dos mais pobres, redução do crescimento populacional e programas de urbanização.


O documento afirma ainda que China e Índia também melhoraram as condições de moradia de suas populações. Só na Índia, 125 milhões de pessoas saíram das favelas entre 2000 e 2010.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Em partido dos pobres


Neste ponto é importante falar sobre partidarismo. Já foi reafirmado que o liberalismo econômico é parcial, no sentido que defende o interesse de poucos em detrimento do de muitos. Essa conclusão contradiz diretamente as alegações de que o liberalismo econômico favorece a todos e não dá preferência a ninguém. A verdade, no entanto, é que a visão do liberalismo econômico coincide precisamente com os interesses das grandes multinacionais – transformando os abastados em super-ricos e a classe trabalhadora em pobres descartáveis.

O que se descobre aqui é uma ordem econômica baseada no saque – cheia de vencedores e perdedores, vitoriosos e vítimas. A isso os liberalistas respondem com alguma variação do argumento “o que é bom para alguns acabará se mostrando bom para todos”, porém isso é na verdade dar aos pobres (isto é, os “perdedores”) a opção de trocarem uma forma de miséria por outra1. Consequentemente, não é difícil concluir que a parcialidade do liberalismo econômico resulta na “liberdade dos poderosos para roubarem, e na liberdade dos despossuídos para viverem na miséria”.

É essencial perceber, no entanto, que o cristianismo também é parcial – porém na direção oposta. O liberalismo econômico favorece os ricos ao mesmo tempo em que saqueia os pobres, enquanto o cristianismo advoga “a opção de Deus pelos pobres”. Consequentemente, liberalistas econômicos e cristãos encontram-se em campos opostos.

Neste ponto, finalmente, é necessário entender que parcialidade e objetividade não são antagonistas mas aliados, conforme observa Terry Eagleton: “verdadeiro discernimento quer dizer tomar partido”. Os cristãos tomam partido dos pobres contra os que os oprimem, precisamente porque os pobres sofrem injustamente. Por essa razão os cristãos devem abandonar o mito de que a fim de manter a perspectiva das coisas não devemos tomar qualquer partido. Manter a perspectiva significa tomar partido.

Essa perspectiva, portanto, tem implicações para a metodologia empregada pelos cristãos que buscam escrever sobre o liberalismo econômico nos nossos dias. Em primeiro lugar é importante recordar e dialogar com os testemunhos de cristãos que têm se agregado e escrito a partir de posições partidárias2.

Em segundo lugar, quer dizer que os cristãos devem também dar ouvidos a outras vozes subversivas: os revolucionários, os [pós-]marxistas e outros que se encontram “no mesmo lado das barricadas”3. Pois, como observa Eagleton: “Os marxistas têm teimosamente sobrevivido à prática política marxista [...] Não nos sentimos autorizados a descartar a crítica feminista apenas porque o patriarcado não foi ainda adequadamente desalojado. Ao contrário, é razão para endossá-la ainda mais”.

Em terceiro lugar, quer dizer que os cristãos devem escrever a partir de uma posição de partidarismo materializado. Uma teologia cristã que se levante em resposta ao liberalismo econômico deve fluir a partir da ação. Deve ser “um reflexo crítico da práxis cristã”.

Portanto, como os cristãos abraçam lealdades que contradizem as lealdades dos liberalistas econômicos, deve-se esperar que os cristãos ofereçam um modo alternativo de estruturar a vida em comunidade, um modo que se oponha às estruturas fascistas-imperialistas impostas pelo neoclassocismo econômico.

Daniel Oudshoorn
Poser or Prophet

Via: Bacia das Almas - Paulo Brabo

NOTAS
  1. Por exemplo, as empresas multinacionais têm argumentado que as sweatshops do terceiro mundo – fábricas com péssimas condições de trabalho e baixo salário, onde são manufaturados grande parte dos bens consumidos no ocidente – oferecem a mulheres e crianças a oportunidade de escapar da prostituição. É evidente que trabalhar longas horas dentro de uma fábrica insalubre, devastando o próprio corpo por menos que um salário digno, dificilmente pode ser considerado uma verdadeira alternativa; é simplesmente outra forma de miséria e de prostituição. É importante notar que esse argumento surgiu com o próprio capitalismo, quando Adam Smith argumentou que deveria ser visto como um “gesto filantrópico” permitir que as crianças pobres trabalhassem nas fábricas. []
  2. Por exemplo, a Igreja Confessante durante a Segunda Guerra e os teólogos da libertação. []
  3. Importante é atentar, com respeito a essa questão, aos comentários de Jurgen Moltmann sobre Ernst Bloch, um ateu marxista: “Os defensores de Deus não se encontram necessariamente mais perto de Deus do que os acusadores de Deus. Os justificados não são os amigos teológicos de Jó, mas o próprio Jó. Nos Salmos protesto e júbilo coexistem e ressoam com a mesma voz. Sempre na história que essa combinação cessa de existir os teólogos passam a ter tanto a aprender sobre Deus com os ateus do que os ateus poderiam talvez aprender com os teólogos”. []
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