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sábado, 21 de maio de 2011

ONG do Jars of Clay mudou a vida de 600 mil pessoas na África

jars of clay BLOOD WATER MISSION WELL DONE ONG do Jars of Clay mudou a vida de 600 mil pessoas na África
Vencedor de prêmios importantes da música como Dove e Grammy, o Jars of Clay tem feito muito mais que vender milhões de álbuns e tocar sua música nas rádios e na TV.

Eles decidiram mudar redicalmente as condições de vida de pessoas carentes através de uma ONG humanitária. Sediada em Nashville, Tennesse, a Blood:Water Mission, foi fundada por eles em 2005. Seus objetivos eram minimizar a crise da epidemia de HIV/AIDS na África e, ao mesmo tempo, oferecer fontes de água potável para a população carente.

Em seus seis anos de existência, a organização abriu poços, criou sistemas de trasporte de água potável e mudou a vida de mais de 600.000 pessoas, em 1.000 comunidades espalhadas por 11 países africanos.

Para comemorar a conclusão da primeira fase da missão e a abertura dos primeiros 1.000 poços, eles realizaram um evento chamado “Well Done: Celebration” no dia 10 de maio.

A banda convidou um grupo de amigos e artistas, como Hanson, Eric Wainaina & The Mapinduzi Band (do Quênia), Derek Webb, Sandra McCracken e Charlie Peacock. Líderes de diversas comunidades na África também estavam presentes.

Foi exibido durante o show um vídeo que o vocalista Dan Haseltine fez durante sua viagem à Zâmbia juntamente com a ONG Food for the Hungry. Os espectadores  puderam ver o que mudou na vida das pessoas que foram beneficiadas com os poços.  Dan declarou: “É uma sensação muito boa saber que somos parte da história dessas pessoas, acreditando que elas podiam prosperar e sobreviver, e pudemos contribuir para tornar a realidade melhor para elas”.



O governador do Tennesse, Bill Haslam, esteve presente e testemunhou que seus filhos lhe falaram sobre o projeto. Ele parabenizou a banda e assumiu o compromisso de se envolver pessoalmente. Também foram mostrados relatos interessantes como o de uma aldeia na Zâmbia chamada Chipulukusu, que significa “maldita” na língua local. A origem do nome é por causa da falta de água e da constante epidemia de cólera que dizimou parte de sua população. Hoje a aldeia passou a ser conhecida como Mapalo, que siginifica “abençoada”, porque existe água potável e a cólera não é mais um problema.

O lema da fundação é: “US$ 1 pode fornecer água limpa para uma pessoa na África durante um ano inteiro”. Os membros da banda começaram a divulgar esse apelo em seus shows e os fãs responderam rapidamente. Há notícias de pessoas que começaram a vender bolos e  limonada nas escolas e universidades e enviar o lucro para a fundação. Sem patrocínio de grandes empresas, o que começou como uma visão humanitária de uma banda de quatro músicos tornou-se um movimento que se espalhou entre os fãs na internet, tocando e inspirando milhares de pessoas. Com um dólar de cada vez, os mil poços previstos originalmente foram abertos. Agora, eles dizem que isso foi apenas o começo.

A banda divulgou que a noite comemorativa rendeu cerca de cem mil dólares em doações do público e de outros músicos. Todo o valor será investido na construção de mais poços este ano. É possível saber mais sobre o projeto AQUI e no site da ONG.
Fonte: Agência Pavanews, com informações de Todays Christian Music e  Urban Christians

quinta-feira, 19 de maio de 2011

As profecias do homem - consumo e o esvaziamento das necessidades

Paulo Brabo - Bacia das Almas

É o paradoxo das nossas vidas. Nunca tivemos tanta liberdade para moldar nossas vida do modo como queremos, mas nunca estivemos sujeitos a tantas pressões nos dizendo o que é desejável.
David Rowan, The Times, 6 de setembro de 2003



Parece estar suficientemente demonstrado que, quando o ocidente abandonou a noção (antes bastante popular) de que a pobreza é uma virtude, foi com a ardente aprovação da Reforma Protestante – e provavelmente por direta inspiração dela. O que ainda não sabemos avaliar são todos os resultados que essa mudança de paradigma lançou futuro adentro. Algumas dessas flechas estão apenas começando a nos atingir; outras já nos atravessaram as pernas e o coração.


Mesmo antes da era da mecanização, alguns observadores, avaliando essa formidável transição, olharam com nostalgia para o passado e com temor para o futuro. Hoje em dia discute-se se um mundo que não acredita em Deus irá manter-se abraçado à ética; naquela época discutia-se se um mundo que acredita na ambição e no lucro pode alegar estar abraçado a Deus.


Quando a revolução industrial era menos do que uma promessa e a era da informação menos do que um sonho, esses sujeitos enxergavam o que hoje deveria ser visto como lugar-comum: que a ganância, liberta de suas cadeias ancestrais e alimentada pela tecnologia, poderia se mostrar a chave da destruição do mundo e da mais fatal cegueira da história da humanidade.


Em seu A Vida de Fausto, de 1791, Friedrich Maximilian Klinger coloca na boca de Satã algumas dessas profecias:

Em breve, o perigoso veneno da sabedoria e da ciência contaminará a todos! Sua fantasia inflamar-se-á para criar milhares de novas necessidades. Loucura, dúvida e intranquilidade e novas necessidades alastrar-se-ão, e eu duvido que meu terrível reino possa abarcar todos aqueles que serão contaminados por esse veneno sedutor.

Este é Novalis (1772-1801), escrevendo mais ou menos na mesma época, em seu A Cristandade, ou a Europa:

Uma prolongada associação de homens diminui suas inclinações para a sua fé e para sua raça, e habitua-os a aplicar seus pensamentos e esforços à tarefa de adquirir conforto material. As necessidades, bem como as artes de satisfazê-las, tornam-se mais complexas; o ambicioso requer tanto tempo para conhecer e ganhar habilidade nessas artes que não tem mais tempo para a silenciosa reunião de ideias e a atenta consideração do mundo interior. Se um conflito surge, seu interesse presente lhe parece representar mais; desse modo fenecem as belas flores de sua juventude, da fé e do amor, dando lugar aos frutos amargos do conhecimento e da possessão.

Acho especialmente relevante e lúcido que esses autores tenham entendido, de seu posto há duzentos anos, de onde não tinham como saber o que hoje sabemos, que o segredo da vitória final da ganância residiria na manipulação das necessidades.


Novalis enxergou que necessidades mais complexas requerem mais recursos e mais tempos para serem satisfeitas. O mero tempo necessário para aprendermos a nos tornar “produtivos” e a nos mantermos assim pode estar sequestrando partes muito legítimas da existência – porções e pausas de vida que perdemos inteiramente de vista enquanto corremos atrás do vento. Antes dos engarrafamentos e dos shopping centers, Novalis entreviu que a tarefa de nos tornarmos consumidores eficazes pode estar nos subtraindo o privilégio e a tarefa mais essencial de viver.


Klinger olhou ainda mais longe, e na mesma página diz duas vezes que a chave da manipulação e da ruína da humanidade residirá na “criação de necessidades”. Antes da televisão de tela plana e do iPad, ele entendeu que o homem abraçará os pés do diabo para não ter de resistir ao apelo de “novas necessidades”.


Essas profecias falam de um momento no futuro em que os homens finalmente dominariam a arte de transformar o que é supérfluo em necessidade. Essa hora, naturalmente, já chegou. Mais do que Novalis jamais poderia sonhar, aprendemos a validar nossa humanidade através daquilo que consumimos. E, numa vertigem que levaria Klinger à loucura, a subsistência dos sistemas do mundo absolutamente depende da criação e da divulgação insaciável de novas necessidades.


Até mais ou menos recentemente, a durabilidade de um produto era encarada como valor: os produtos eram feitos e comprados para durar. Esse paradigma, no entanto, não funcionava a serviço de um capitalismo que depende do consumo sem pausa para sobreviver. As indústrias aprenderam não apenas a lançar novos produtos (coisa que fizeram desde o começo), mas a encaixá-los num rigoroso programa de obsolescência programada. Mesmo quando compradas para durar, as coisas passaram a ser feitas para não durar. Hoje em dia um produto apresenta falhas técnicas muito antes do que já foi considerado aceitável, e o custo do conserto e da manutenção se mostra muitas vezes maior do que o custo da aquisição de um produto novo. O verdadeiramente notável nessa equação é que aprendemos a deixar de ficar indignados com isso, devidamente aplacados pelas vantagens anunciadas do novo produto-necessidade.


O último estágio da transição de valor do durável para o instantâneo ocorreu quando as indústrias deixaram de ocultar o seu projeto de obsolescência programada e passaram a anunciá-lo aos quatro ventos como evidência de compromisso com a inovação. Hoje não há quem compre um equipamento eletrônico desconhecendo que daqui a um dia ou dois, talvez antes, um equipamento com mais botões estará ocupando o mesmo lugar na estante. Não há quem compre um iPhone 4 sem saber que este ano ainda deve sair o 5. A perspectiva da obsolescência deixou de ser um problema e passou a ser um componente legítimo do produto, um de seus mais irresistíveis atrativos.


E, como diz a piada, com esses dez por cento nós vamos vivendo. Os profetas continuam falando e sendo solenemente ignorados, porque ouvi-los seria morder a mão que nos alimenta – ou mais propriamente, seria deixar de morder a mão que estamos consumindo: a nossa própria. Ivan Illich explica além da dúvida que nos tornamos tão habituados às soluções da tecnologia que ficamos cegos ao fato de que estamos sendo aprisionados por elas. As soluções que deveriam tornar a vida mais fácil, bem como a obediente satisfação das necessidades novas e complexas que nos vende o sistema, pouco fizeram além de criar novos problemas, e crônicos. Entre eles estão as chamadas “doenças da opulência”, invenções do nosso sucesso em canalizar o nosso modo de vida de modo a perseguir a prosperidade – coisas como obesidade, depressão, ansiedade, hipertensão e diabetes. Essas novas doenças aplacamos com novos remédios, é claro, porque seria pedir demais que nos rebaixássemos a mudar de vida. Para que o sistema continue rodando, nada nem ninguém – nem nossa própria qualidade de vida nem o esgotamento dos recursos do mundo – deve ser considerado motivo legítimo para atrasarmos o relógio e voltarmos ao ritmo das meras necessidades, as antigas.


Onde o supérfluo é visto como necessário, o próprio conceito de necessidade é sequestrado e esvaziado para sempre. Havia uma coisa importante que era necessário eu dizer para concluir, mas dizê-lo neste mundo não faz sentido.

terça-feira, 17 de maio de 2011

O divisor de águas


As religiões circulares não precisam se reinventar. Os ciclos brotam naturalmente para renová-las: há sempre mais um filho, mais uma lua nova, mais um solstício do verão para celebrar.

As religiões lineares vivem de pontos memoráveis na linha do tempo, e por isso tem de conviver necessariamente com um problema e um paradoxo: o evento histórico que as define vai ficando cada vez mais distante no passado.

Para os muçulmanos, mais recentes, o momento histórico que os define é a vida de Maomé (c. 570–632 d.C.). Para os cristãos, esse intervalo é o ministério de Jesus e dos apóstolos (c. 30-70 d.C.). Tanto muçulmanos quanto cristãos beberam, porém, da fonte histórica da primeira e mais antiga religião linear, o judaísmo.

Embora segundo as Escrituras hebraicas a história de Israel comece com o chamado de Abraão (cerca de 2.000 anos antes de Cristo), o evento crucial da história do judaísmo – o momento da história ao qual os judeus sempre voltam, que incessantemente celebram e que os define aos seus próprios olhos como povo – é o Êxodo: a fuga da servidão do Egito e o recebimento da Lei no Sinai, sob a liderança de Moisés (c. 1300 a.C).

Toda a vida religiosa de Israel apontava para o momento no passado em que Deus se revelara como resgatador e legislador, guiando o povo do Egito à Terra Prometida (com parada obrigatória no Sinai).

Ainda hoje o povo judeu entende sua vocação e seu destino à luz desse evento revelador que os tornou povo e tornou-se sua indelével recordação. Da mesma forma que o cristão revive o sacrifício de Cristo na celebração da Ceia do Senhor, o judeu traz à mente e torna contemporâneo o Êxodo ao celebrar a Páscoa1 .

Eis aqui o primeiro paradoxo das religiões lineares. Ao contrário das religiões circulares (que têm os ciclos brotando espontaneamente para lembrá-las do que celebrar), as religiões lineares/históricas definem-se por um único evento do passado, e não podem por isso dar-se ao luxo de esquecê-lo. O modo que encontram de manter viva a lembrança desse momento crucial e definitivo é celebrá-lo periodicamente – daí a Páscoa judaica, a Ceia/Eucaristia cristã, a peregrinação dos muçulmanos a Meca.

O paradoxo está portanto em que, para manter relevante um momento do passado, as religiões lineares tendem a revivê-lo circularmente.

Quero voltar ainda a este assunto. Por enquanto basta lembrar, com ervas amargas, que o Exodo é o momento central na história e na memória de Israel. Antes da primeira religião linear, as religiões do mundo andavam em círculos. O Mar Vermelho foi o grande divisor de águas.


1 Bernhard W. Anderson, Understanding the Old Testament

segunda-feira, 16 de maio de 2011

O quadro da educação no Brasil

Professora Amanda Gurgel silencia Deputados em audiência pública.
Depoimento Resumindo o quadro da Educação no Brasil.
Educadora fala sobre condições precárias de trabalho no RN/BRASIL.
(10/05/2011)



dica: Thiago Bomfim
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