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sábado, 12 de fevereiro de 2011

Menores Soldados: o drama continua em pelo menos 24 países

Adital

As organizações Alboan, Anistia Internacional, Entreculturas, Fundación el Compromiso, Save the Children e o Serviço Jesuítas a Refugiados se mobilizam no dia internacional contra a utilização de menores soldados – celebrado amanhã, 12 de fevereiro – para denunciar as graves violações de direitos humanos, às quais são submetidos diariamente meninos e meninas em numerosos países.

As organizações solicitam aos Estados que ainda não fizeram, que ratifiquem o Protocolo Facultativo da Convenção dos Direitos do Menino e da Menina sobre a participação de menores em conflitos armados. Trata-se da ferramenta jurídica de proteção mais importante para os menores em conflito.


O Protocolo é um instrumento imprescindível para assegurar que meninos e meninas não sejam utilizados em conflitos armados. Aumenta para 18 anos a idade mínima para a participação direta nos enfrentamentos, em comparação com a idade mínima anterior fixada em 15 anos na Convenção sobre os Direitos do menino e da menina. Também obriga os Estados Parte a colocarem em vigor disposições estritas ali onde não se cumpre.


Atualmente, 134 países ratificaram este Protocolo; 23 firmaram, mas não ratificaram (como Camarões, Gana, Libéria, Paquistão ou Somália); e um total de 35 nem firmaram nem aceitaram fazer (como Guiné Equatorial, Etiópia, Malásia, Myanmar, Arábia Saudita ou Zimbabwe). Espanha o ratificou em 2002.


Com esta iniciativa, as organizações se somam à campanha das Nações Unidas: "Nenhum menor de 18/ Zero under 18” que pede a ratificação universal deste Protocolo para 12 de fevereiro de 2012 – quando se completará o 10° Aniversário de sua entrada em vigor. A campanha quer que nenhum menor de 18 anos seja recrutado nem utilizado nas forças armadas ou nos grupos armados, já que a associação com forças armadas priva os meninos e as meninas de seus direitos e de sua infância, sendo devastador o impacto físico e psicológico que provoca neles.


Finalmente, as organizações solicitam aos Estados que já firmaram e ratificaram o protocolo que realizem esforços adicionais para sua adequada implantação, proporcionando os recursos adequados. Em El Chad, estão sendo recrutados meninos e meninas entre 13 e 17 anos de idade por parte das Forças Armadas e utilizados em combates; estão utilizando menores de 10 anos como mensageiros e em funções de transporte. Isto contradiz claramente o Protocolo e supõe um descumprimento claro das obrigações internacionais deste país.


Informação adicional


É impossível calcular com exatidão o número de meninos e meninas soldados. Existem dezenas de milhares em todas as regiões do mundo. Segundo o último relatório global sobre meninos e meninas soldados da Coalizão Internacional de 2008, pelo menos 24 países de todas as regiões do mundo recrutavam menores de 18 anos.


Desde então, milhares de menores soldados têm sido liberados das forças combatentes, já sejam grupos governamentais ou insurgentes, após acordos de paz e programas de desmobilização e reinserção em Afeganistão, Burundi, Costa do Marfim, Libéria, República Democrática do Congo, Sul de Sudão e outros países. No entanto, durante estes anos, tem-se estourado, reiniciado ou intensificado conflitos em países como El Chad, Iraque, República Centro-Africana, Somália e Sudão (Darfur), aumentando nestes lugares o recrutamento de menores.


Meninos, meninas e adolescentes soldados estão submetidos a situações extremas, nas quais alguns têm sido testemunhas do assassinato de seus familiares ou têm sido utilizados como instrumentos para cometer atrocidades. Muitos têm sido vítimas de maus tratos, violações e outras formas de sexualidade forçada, incluindo "matrimônios” com os combatentes, no caso das meninas. Em numerosas ocasiões, têm sido drogados para vencer o temor ao adversário, utilizados como arma de guerra, obrigados a realizar saques, violações ou a mutilar pessoas.


A noticia é do Serviço Jesuíta a Refugiados da América Latina e Caribe

Tempo que foge!

Ricardo Gondim

Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para frente do que já vivi até agora. Sinto-me como aquele menino que ganhou uma bacia de jabuticabas. As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades. Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados. Não tolero gabolices. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.
Já não tenho tempo para projetos megalomaníacos. Não participarei de conferências que estabelecem prazos fixos para reverter a miséria do mundo. Não vou mais a workshops onde se ensina como converter milhões usando uma fórmula de poucos pontos. Não quero que me convidem para eventos de um fim-de-semana com a proposta de abalar o milênio.
Já não tenho tempo para reuniões intermináveis para discutir estatutos, normas, procedimentos parlamentares e regimentos internos. Não gosto de assembléias ordinárias em que as organizações procuram se proteger e perpetuar através de infindáveis detalhes organizacionais.
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos. Não quero ver os ponteiros do relógio avançando em reuniões de “confrontação”, onde “tiramos fatos à limpo”. Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário do coral.
Já não tenho tempo para debater vírgulas, detalhes gramaticais sutis, ou sobre as diferentes traduções da Bíblia. Não quero ficar explicando porque gosto da Nova Versão Internacional das Escrituras, só porque há um grupo que a considera herética. Minha resposta será curta e delicada: - Gosto, e ponto final! Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou: “As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos”. Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos.
Já não tenho tempo para ficar dando explicação aos medianos se estou ou não perdendo a fé, porque admiro a poesia do Chico Buarque e do Vinicius de Moraes; a voz da Maria Bethânia; os livros de Machado de Assis, Thomas Mann, Ernest Hemingway e José Lins do Rego.
Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita para a “última hora”; não foge de sua mortalidade, defende a dignidade dos marginalizados, e deseja andar humildemente com Deus. Caminhar perto dessas pessoas nunca será perda de tempo.

Soli Deo Gloria

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

O sonho de Nabucodonosor



Frei Betto
Escritor e assessor de movimentos sociais
Adital
Os países ricos do Ocidente, cuja democracia se baseia no poder do dinheiro, não têm princípios, apenas interesses. Acusam Cuba de ser uma ditadura que não respeita os direitos humanos por não admitirem o caráter socialista daquela Revolução que, há mais de 50 anos, resiste às agressões do maior império econômico e bélico da história da humanidade.
No entanto, tecem loas à China. Fazem vista grossa ao regime escravocrata de mão de obra barata, onde se fabrica tudo aquilo que, no Ocidente, exigiria pagar salários mais altos, reduzindo a margem de lucro das empresas ocidentais. Inúmeros produtos em oferta em nossas lojas, embora grifadas por marcas originárias do Ocidente, são "made in China”.
Para governos como o dos EUA, do Reino Unido, da França e da Alemanha, o fato de um ditador como Hosni Mubarak ocupar, por 30 anos, o poder no Egito, não tem a menor importância. Desde que sirva a seus interesses geopolíticos numa região explosiva. Vale para Mubarak o que John Foster Dulles dizia do ditador Anastácio Somoza, da Nicarágua: "É um filho da p., mas é nosso filho da p.”
De olho no petróleo, os governos ocidentais sempre respaldaram os governos tirânicos do mundo árabe. Negócios, negócios, princípios à parte. Qual potência europeia rompeu com uma das tantas ditaduras militares que assolaram a América Latina nas décadas de 1960 e 1970?
O Ocidente nunca se incomodou com a ausência de eleições periódicas nos países árabes, a opressão da mulher, a perseguição aos homossexuais, o luxo nababesco dos governantes frente à miséria da grande maioria da população. Quantos ditadores africanos engordam os cofres dos bancos europeus?
Agora os EUA estão como o rei da história de Hans Christian Andersen: nu, despido de sua arrogância supostamente democrática, de sua prepotência imperial. E o pior, colocado entre a cruz e a caldeirinha: se Mubarak permanece, a Casa Branca sustenta uma ditadura e despreza o clamor do povo egípcio. Se é derrubado, há o risco de o Egito se transformar, como o Irã, numa nação islâmica, hostil a Israel e aos propósitos ocidentais.
Narra a Bíblia que o profeta Daniel (2, 31-36) foi convocado para interpretar um sonho que tanto inquietava o rei Nabucodonosor, da Babilônia: "Era uma grande estátua, alta e muito brilhante. Ela estava bem à frente de Vossa Majestade e tinha aparência impressionante. A cabeça era de ouro maciço; o peito e os braços eram de prata; a barriga e as coxas, de bronze; as canelas de ferro e os pés, parte de ferro e parte de barro. Vossa Majestade contemplava a estátua quando, sem ninguém jogar, caiu uma pedra que bateu exatamente nos pés de barro e ferro da estátua, quebrando-os. Em segundos, tudo desmoronou. Ferro, barro, bronze, prata e ouro ficaram como palha no terreiro em final de colheita, palha que o vento carrega sem deixar sinal. Depois, a pedra que tinha atingido a estátua se transformou numa enorme montanha que cobriu o mundo inteiro.”
A pedra, no caso do mundo árabe, é a ânsia popular de democracia entendida como justiça social e paz. O que pensa um iraquiano vendo seu país há anos dominado por tropas ocidentais que tratam os habitantes como escória da humanidade? O que pensa um afegão vendo aviões ocidentais bombardearem aldeias, matando crianças, mulheres, idosos, sob a desculpa de se tratar de um refúgio talibã?
A pedra é a cultura religiosa, muçulmana, que grassa naqueles países, e que nada tem a ver com o suposto cristianismo do Ocidente. Em nome de Deus e de Jesus, o Ocidente subjugou, durante séculos, a África, a Ásia e a América Latina. Escravizou habitantes, extorquiu riquezas, transferiu para a Europa preciosidades arqueológicas, como a Pedra de Roseta – hoje no Museu Britânico -, fragmento de uma estela de granodiorito do Egito antigo, cujo texto foi crucial para a compreensão moderna dos hieróglifos egípcios. Sua inscrição registra um decreto promulgado em 196 a.C., na cidade de Mênfis, em nome do rei Ptolomeu V.
O pensamento islâmico não distingue a fronteira entre religião e política. Esta deve ser monitorada por aquela. E a autoridade religiosa é encarada, como ocorria no Ocidente medieval, detentora do poder político.
Para tal conjuntura, o Ocidente só conhece uma resposta: armas, guerras, ocupações, subornos e ditaduras. Porque é incapaz de empreender o diálogo interreligioso, de reconhecer o direito daqueles povos à autodeterminação, de pautar-se por princípios e não pela voracidade obsessiva do mercado por lucro.
Se o fundamentalismo islâmico incute em jovens a mística do martírio, introduzindo uma forma de terrorismo incontrolável, o fundamentalismo do mercado incute nos ocidentais a convicção de que igrejas e mesquitas devem ceder lugar aos shopping centers, templos de consumismo e miniaturização do paraíso na Terra.
Eis a pergunta que, esta semana, se repete em Dakar, no Fórum Social Mundial, e exige resposta urgente: Um outro mundo é possível?
[Frei Betto é escritor, autor de "Calendário do Poder” (Rocco), entre outros livros.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Herói reencontra crianças que salvou do nazismo

Durante ocupação alemã, Nicholas Winton garantiu o futuro de 669 vítimas. Aos 98 anos, ele pede que as pessoas se preocupem em "fazer o bem"






Nicholas Winton jamais teve uma surpresa tão grande quanto a que estaria por vir. Durante o terror vivido na Alemanha nazista, ele salvou a vida de 669 crianças. Mas perdeu totalmente o contato com elas.

As crianças viraram adultos. O dia do reencontro chegou. A história de Winton é feita de lances incríveis. Discreto, jamais quis ser visto como herói: preferiu guardar em segredo o bem que fez. Não disse nem à mulher que tinha salvado a vida de tantas crianças.

Ao arrumar o sótão de casa, a esposa descobriu, por acaso, um velho álbum, coberto de poeira. Lá estavam fotos de crianças, cartas e telegramas e uma lista com nomes e datas.

Quando procurou saber, a mulher de Winton descobriu que aquelas eram crianças que tinham sido salvas por ele.

O que teria acontecido com essas crianças?

O bem que Winton fez rendeu frutos. O futuro transformou aquelas crianças em escritoras, cineastas, engenheiros, guias turísticos, jornalistas, biólogos, políticos, enfermeiros, editores, professores... A lista é enorme.

 Férias na Thecoslováquia
Quanto tinha apenas 29 anos, Winton viajou para a Thecoslováquia em companhia de um amigo nas férias de fim de ano. Lá, ficou impressionado com o clima de medo: a Thecoslováquia já estava sob o domínio da Alemanha Nazista.

Winton teve uma idéia: tentar mandar para fora da Tchecoslováquia crianças de famílias perseguidas. Começou a escrever por conta própria para vários países pedindo ajuda. Organizou uma primeira lista de nomes.

Somente a Inglaterra e a Suécia aceitaram receber aquelas crianças. Winton organizou a viagem. Era uma decisão difícil: para escapar do horror nazista, as crianças teriam de ser mandadas para longe dos pais.

O embarque das crianças nos trens que as levariam para longe teve momentos de emoção. Uma mãe chegou a subir no trem para pegar a filha de volta. Mas mudou novamente de idéia e terminou deixando que ela embarcasse.

“Nunca me esqueci da angústia que pude ver no rosto dos meus pais”, diz uma das mulheres que foram resgatadas. 

 Despedida
As crianças que partiram para um lugar seguro, a Inglaterra, não sabiam, mas jamais veriam os pais de novo. A maioria dos pais morreria nos campos de concentração nazistas.

“Nós ouvíamos falar sobre a possibilidade de que nossos pais tivessem sido enviados para os campos, mas alimentávamos a ilusão de que talvez eles tivessem escapado”, diz uma sobrevivente.

“Eu entendi que não veria os meus pais de novo, é difícil falar, desculpe. Sempre acreditei que a família é o que existe de mais importante”, confessa um homem, que um dia foi uma das crianças salvas por Winton.

“Guardo a carta que meus pais me mandaram dias antes de serem enviados para um campo”, diz.

Se é verdade que quem salva uma vida salva a humanidade, o que dizer de quem salva 669 vidas?

Quando desembarcaram na Inglaterra, lá estava Nicholas Winton esperando por elas. Uma imagem rara registra o herói na plataforma de desembarque com uma das crianças.

Winton só lamenta que o último trem, que traria 250 crianças, não tenha conseguido sair da Tchecosváquia: o início da guerra, no dia 1º de setembro de 1939, tornou a viagem impossível.

Nenhuma das crianças que não conseguiram embarcar sobreviveu. Também foram mandadas para os campos de extermínio.

Winton se alistou na força aérea. As crianças que tiveram tempo de embarcar para a Inglaterra na caravana organizada por Winton foram encaminhadas para casas de família e abrigos. 

 Retribuição
Winton nunca falou sobre o que tinha feito. Espalhadas por vários países, as crianças cresceram sem ter notícias do bem feitor. As crianças se tornaram adultos generosos.

“Para expressar a gratidão pelo que aconteceu comigo, tento ajudar os outros”, diz outro sobrevivente.

“Adotei três crianças”, completa um homem.

“Hoje, trabalho dois dias por semana como voluntário num hospital infantil”, revela um engenheiro.

“Uma das melhores características do ser humano é a decência. Nicholas é uma dos seres humanos mais decentes que conheci”, diz o jornalista salvo por Winton.

Desde que a história de Winton se tornou pública, ele começou a receber todo tipo de homenagens. A rainha da Inglaterra chamou-o ao palácio para entregar uma condecoração. O governo da Tchecoslováquia fez uma grande homenagem. O presidente dos Estados Unidos mandou uma carta de elogios e agradecimentos.

Mas o agradecimento mais comovente veio daqueles que Winton um dia salvou da morte certa. Um programa de TV inglês encheu o auditório de sobreviventes que foram salvos por ele quando eram crianças, mas nunca o tinham encontrado.

Primeiro, a apresentadora do programa avisou a Winton que a mulher sentada ao lado tinha sido uma das crianças que ele salvou. A apresentadora pede: “Quem, na platéia, teve a vida salva por Nicholas Winton, fique de pé, por favor...”

O agradecimento vem em forma de aplausos demorados e lágrimas. Tanto tempo depois, só havia uma palavra a dizer a ele: “obrigado”. 

 Fazer o bem
O que é que o herói discreto tem a dizer sobre o que fez?

Aos 98 anos de idade, Nicholas Winton gosta mesmo é de ficar em casa, longe da agitação das grandes cidades, no interior da Inglaterra. Tudo o que quer é cuidar do jardim. Usa o tempo livre para ajudar um asilo.

Por que o senhor guardou segredo?
Nicholas Winton: Não é que eu tenha ficado em silêncio. O que aconteceu é que eu não tinha o que dizer sobre o que fiz.

O senhor se considera um herói?
Winton: Não me vejo como um herói. Para ser herói, alguém precisa fazer algo de perigoso. Não fiz. O que fiz foi algo que os outros achavam impossível. Mas eu tinha de tentar, para ver se era possível ou não.

Mas fazer algo que todo mundo achava impossível não é um gesto heróico?
Winton: Não é um ato heróico. Meu lema é: se algo não é obviamente impossível, então deve haver uma maneira de fazer.

Qual foi a lição que o senhor tirou de tudo o que viveu?
Winton: Aprendi que nossa vida não é o que a gente espera. Todas as coisas importantes acontecem por acaso. Aconteceu de eu estar na Tchecoslováquia na hora certa. Tive a idéia certa de resgatar as crianças quando todo mundo achava que nem valeria a pena tentar.

Com que freqüência o senhor pensa nas crianças que não conseguiram escapar?
Winton: Sempre penso nelas, porque poucas horas fizeram a diferença entre iniciar uma vida nova ou serem mortas. Não se ouviu falar daquelas crianças.

Se tivesse a chance de se dirigir agora aos que o senhor salvou, o que é que o senhor diria? O senhor acha que fez o mundo um lugar melhor?
Winton:
 É preciso mais do que um Nicholas Winton para fazer do mundo um lugar melhor. Mas tudo é uma questão é uma visão. Quase todas as crianças que salvei estão envolvidas hoje em trabalhos de caridade. Estão fazendo o bem. O importante não é chegar em casa de noite e dizer, passivamente: “Hoje, eu não fiz nada de mal”. O importante é chegar em casa e dizer: “Eu hoje fiz o bem. 

Atualmente circula na República Tcheca um abaixo-assinado pedindo que Nicholas Winton receba o prêmio Nobel da Paz.  


terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Saint Denis, Haiti: Emergência de Cólera

O surto de cólera que assola o Haiti teve início em Saint Denis, pequena cidade do centro do Haiti. De lá, a epidemia se espalhou pelo país. Em 17 de novembro, autoridades de saúde já contavam mais de mil mortos. Médicos Sem Fronteiras trabalha para responder à emergência, com uma equipe de mais de mil pessoas, entre profissionais internacionais e haitianos.


Na manhã de domingo, 7 de novembro, um pai trouxe seus dois filhos doentes para o hospital local de Saint Denis, uma cidade pequena no centro do Haiti. Seu filho de três anos estava especialmente doente e sofrendo com sintomas de cólera.


MSF preparou uma área o tratamento de cólera, mas o local ainda não estava liberado para atendimento. O pai e seus filhos esperaram durante horas para que a área fosse aberta. Outras pessoas com sintomas de cólera também esperavam no local.


A equipe de MSF também ficou trancada do lado de fora do portão. MSF conseguiu transportar as crianças e seu pai, junto com outras cinco pessoas com suspeita de cólera para outro hospital na região de Petit Rivière, onde MSF está atendendo.


Saint Denis é uma área rural na região do rio Artibonite. A epidemia de cólera que o Haiti está enfrentando atualmente teve início nessa região. MSF começou a tratar pacientes lá assim que os primeiros casos foram confirmados, em 19 de outubro.


A cólera pode matar se não for tratada rapidamente. Os pacientes podem ficar com desidratação aguda, consequência do vômito e diarreia incontroláveis que a doença causa. Mas o tratamento – hidratação oral ou intravenosa, quando necessário – normalmente cura o doente em dois dias


Depois que a ambulância de Saint Denis chegou à Petite Rivière, os dois irmãos que haviam sido levados pelo pai receberam tratamento para a cólera e se recuperaram.


Médicos Sem Fronteiras continua a trabalhar em sua capacidade máxima para responder ao cólera. Mas MSF alerta que a epidemia não está perto de acabar e pede que outras organizaçõs humanitária atuem contra o surto.

Sudão - Confrontos forçam o deslocamento de milhares de pessoas em Darfur

Equipes de Médicos Sem Fronteiras prestam assistência médica imediata
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© Kate Geraghty

8 de fevereiro de 2011 -  Novos conflitos entre governo e grupos de oposição na região norte de Darfur (Sudão) forçaram, ao longo dos dois últimos meses, milhares de famílias a abandonar suas cidades, de acordo com a organização médico-humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF). Equipes de MSF estão agora prestando assistência médica a essas vítimas dos recentes deslocamentos, que estão vivendo em condições precárias em diversos campos em Shangil Tobaya, Dar Alsalam e Tabit.
"As pessoas fugiram de repente e chegaram aqui apenas com as roupas do corpo. Inicialmente elas montaram abrigos provisórios utilizando suas roupas e vegetação, para se proteger do frio à noite. MSF está fornecendo tendas plásticas, cobertores, colchonetes, sabonetes e galões de água para garantir condições mínimas a estas pessoas", disse Cristina Falconi, chefe da missão no Sudão. "Agora que a atenção está voltada para o referendo no sul do Sudão, não podemos esquecer as necessidades médicas urgentes em Darfur". 
Há dez dias, após um confronto na região de Tabit, MSF distribuiu itens domésticos básicos para mais de 500 pessoas que procuraram refúgio em localidades próximas à cidade de Jerno. Este foi o último de uma série de embates que tiveram início em meados de dezembro, com um confronto pesado in Shangil Tobaya, durante o qual o hospital do Ministério da Saúde, gerenciado por MSF, esteve no meio do fogo cruzado, obrigando pacientes e funcionários a abandonarem o hospital. Como consequência deste incidente, cerca de sete mil novos refugiados se reuniram em dois campos diferentes, próximo à cidade de Shangil Tobaya.
Alguns dias após esse confronto, MSF conseguiu realizar atendimento médico emergencial nessa área, cuidando de necessidades imediatas das pessoas deslocadas. Uma nova clínica foi montada dentro de um dos campos, e está atualmente atendendo 100 pacientes por dia. MSF também distribuiu alimentos nutritivos e ricos em vitaminas para aproximadamente 4 mil crianças com menos de cinco anos. Outras necessidades dos refugiados estão sendo supridas por organizações que também atuam na área.
MSF também está apoiando uma campanha de vacinação, patrocinada pela UNICEF e pelo Ministério da Saúde, que alcança mais de 3 mil crianças e 200 mulheres grávidas na cidade de Shangil Tobaya e arredores.
Em outras localidades na região sul de Darfur, os conflitos também forçaram o deslocamento de milhares de famílias, no começo de dezembro. Atualmente, uma equipe de MSF está terminando uma averiguação para determinar as necessidades mais urgentes de milhares de famílias na região de Shaeria. MSF também está organizando um grande programa de nutrição, com a colaboração do Ministério da Saúde, para atender os casos mais graves de desnutrição de pessoas que sofrem com a violência contínua e com o baixo acesso a atendimentos médicos.
MSF continua a prestar assistência médica primária e secundária em Darfur, inclusive atendimento pediátrico e de ginecologia obstetrícia, assim como acompanhamento psicológico, em Kaguro, Dar Zaghawa, Tawila and Shangil Tobaya.
MSF atua no Sudão desde 1979, oferecendo cuidados médicos gratuitos a vítimas de conflitos armados, enchentes, secas com pouco ou nenhum acesso a tratamentos de saúde. Também trata surtos de doenças e casos emergenciais de desnutrição.
Hoje, MSF continua a prestar assistência médica humanitária por meio de uma série de projetos em diferentes áreas do Sudão, que incluem: Warrap, Jonglei, Alto Nilo; Unidade; Bahr-el-Ghazal do Norte e Bahr-el-Ghazal Ocidental, Equatoria central e ocidental, a área transitória de Abyei, Mar Vermelho, Al-Gedaref e nas regiões norte e sul de Darfur.
MSF é uma organização neutra e autônoma, que atende a todas as pessoas que necessitam de cuidados médicos, independentemente de afiliação racial, política, tribal ou religiosa.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Fórum Mundial de Teologia e os seus desafios

Jung Mo Sung
Coord. Pós-Graduação em Ciências da Religião, Universidade Metodista de São Paulo
Adital
No dia 5 de fevereiro começa em Dakar o Fórum Mundial de Teologia e Libertação, paralelamente ao Fórum Social Mundial. É um bom momento para repensarmos a caminha das mais diversas teologias na perspectiva da libertação ou críticas.

Eu quero enumerar alguns desafios.


A teologia da libertação latinoamericana, no início da década de 1970, assumiu a tarefa de pensar teologicamente as lutas dos pobres e dos seus aliados contra a pobreza, desigualdade e injustiças sociais a partir da teoria da dependência. Esta teoria foi um marco no pensamento sócio-econômico não só na América Latina, mas também em outras partes. Na década de 1980, a realidade econômica mundial mudou e o neoliberalismo passou a ser a ideologia dominante e a ditar as políticas e relações econômicas. Foi uma novidade que muitos da TL não compreenderam muito bem no seu início, tanto que o discurso sobre questões econômicas e sociais da TL mudou muito pouco naquele tempo. Depois, os discursos se concentraram na crítica ao neoliberalismo, mas essa mudança gerou poucas formas novas de crítica teológica, que fossem mais adequadas para o novo tempo. No início do século XXI estamos tendo outras novidades na economia globalizada.


Além do surgimento da China como um dos grandes "atores” na economia mundial e a explosão das "redes sociais” – e o que isso significa em termos econômicos e sociais–, uma das questões fundamentais do nosso tempo é que o Império global de hoje domina por sedução. Os impérios anteriores (até o Império Britânico) sempre usaram força bruta para conquistar e manter a dominação e exploração. Hoje, os povos e países que estão foram do "circuito do Império” desejam entrar e participar do seu modo de vida. É claro que o Império ainda tem a força militar para reprimir os seus inimigos, mas a sua expansão e manutenção se dão ordinariamente por sedução.


A crítica a um sistema tão sedutor assim exige um tipo diferente de crítica teológica. As críticas contra a pobreza não significa mais necessariamente crítica ao sistema, pois pode ser uma demanda para poder entrar nela e viver o seu "modo de vida”. Eu penso que o conceito de "fetiche” (Marx) e de idolatria do Mercado (Hinkelammert e Assmann) podem ser instrumentos muito importantes (e até fundamentais) nesta teológica crítica, de libertação, do nosso tempo.


Um segundo ponto. A TL latinoamericana se constitui tendo como o tema central o pobre, isto é, a questão sócio-econômica. A noção de Deus da Vida, que luta contra as forças de morte e de opressão, gerou também outras teologias críticas em torno de questões como o do gênero (teologia feminista e suas variações), de etnia (a teologia negra, indígena...), o da sexualidade e também da ecologia. O desafio que temos hoje é como articular essas lutas para que cada uma não se perca em sua especificidade ou na "luta interna” para ver qual é a luta mais importante.


Nesta articulação, precisamos perceber que a teologia da libertação privilegiou a relação produtiva, isto é, as relações sociais mediadas pela produção de bens materiais a partir da natureza. Enquanto que outras lutas como a do gênero, etnia e sexualidade tem o foco central nas relações intersubjetivas. As mulheres, negros, indígenas, homossexuais etc desejam ser reconhecidos/as pelos outros e pela sociedade como seres de plena dignidade humana.


O desafio é como elaborar ou assumir uma teoria antropo-social capaz de explicar de uma forma articulada as relações de expropriação, exploração e dominação; isto é, relações produtivas e relações intersubjetivas, e em diálogo com essa teoria elaborar um discurso teológico crítico. (a continuar)

[Autor, com Hugo Assmann, de "Deus em nós: o reinado que acontece no amor solidário aos pobres”].
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