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sábado, 17 de outubro de 2009

Fora da Zona de Conforto! [18/10/09]

Sul-americanas são principais vítimas do tráfico humano
O tráfico de seres humanos é um negócio muito rentável, que anualmente movimenta milhões de euros e que funciona com redes de distribuição transnacionais complexas e eficazes, estando sempre associado ao tráfico de drogas, lenocínio e auxílio à imigração ilegal, entre outros crimes.

Índia permanece miserável apesar de esforços para erradicação da pobreza
a Índia continua sendo lar para um terço dos mais pobres do mundo, vítimas da alta pressão demográfica, da dependência agrícola, do analfabetismo e do rígido sistema de castas que ainda sufoca o futuro do país.

China vai realojar 15 mil pessoas que vivem em uma zona contaminada
China é um dos países mais poluídos do mundo devido à rapidez de seu desenvolvimento industrial, pelo que são frequentes os acidentes ambientais e doenças entre a população relacionadas com o excesso de poluição.

Conflitos armados se intensificam na RDC
“A população é o alvo de numerosas violências: assassinatos, sequestros e violências sexuais”



Sumatra: Sobreviventes de terremoto lidam com perdas
Vários vilarejos nos arredores de Tandikat, nas montanhas de Pariaman, foram devastados por um deslizamento de terra depois do terremoto. Tudo ruíu e a ajuda tem levado muito tempo para chegar porque a maioria das estradas foi destruída. Isso também torna a procura e as operações de reconstrução muito difíceis, especialmente no que diz respeito a trazer maquinário pesado para limpar os escombros.

Somália: o sofrimento dos civis continua piorando

Mais de um milhão de pessoas foram deslocadas nas regiões central e sul da Somália, alguns várias vezes. Os mais pobres não podem fugir para áreas mais seguras; estão encurralados em Mogadíscio com poucos meios de lidar com essa situação.

Hoje é Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza



ONU quer conjugação de  esforços para fazer frente à pobreza
ONU quer conjugação de esforços para fazer frente à pobreza

Luanda – Assinala-se hoje, 17 de Outubro, o Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, instituído por uma resolução de Dezembro de 1992 da Organização das Nações Unidas (ONU).

O Dia é uma manifestação de mais um esforço internacional para conjugar forças e assegurar a busca de soluções para fazer frente à pobreza e ao subdesenvolvimento.

Numa mensagem, por ocasião da data, a ONU sublinha a necessidade de se criar uma verdadeira aliança mundial para lutar contra a pobreza, na qual participem, activamente, tanto os países desenvolvidos, tanto os em desenvolvimento.

O mundo, segundo ainda a mensagem, alcançou progressos reais, embora insuficientes, no domínio da realização dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio.

“Apesar de a pobreza extrema ter diminuído, entre 1990 e 2002, passando de 28% para 19% da população do mundo em desenvolvimento, os progressos foram desiguais entre regiões e países, e até no interior do mesmo país ou região”, lê-se no documento.

Em grande parte da Ásia, os avanços económicos e sociais permitiram que quase 250 milhões de pessoas saíssem da miséria absoluta. Contudo, as taxas de pobreza não variaram na Ásia Ocidental e no Norte de África, enquanto aumentaram nas economias em transição da Europa Oriental e na Ásia Central.

O documento indica que a África Subsariana é a região onde se registra o maior atraso, pelo que é improvável que alcance o Objetivo de Desenvolvimento do Milénio, que consiste em reduzir a pobreza extrema para metade até 2015.

É preciso redobrar os esforços para fazer frente à pobreza e ao subdesenvolvimento.

Na mensagem a ONU apela os países desenvolvidos a cumprirem os compromissos assumidos em matéria de Ajuda Pública ao Desenvolvimento (APD) e de redução da dívida.

Solicita os países em desenvolvimento a darem prioridade aos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio e, caso ainda não o tenham feito, adoptar estratégias nacionais para os alcançar.

"Lamentavelmente, a parceria mundial para o desenvolvimento é mais feita de palavras do que de actos. Esta situação tem que mudar. Todos os principais agentes de desenvolvimento – governos, setor privado, sociedade civil e pessoas que vivem na pobreza – devem conjugar forças e lutar juntos contra a pobreza, de modo a elevarem o nível de vida e atenuarem o sofrimento humano".

A campanha que visa fazer da pobreza uma coisa do passado é um desafio moral essencial do tempo e não pode ser a missão de apenas alguns. Pelo contrário, deve congregar a maioria.

Por ocasião do Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, a ONU solicita os países a aderirem a luta para se alcançar progressos reais e suficientes para acabar com a pobreza.

Não adianta olhar pro céu com muita fé e pouca luta



Até quando? - Gabriel Pensador

Não adianta olhar pro céu com muita fé e pouca luta
Levanta aí que você tem muito protesto pra fazer e muita greve
Você pode e você deve, pode crer
Não adianta olhar pro chão, virar a cara pra não ver
Se liga aí que te botaram numa cruz e só porque Jesus sofreu
Num quer dizer que você tenha que sofrer

Até quando você vai ficar usando rédea
Rindo da própria tragédia?
Até quando você vai ficar usando rédea
Pobre, rico ou classe média?
Até quando você vai levar cascudo mudo?
Muda, muda essa postura
Até quando você vai ficando mudo?
Muda que o medo é um modo de fazer censura

Até quando você vai levando porrada, porrada?
Até quando vai ficar sem fazer nada?
Até quando você vai levando porrada, porrada?
Até quando vai ser saco de pancada?

Você tenta ser feliz, não vê que é deprimente
Seu filho sem escola, seu velho tá sem dente
Você tenta ser contente, não vê que é revoltante
Você tá sem emprego e sua filha tá gestante
Você se faz de surdo, não vê que é absurdo
Você que é inocente foi preso em flagrante
É tudo flagrante
É tudo flagrante

A polícia matou o estudante
Falou que era bandido, chamou de traficante
A justiça prendeu o pé-rapado
Soltou o deputado e absolveu os PM's de Vigário

A polícia só existe pra manter você na lei
Lei do silêncio, lei do mais fraco:
Ou aceita ser um saco de pancada ou vai pro saco

A programação existe pra manter você na frente
Na frente da TV, que é pra te entreter
Que pra você não ver que programado é você

Acordo num tenho trabalho, procuro trabalho, quero trabalhar
O cara me pede diploma, num tenho diploma, num pude estudar
E querem que eu seja educado, que eu ande arrumado que eu saiba falar
Aquilo que o mundo me pede não é o que o mundo me dá

Consigo emprego, começo o emprego, me mato de tanto ralar
Acordo bem cedo, não tenho sossego nem tempo pra raciocinar
Não peço arrego mas na hora que chego só fico no mesmo lugar
Brinquedo que o filho me pede num tenho dinheiro pra dar

Escola, esmola
Favela, cadeia
Sem terra, enterra
Sem renda, se renda. Não, não

Muda, que quando a gente muda o mundo muda com a gente
A gente muda o mundo na mudança da mente
E quando a mente muda a gente anda pra frente
E quando a gente manda ninguém manda na gente

Na mudança de atitude não há mal que não se mude nem doença sem cura
Na mudança de postura a gente fica mais seguro
Na mudança do presente a gente molda o futuro

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Querem encontrar à Cristo?

Algumas perguntas que sempre tive e que atualmente foram respondidas, não como respostas definitivas mas porque sinto ter feito as perguntas verdadeiras.

"As respostas apontam para trás. As perguntas, para frente."
Justein


Querem encontrar à Cristo? Olhem nos olhos do teu próximo. Mt 25

Querem levar Jesus para almoçar em sua casa? Então levem os mendigos para almoçar em sua casa. Lc 12:13-14

Querem dar umas roupas bonitas para Jesus? Dê na noite de frio os seus melhores agasalhos e edredons. Mt 25

Querem seguir os mandamentos de Deus? Ame o próximo com a ti mesmo. E só. Gl 5:14

Querem dar um copo de água para Jesus beber? Leve água para os nordestinos sedentos. Mt 25

Querem fazer um jejum à Deus? simples. Reparta o pão com os famitos e ajude os abandonados. Is 58:6-8

A vida cristã é simples. Nós à complicamos.

As nossas respostas sobre Cristo, são mais facilmente encontradas no presente do que no passado, onde Ele se apresenta na forma do nosso próximo.

O amor verdadeiro torna qualquer manifestação pelo próximo, não um peso, mas um toque de poesia.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Crise de Humanidade


Leonardo Boff

A crise econômico-financeira, presivísvel e inevitável, remete a uma crise mais profunda. Trata-se de uma crise de humanidade. Faltaram traços de humanidade minimos no projeto neoberal e na economia de mercado, sem os quais nenhuma instituição, a médio e longo prazo, se agüenta de pé: a confiança e a verdade.

A economia presupõe a confiança de que os impulsos eletrônicos que movem os papéis e os contratos tenham lastro e não sejam mera matéria virtual, portanto, fictícia. Pressupõe outrossim a verdade de que os procedimentos se façam segundo regras observadas por todos. Ocorre que no neoliberalismo e nos mercados, especialmente a partir da era Thatcher e Reagan, predominiou a financeirização dos capitais. O capital financeiro-especulativo é da ordem de 167 trilhões de dólares, enquanto o capital real, empregado nos processos produtivos (por volta de 48 trilhões de dólares anuais). Aquele delirava na especulação das bolsas, dinheiro fazendo dinheiro, sem controle, apenas regido pela voracidade do mercado. Por sua natureza, a especulação comporta sempre alto risco e vem submetida a desvios sistêmicos: à ganância de mais e mais ganhar, por todos os meios possíveis.

Os gigantes de Wall Street eram tão poderosos que impediam qualquer controle, seguindo apenas suas próprias regulações. Eles contavam com as informações antecipadas (Insider Information), manipulavam-nas, divulgavam boatos nos mercados, induziam-nos a falsas apostas e tiravam daí grandes lucros. Basta ler o livro do mega-especulador George Soros "A crise do capitalismo" para constatá-lo, pois ai conta em detalhes estas manobras que destroem a confiança e a verdade. Ambas eram sacrificadas sistematicamente em função do ganância dos especuladores. Tal sistema tinha que um dia ruir, por ser falso e perverso, o que de fato ocorreu.

A estratégia inicial norte-americana era injetar tanto dinheiro nos “ganhadores”(winner) para que a lógica continuasse a funcionar sem pagar nada por seus erros. Seria prolongar a agonia. Os europeus, recordando-se dos resquícios do humanismo das Luzes que ainda sobraram, tiveram mais sabedoria. Denunciaram a falsidade, puseram a campo o Estado como instância salvadora e reguladora e, em geral, como ator econômico direto na construção na infra-estutura e nos campos sensíveis da economia.

Agora não se trata de refundar o neoliberalismo mas de inaugurar outra arquitetura econômica sobre bases não fictícias. Isto quer dizer, a economia deve ser capítulo da política (a tese clássica de Marx), não a serviço da especulação mas da produção e da adequada acumulação. E a política se regerá por critérios éticos de transparência, de eqüidade, de justa media, de controle democrático e com especial cuidado para com as condições ecológicas que permitem a continuidade do projeto planetário humano.

Por que a crise atual é crise de humanidade? Porque nela subjaz um conceito empobrecido de ser humano que só considera um lado dele, seu lado de ego. O ser humano é habitado por duas forças cósmicas: uma de auto-afirmação sem a qual ele desaparece. Aqui predomina o ego e a competição. A outra é de integração num todo maior sem o qual também desaparece. Aqui prevalece o nós e a cooperação. A vida só se desenvolve saudavelmente na medida em que se equilibram o ego com o nós, a competição com a cooperação. Dando rédeas só à competição do ego, anulando a cooperação, nascem as distorções que assistimos, levando à crise atual. Contrariamente, dando espaço apenas ao nós sem o ego, gerou-se o socialismo despersonalizante e a ruína que provocou.

Erros desta gravidade, nas condições atuais de interdepedência de todos com todos, nos podem liquidar. Como nunca antes temos que nos orientar por um conceito adequado e integrador do ser humano, por um lado individual-pessoal com direitos e por outro social-comunitário com limites e deveres. Caso contrário, nos atolaremos sempre nas crises que serão menos econômico-financeiras e mais crises de humanidade.

Os estrangeiros que são todos

Por Paulo Brabo


Certo de estar a ponto de ferir a sensibilidade de alguns, quero deixar clara minha posição sobre determinado assunto: o Estado de Israel não representa qualquer continuidade, mesmo que honorária, com a tradição religiosa judaico-cristã registrada nas duas metades desiguais da Bíblia. Historicamente e espiritualmente falando o Estado de Israel não representa a religião que se convencionou chamar de judaísmo, e creio que pelo menos lá todos sabem disso. Há muitos judeus devotos ao redor do mundo, muitos desses em Israel, mas não cabe identificar israelitas com israelenses ou o associar o Estado de Israel à Terra Prometida (e muito menos ao reino de Davi); qualquer tentativa em contrário é engano ou esforço de marketing e de relações públicas, sendo esses últimos patrocinados em grande parte pelos Estados Unidos, com o consentimento embaraçado de Israel.

Tenho amigos em Israel e estou muito longe de ser anti-semita; tenho também queridos amigos muçulmanos, e não sou ingênuo o bastante para crer que a tensão entre Israel e o mundo árabe seja simples de recapitular, de equacionar, de assimilar ou de solucionar. Também não tenho qualquer antipatia pelos israelenses que não são judeus, e tampouco creio haver qualquer diferença de mérito entre as categorias igualmente arbitrárias que acabo de mencionar.

Amai, pois, o estrangeiro, porque fostes estrangeiros na terra do Egito.

Tenho ainda a dizer que apenas as guerras me enfurecem mais do que Estados e nações; apenas as guerras soam-me mais atrozes e arbitrárias do que rótulos.

Mas a guerra é um demônio que não pára: seu emblema é o símbolo alquímico das duas salamandras devorando incessantemente uma a cauda da outra. O terrorista de um lado é o herói da resistência do outro. Cada ataque confirma as piores suspeitas que um adversário tem do seu antagonista; cada ofensiva é redimida com novos recrutamentos, que garantem a perpetuação do conflito. Os Estados Unidos permanecem liberando indiscriminadamente o Iraque, fomentando indignação igualmente justificada entre muçulmanos letrados e chãos. Israel, sentindo-se ameaçado como nunca pelo Hezbollah (que é por sua vez patrocinado por implacáveis rancores iranianos e sírios), está atacando de formas sujas e limpas palestinos e libaneses – que estão longe de ser inocentes, mas que morrem com a facilidade atroz de qualquer um – enquanto na América cristãos queimam cópias do Corão em austera homenagem ao Príncipe da Paz. Morrem quase quatrocentos libaneses num único dia da semana passada, ao mesmo tempo em que os israelenses abandonam em massa o norte do país temendo velhos ataques e novas retaliações.

* * *

É comum associar o cristianismo e a mensagem de Jesus a uma compreensão nova, inclusiva e compassiva sobre a natureza do “outro”. Isso é em grande parte muito acertado, mas é bom lembrar por exemplo que “amai o próximo como a ti mesmo” é injunção da Bíblia hebraica – curiosa exigência que precede a Jesus e da qual o judaísmo não prescinde.

Se Deus não faz acepção de pessoas, todos os genocídios são o mesmo.

Na verdade, são inúmeros os mandamentos da Lei de Moisés explicitamente desenhados para proteger o desavisado outro – o estrangeiro – que se encontrasse em terras de Israel. E o motor dessa tolerância, o declarado motivo para essa misericórdia, deveria ser segundo o texto a recorrente lembrança do passado de Israel como povo estrangeiro e oprimido no Egito, antes do Êxodo e da independência e da Lei: “amá-lo-eis como a vós mesmos, pois estrangeiros fostes na terra do Egito”.

O israelita é dessa forma desafiado constantemente pela sua Lei a recordar a abjeção da sua condição anterior, bem como a dispensar ao estrangeiro a misericórdia que no passado não obteve:

§ Não rebuscarás a tua vinha, nem colherás os bagos caídos da tua vinha; deixá-los-ás ao pobre e ao estrangeiro. Eu sou o SENHOR, vosso Deus.

§ Quando segardes a messe da vossa terra, não rebuscareis os cantos do vosso campo, nem colhereis as espigas caídas da vossa sega; para o pobre e para o estrangeiro as deixareis. Eu sou o SENHOR, vosso Deus.

§ Se o estrangeiro peregrinar na vossa terra, não o oprimireis.

§ Como o natural, será entre vós o estrangeiro que peregrina convosco; amá-lo-eis como a vós mesmos, pois estrangeiros fostes na terra do Egito. Eu sou o SENHOR, vosso Deus.
(Levítico 19:10, 23:22, 19:33-34)

Outras passagens sustentam que o verdadeiro patrocinador desse amor tolerante pelo estrangeiro/outro é o caráter singular de Deus, que não aceita suborno e não faz distinção entre as pessoas:

§ Pois o SENHOR, vosso Deus, é o Deus dos deuses e o Senhor dos senhores, o Deus grande, poderoso e temível, que não faz acepção de pessoas, nem aceita suborno;

§ que faz justiça ao órfão e à viúva e ama o estrangeiro, dando-lhe pão e vestes.

§ Amai, pois, o estrangeiro, porque fostes estrangeiros na terra do Egito.

§ Não aborrecerás o edomita, pois é teu irmão; nem aborrecerás o egípcio, pois estrangeiro foste na sua terra.

§ Não perverterás o direito do estrangeiro e do órfão; nem tomarás em penhor a roupa da viúva.

§ Quando acabares de separar todos os dízimos da tua messe no ano terceiro, que é o dos dízimos, então, os darás ao levita, ao estrangeiro, ao órfão e à viúva, para que comam dentro das tuas cidades e se fartem.
(Deuteronômio 10:17-19, 23:7, 24:17, 26:12)

Porém o mundo dá voltas, e os palestinos são hoje hóspedes impossivelmente incômodos dos israelenses, da mesma forma que Israel é refém do mundo árabe, embora conte com a proteção dos americanos, graças aos quais os iraquianos são também estrangeiros em sua própria terra. Só me resta pedir que Deus proteja os estrangeiros que são todos, porque não posso esperar que judeus e cristãos e muçulmanos honrem suas Escrituras ou neguem sua história.

* * *

Ninguém me venha, finalmente, acusar de anti-semitismo: se Deus não faz acepção de pessoas, todos os genocídios são o mesmo. Quanto a judeus e cristãos e muçulmanos que derramam sangue ao mesmo tempo em que alegam possuir alguma intimidade com a Misericórdia, façam-me um favor: vão para o inferno.

Maldito aquele que perverter o direito do estrangeiro, do órfão e da viúva. E todo o povo dirá: Amém!
(Deuteronômio 27:19)

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Não os impeçais


Por Paulo Brabo

A primeira vez que estive no Nordeste foi numa viagem para Fortaleza: fui de ônibus conhecendo o sertão do Piauí e Ceará. Naquelas estradas ia conhecendo o povo, conversando com eles, observando seus costumes e divagando sobre como somos tantos povos sob uma mesma bandeira.

Gente simples, gente simpática, gente antipática, gente que roncava, gente que dormia, gente que chorava, gente que sorria. Eram gente.

E nós, os chamados protestantes ou evangélicos, apontamos este povo como idólatras porque quase todos traziam ao peito Nossa Senhora ou se agarravam ao santo que mais lhe agradava. Alguns chamavam a Padre Cícero, ou como lá é conhecido: Padim Ciço. Essa gente simples que vai pela vida com uma força que desconheço e ama seu povo e sua terra.

Idólatras somos nós.

A esses eu tanto julgava! Mas conhecendo o Cristo do Sertão me bateu uma idéia. Uma dessas boas, sabe?

Você já se sentiu envergonhado em um jantar chiquérrimo? Ou se sentiu um idiota com outras pessoas falando um idioma diferente ou mesmo um assunto tão profundo que não fazia o menor sentido para você? Já parou pra pensar que gente assim, tão simples, se sente assim na presença de Deus?

A Igreja Católica criou tantos ritos e suas catedrais se tornaram tão suntuosas que gente simples se sente pequena ali. Ali é a casa de Deus, mas não é a casa deles, a deles é de chão batido e cerquinha de graveto (qualquer semelhança com os templos evangélicos não é coincidência… é reincidência… e burrice).

Aí, alguém cita que existiu um tal padre por ali e que fez milagres. Então, essa gente simples se identifica com aquele que foi gente como ele, viveu como ele e foi capaz de fazer milagre! Gente assim se identifica com uma mãe que obedeceu a Deus e agora, acha que Deus é um ser tão importante e inalcançável que pede o rogar desta mesma mãe a Deus, afinal, Deus é muito distante pra ele.

Quando chamam um santo, chamam alguém que era como nós!

Quando chamam uma santa, chamam alguém que obedeceu a Deus sem hesitar!

Quando chamam um padre, chamam alguém que amou aos outros mais que a si mesmo!

Assim, quando chamam qualquer um destes, é Aquele que responde. Afinal, foi Ele quem viveu, obedeceu, amou, morreu e realizou milagres!

Então, deixe de achar que um católico é idólatra porque chama um nome ou carrega uma imagem. Você não conhece o coração dele, mas você sabe quem conhece.

Idólatra somos eu e você, que mesmo sabendo que Jesus morreu por nós e nos deixou a herança do livre acesso ainda ficamos inventando coisas como libertação, óleos ungidos, orações fortes, unções de bichos e por aí vai. Nos enchemos de cargos e liturgias e assim pisamos na Cruz.

Quando você coloca absolutamente qualquer coisa entre a Salvação de Cristo e você, o idólatra somos eu e você.

Deixe os pequeninos irem até Jesus e só. Não os impeçais! E viva conforme Jesus viveu. Lembra que ele não julgou?

César Chagas, no Infinita Highway

Fonte: www.baciadasalmas.com

No país que sobra dinheiro para Olimpíadas, Copa do Mundo...

Desalojados após incêndio em favela de SP aguardam casa desde 2003

Metade das 268 famílias que perderam seus barracos no incêndio de domingo (11) na favela Diogo Pires, do complexo Nova Jaguaré, está cadastrada há seis anos no plano de novas moradias da prefeitura paulistana. Desde então, elas aguardam a concretização do projeto que prevê a total reurbanização da área, na zona oeste da cidade.


As obras, cujo começo estava previsto para 2004, tiveram início só dois anos depois. Não há previsão para concluí-las, segundo a própria prefeitura.

O local exato onde ocorreu o incêndio foi invadido há cerca de um ano, aumentando ainda mais o número de barracos na Nova Jaguaré, onde a primeira invasão ocorreu nos anos 1960.


Parte da favela Diogo Pires foi ocupada por novos moradores, incentivados pelo início da construção dos conjuntos habitacionais. A outra parte foi ocupada por antigos moradores do complexo, conforme demonstra o cadastro da prefeitura.

Desde o início do processo de reurbanização, em 2006, foram entregues 655 unidades das 1.222 previstas pelo projeto municipal, realizado em parceria com a CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado). Há 135 apartamentos que aguardam apenas a regularização da documentação dos moradores para serem ocupados.

A Secretaria Municipal de Habitação promete entregar mais 110 apartamentos no mês que vem --foi este conjunto, quase pronto, que acabou invadido na segunda-feira (12) pelos desabrigados pelo incêndio.

A prefeitura e a CDHU ainda planejam construir 175 unidades no terreno onde estava a favela Diogo Pires e outras 150 num terreno próximo. Não há prazo para a entrega desses dois conjuntos.

Os atrasos na concretização do projeto de reurbanização da Novas Jaguaré ocorreram por diversos motivos. Em 2004, após o cadastramento de 3.600 famílias e a assinatura do contrato, a então prefeita Marta Suplicy (PT) resolveu não iniciar as obras por falta de verba.

O atual governador José Serra (PSDB) assumiu a prefeitura no ano seguinte e decidiu refazer totalmente o projeto. Segundo sua equipe, o plano anterior, que previa a construção de 992 unidades habitacionais, deixaria mil famílias de fora. O contrato de reurbanização, inicialmente de R$ 110 milhões, passou para R$ 130 milhões.

As obras, então, só começaram em 2006, quando Gilberto Kassab (DEM) já havia assumido a prefeitura. A promessa em 2008, quando ele disputou a reeleição, era entregar tudo 'no segundo semestre de 2009', prazo que não será cumprido, diz a administração municipal.

A Secretaria Municipal de Habitação afirma que um projeto de reurbanização tem de lidar com diversos imprevistos, o que dificulta o cumprimento rigoroso dos prazos de entrega. Um deles é o aumento da população, devido tanto ao crescimento vegetativo quanto à chegada de novos moradores.

Em 2003, quando a prefeitura elaborou o cadastro do qual faz parte metade dos moradores atingidos pelo incêndio de domingo, havia 3.600 famílias na Nova Jaguaré. Hoje, estima a prefeitura, são cerca de 4.500.

Incêndio
O incêndio na favela começou por volta das 18h do último domingo e foram necessárias três horas para controlar as chamas. A favela Diogo Pires fica na avenida Dracena, próxima da esquina com a rua Presidente Altino. Três pessoas chegaram a ser atendidas por intoxicação.

A favela do Jaguaré já foi atingida por outros incêndios em 2000, 2003 e 2006, e também sofre com deslizamento de terras em época de chuvas intensas.

Na segunda-feira (12), cerca de 50 pessoas atingidas pelo incêndio invadiram dois prédio em construção. De acordo com Soninha Francine, subprefeita da Lapa, o grupo ocupou os prédios no início da tarde, quando um temporal atingiu a cidade.

Segundo informações da Defesa Civil, a negociação com os moradores foi pacífica e eles foram encaminhados ao Clube Escola Jaguaré, que servirá como abrigo emergencial para os desabrigados.

Próximos?

OLIM-PIADAS


Todo mundo feliz que o Rio vai sediar as Olimpiadas 2016. E os governantes do Rio mais ainda. São eles que vão superfaturar as obras olímpicas, passar a mão na nossa grana e investi-la no tráfico de drogas. E o povo comemora!

Nos Jogos Pan-Americanos 2007 o Rio não cumpriu quase nenhuma das promessas/exigências. Mas vamos nos alegrar! É dada uma nova oportunidade para não cumpri-las de novo!

Minha amiga Denise Dambros jura de pé junto que os responsáveis pelos fogos de abertura dos Jogos Olímpicos 2016 serão os traficantes do morro.

Ela disse também que a Olímpiada pode ser confusa. Os corredores nunca saberão ao certo se aquilo que acabaram de ouvir foi mesmo o tiro de largada.

Eu já posso até dar meus palpites de quem leva o maior número de ouro pra casa: Os trombadinhas. E os governantes e as empreeiteiras de seus compadres, claro. Já tinha falado disso no começo do texto.

Quando o atleta chegar no podium vai ter um flanelinha guardando seu lugar.

Aposto que os atletas estarão liberados do exame anti-doping, afinal, como proibir que desfrutem da maior fonte de renda da cidade?

As Olimpíadas do Rio será a prova definitiva que o Michael Phelps realmente é o melhor do mundo. Se ele conseguir bater algum recorde nadando com o colete a prova de balas, então ele é o cara.

Isso tudo é piada de mal gosto. Me perdoem. O Rio em 2016 será tranquilo e perfeito. A polícia vai fazer um acordo com os traficantes que será mais ou menos assim: “Deixem a época olímpica em paz e nós deixaremos vocês dominarem o Rio em paz durante um longo período depois”. E o povo comemora. O importante é o final feliz da novela de mentirinha, não importa que serão reféns depois que a cortina do espetáculo fechar.

Meus pais pareciam chatos e duros quando eu era criança. Mas quando eu cresci vi que eles tinham razão. Eles só deixavam eu comer a sobremesa se antes comesse todo o arroz com feijão. Isso me garantiu um crescimento saudável. Eu estaria muito feliz com as Olimpiadas no Brasil se antes disso esse mesmo Brasil tivesse uma justa distribuição de renda, ensino e saúde de qualidade e se a cidade sede dos Jogos Olimpícos não fosse também a cidade sede de tanta familia desfeita por drogas, morte violenta e fonte de hipocrisia e corrupção aliada ao tráfico de drogas. Como eu seria hoje se comesse a sobremesa sem comer antes os legumes? Banguelo, anêmico, obeso, com deficit de vitaminas e achando que posso fazer qualquer coisa quando na verdade não passo de um tremendo idiota. O Brasil devia comer mais arroz e feijão antes de provar a sobremesa.

Quando Lula disse que "não é porque o Brasil tem problemas que não pode sediar uma Olimpiadas" ele enraizou ainda mais no consciente do zé povinho o que move (ou deixa de mover) o brasileiro: A idéia que merecemos as coisas por esmola. “Não somos melhores que Chicago, Madrid e muito menos que Tóquio. Definitivamente não merecemos mais que eles... mas poxa... dá as Olimpiadas de esmolinha ai pelo amor de Deus... somos pobrezinhos... vai...”

Lula chorou quando o Rio ganhou as Olimpiadas. Ele deveria chorar quando visita um hospital público ou anda num onibus nesse mesmo Rio. E não estou dizendo do Rio Zona Sul, cartão postal, lindo, onde quem tem uma certa grana vive feliz e confortável. Estou dizendo dos outros 70% do Rio, esquecidos pelo País porque não são interessantes pra ser cenário de novela (apenas pra ser cenário de filme de chacina policial). O caminho que o turista faz do aeroporto pro hotel não passa por esse Rio que não foi retratado naquele vídeo da campanha. Fernando Meirelles desviou a camera desse Rio, assim ninguém se incomoda. No Rio das Olímpiadas o carioca desse outro Rio que estou falando é tão turista como outra pessoa qualquer.

Mas vamos comemorar! Finalmente o Brasil terá a enorme honra de ter o mundo inteiro olhando só pra ele em 2016 enquanto assiste Estados Unidos, China, Cuba, Alemanha, Reino Unido, França, Itália, Suécia... nos derrotando em nosso próprio solo.

Brasileiro se acha tão feliz e malandro mas no podium dos otários é sempre o recordista.

O progresso acontece quando você perde mais tempo se incomodando com as coisas ruins do que se acomodando com as coisas boas.

Danilo Gentili

dica: Pavablog

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Desabrigados em SP

No mesmo país das Olimpíadas, Copa do Mundo, das igrejas evangélicas que pedem ofertas de R$900 reais prometendo uma vida blindada e próspera... homens, mulheres e crianças perderam o pouco que tinha, vítimas de uma sociedade que prioriza outras coisas que parecem ser mais importante:

Rodrigo Bertolotto
Do UOL Notícias
Em São Paulo
Dois rapazes trocam socos e rolam no meio da lama com cinza do incêndio dominical. Um minuto antes estavam batendo boca. "Eu não quero negociar nada com esses pilantras", disparou um. "Você me chamou do quê?", respondeu o outro, já peitando o vizinho. O pessoal do "deixa disso" se enlameou e sobraram pedaços de pau carbonizados na cabeça de alguns.

CINZAS, LAMA E REVOLTA

  • Moacyr Lopes Jr./Folha Imagem

    Máquina da Prefeitura derrubou as poucas paredes que ficaram em pé e foi alvo de pedradas

  • Moacyr Lopes Jr./Folha Imagem

    Crianças e adultos se concentram em quadra de escola que está abrigando os desalojados

  • Fred Chalub/Folha Imagem

    Policias retiram os moradores que invadiram conjunto habitacional vizinho para protestar

A polícia, montando guarda na frente de um conjunto habitacional em construção, via à distância o quebra-pau entre moradores que perderam tudo com o fogo que tragou 300 barracos e deixou 1.300 pessoas que viviam na favela Nova Jaguaré, zona oeste de São Paulo, desabrigadas no último domingo.

Os nervos ficaram acirrados nesta terça-feira (13). Quando os moradores voltaram ao local e viram um escavadeira derrubar as poucas paredes de alvenaria que ficaram em pé, alguns se revoltaram e jogaram pedras no veículo, abandonado então pelo motorista.

Depois foi a vez de nova tentativa de invasão do conjunto habitacional em construção. A ação foi barrada por um grupo de oito guardas municipais e três policiais militares. Os moradores já tinham, no feriado de segunda-feira, tomado o espaço para reivindicar a inclusão deles em planos habitacionais. Saíram seis horas depois com a promessa de cadastramento.

"Estamos há dois dias vivendo a leite azedo e bolacha, que nos dá a Defesa Civil. E a gente nem pode se inscrever na prefeitura porque nossos documentos também queimaram. Não podemos tirar novos porque temos que ficar aqui para cuidar de nosso espaço", afirma Vandrei Ferreira, operador de telemarketing que já dormiu em um clube vizinho e na casa de uma amiga nessas duas noites após o incêndio.

Negociador com os órgãos públicos, Elias Ferreira dos Santos, líder comunitário da Nova Jaguaré, tentava convencer os favelados a não tentar represálias até segunda-feira (19), dia em que a prefeitura se comprometeu a dar solução para os desabrigados. Diante de um coro de "vamos invadir a marginal", ele tentou acalmar os ânimos: "Nossa luta é por moradia, não adianta enfrentar a polícia."

Uma senhora não se contentou: "Você é um safado, eu vou me endividar no depósito de material, mas construo meu barraco de novo aqui." Elias cochichou para ela: "Na fechada, eu digo para você fazer isso. Nós prometemos que não vamos invadir o CDHU do lado, mas não prometemos que não iríamos reconstruir nossas casas."

Dos desalojados, 150 alegaram não ter um local para morar, e foram levados para o centro desportivo no bairro de Presidente Altino, onde permanecerão por cerca de 30 dias. Muitos se queixam das condições por lá. "O chão e os banheiros são sujos. Hoje, a única alimentação foi um biscoito cream cracker às 14h. Não tem um fogão para a gente cozinhar a cesta básica que recebemos no domingo", reclama o desempregado Luis da Silva.

Apartando briga e negociando com a polícia estava o garçom Joaquim Ribeiro da Silva, 70 anos de vida e 45 anos de Jaguaré. O barraco onde viviam suas duas filhas, um genro e cinco netos foi totalmente carbonizado. "Eles estão morando que nem cachorro, porque meu barraco está em pé, mas não cabe todo mundo. Cachorro vive melhor que a gente", desabafa.

Ele conta que seu neto de 15 anos acabou com queimaduras no braço para salvar um menino. "Minhas filhas não perderam muita coisa porque pobre que falar que tinha muito está mentindo. Foi uma TV, um fogão, um geladeira. Tudo velho. Mas era o cantinho deles", conta Joaquim.
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