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sábado, 8 de agosto de 2009

Alienação

Na zona de conforto das igrejas evangélicas brasileiras:

"Faça sua oferta voluntária de R$ 900,00 e ganhe a Bíblia de Estudo Batalha Espiritual" - Silas Malafaia e Morris Cerullo



Fora da zona tranquila do mundo evangélico:

Aproximadamente 25000 pessoas morrem de fome no mundo...
todos os dias.

Um despejo no Natal

No confortável abastado mundo da F1:

Schumacher reserva sua ida ao espaço
Segundo o site 'Arabian Business', heptacampeão de Fórmula 1 paga cerca de R$ 360 mil para fazer parte da excursão que está programada para 2011

Rubens Barrichello paga mais de R$ 400 mil por viagem ao espaço
Piloto se juntará ao tricampeão mundial Niki Lauda no projeto do patrocinador da Brawn GP que irá organizar turnês extraterrestres

Bem distante desta realidade:

Um despejo no Natal
28 julho 2009

“Foi na véspera de Natal o presente que eles [Prefeitura] me deram. Tiraram tudo que eu tinha de direito e de dignidade, que era meu trabalho, ali eu ganhava o meu pão”

Márcio Zonta,
de São Paulo (SP)



O despejo de Adeniz Sena Dantas e de sua família, no final de 2006, foi apenas mais um episódio da violência contra os moradores de Paraisópolis, na zona sul de São Paulo.
À porta de sua casa, que tinha 90 metros quadrados, bateram assistentes sociais, acompanhada de policiais militares que efeturaram o despejo para que, em seguida, sua residência fosse demolida. Segundo a Prefeitura, a casa estava situada em uma área de risco, pois no local já estavam sendo construídas obras de “revitalização” na comunidade.

Como alternativas à moradora, foram oferecidos um cheque-despejo de cinco mil reais, uma passagem para o Norte do Brasil ou um albergue. O sugerido por assistentes sociais, no entanto, era que Adeniz comprasse um apartamento nos novos prédios que estavam sendo erguidos na comunidade, em prestações que seriam pagas em 15 ou 20 anos.
Em entrevista, a moradora conta as agressões que sofreu no dia do despejo e o descaso de que tem sido vítima.

Em que circunstâncias a senhora foi retirada de sua casa?
Foi na véspera de Natal o presente que eles [Prefeitura] me deram. Tiraram tudo que eu tinha de direito e de dignidade, que era meu trabalho, ali eu ganhava o meu pão. Me deixaram não digo passando necessidade porque o meu esposo faz uns bicos, quando arruma alguma coisa. O que fizeram foi me deixar na rua, simplesmente.

Agora a minha denúncia maior é o fato de que o lote onde eu morava é área particular, não estava assinada pelo juiz para ser tirado aquele dia, o meu e de outra senhora. Eles iam tirar o lote 10, e o nosso era o 11. Eles chegaram às seis e vinte da manhã, com polícia, já tirando tudo. E a oficial de justiça ainda me agrediu, falando que ia me levar presa. Fui agredida porque ela entrou na minha casa e falou que, se eu não me retirasse, ela ia me levar presa. Então falei, “se a senhora tiver direito, porque o direito hoje é meu”. Do meu lote eu não ia sair. Derrubaram, com polícia, no mesmo dia, e botaram tudo que tinha [dentro da casa] do lado de fora.

O pior de tudo é que minha filha, que mora na [rua] Rodolfo Lutz, me deu um lugarzinho para pôr a minha mudança, as minhas coisas, que foram para o caminhão. Mas enquanto me chamaram na cidade, escoltaram o caminhão com a polícia e levaram para um galpão. Aí eu tive que ir lá buscar as coisas de volta, porque eles nem quiseram saber. Eu sei que isso não é de direito porque eu tinha onde colocar as minhas coisas.

Despejaram outras famílias naquele dia, além da sua?
Derrubaram não só a minha [casa], foram de quatro famílias. Uma já estava comigo, um casal com dois filhos porque tinham derrubado a casa deles três meses antes e levaram tudo. Eu cheguei a apanhar até da polícia esse dia porque eu falei que a senhora tinha ido no colégio pegar as crianças e não tinha retornado, então que esperassem um pouquinho. Aí um PM ainda me agrediu por causa disso. Ele pisou a bota no meu pé e falou para eu calar a boca se não me levavam presa. Falei “não, senhor, apenas quero que vocês esperem um pouquinho porque nós temos usucapião na área, temos advogado e não custa vocês esperarem um pouquinho”. Mas eles não respeitaram. Quando ela chegou já estava a porta arrebentada, já não tinha mais casa, e a partir desse dia essa senhora ficou comigo. No dia em que tiraram minha casa não fiquei só eu na rua, ficamos eu e ela, sendo que quebraram tudo que ela tinha, levaram e não sobrou nada. Nós temos boletim de ocorrência da 89ª [delegacia], que fizemos com tudo que aconteceu, mas até hoje nada.

As empresas estão trabalhando aqui dentro? Sim; precisa da área? Sim. Nós não somos contra que tenha o trabalho, que vá concluir as obras. Mas que tenha lugar para a pessoa ter sua dignidade, pagar sua água, sua luz e seus impostos, é o que eles precisam e que é o que nós temos direito de pagar. Não é morar em um locar há 10 ou 15 anos e, de repente, ser tirada, colocada na rua e ninguém querer saber. “Você quer cinco mil? Tudo bem, então um albergue ou uma passagem para o Nordeste. Se não for isso não temos nada mais para vocês”.


Para todas as familias estão sendo oferecidas essas condições?
Tem pessoas para quem eles estão pagando 40, 50, 30 mil reais. Tem acontecido de pessoas, que não tinham nem seis meses no local, terem levado 15 mil [reais], com apenas um cômodo e um banheiro. Eu queria apenas que eles pensassem um pouco e trabalhassem correto. Na realidade eles estão fazendo assim: olharam e gostaram da característica da pessoa, vão fazer algo por ele. Os outros não, é cinco mil e acabou.

A senhora tentou negociar?
Não tem alternativa, eu tentei negociar de todo jeito. Eu só quero a minha moradia, não é dinheiro que me serve. Eu quero uma moradia, não quero ficar na rua, lutei tanto por isso. E hoje me vejo morando embaixo de um teto onde, no mesmo local em que eu durmo, eu cozinho, eu tomo banho. No mesmo cômodo, sem direito a um quarto para dormir. Na minha casa tinha quatro cômodos. Eram 90 metros quadrados o meu lote. E o subprefeito só colocou a gente aqui [no alojamento] porque fizemos um protesto dentro do canteiro de obras da Camargo Correa. Porque eu falei para eles, “só saio daqui para a minha casa, seja ela como for”, porque nos deixaram para ficar na rua.

Como tem sido o atendimento às famílias?
E te jogam de um lado, “fulano vai te atender em tal local”, te dão um endereço, “vai no centro da cidade, rua São Bento, 445, que lá tem um atendimento”. Te levam para lá, simplesmente não querem te dar papel nenhum por escrito, querem que você vá no endereço. Quando você chega lá, a mesma pessoa que estava atendendo e dando ordem aqui [em Paraisópolis], é a mesma que te atende lá. E é a mesma proposta, “você não tem direito a nada, são cinco mil, uma passagem para o nordeste ou um albergue”. E a minha alternativa? Eu estava com quatro famílias, 11 crianças. Viemos negociar, não tinha quem atendesse a gente, como foi combinado. Então entramos e nos alojamos dentro do canteiro de obras da Camargo Correa. Aì chegou o subprefeito [de Campo Limpo] e negociou com a gente, nos colocando aqui. Só que eu tive uma reunião com o subprefeito e ele disse “eu não tinha nenhuma obrigação de colocar vocês lá. Eu pus por bondade”. Agora, será que o Brasil não está vendo isso, o mundo não está vendo isso? Eles precisam construir a obra, é bom, mas dá dignidade para as pessoas, os seus direitos. A gente não está brigando para não sair do local, a gente está brigando por uma moradia. Não é dinheiro, não é cinco mil. Isso não leva a lugar nenhum. A gente apenas quer a moradia, pagando água, luz e o imposto, que é o direito do cidadão. Só isso que a gente quer.

Os profetas

Ricardo Gondim

Os profetas marcaram a história judaica por se oporem ao cerimonialismo religioso sustentado pela lógica sacrificial e pelo peleguismo sacerdotal. Eles forneceram conteúdos éticos à consciência política e ao tecido social. Os profetas encararam o rei para defender viúvas pobres. Amargaram a pobreza para denunciar desvios morais entre o povo.

Os profetas eram moscas que atrapalhavam a sala do perfumista corrupto; suas palavras, martelos que despedaçavam corações de pedra. Seus olhos, faíscas do fogo consumidor da justiça. Se vidas corriam perigo, não temiam descer em fossas fétidas. Não havia dinheiro que os comprasse. Os profetas desmascaravam personagens que ritualizavam a espiritualidade, desdouravam promessas de paz e caminhavam na contramão do sucesso.

Os profetas detectavam os blefes do jogo do poder. De dedo em riste, saiam do palácio para clamar no deserto. Mesmo sabendo que não seriam ouvidos, insistiam em prenunciar os despenhadeiros que a falta de amor abria. Prometiam trevas pela falta de ética e morte pelo egoismo. Desprezados em vida, precisaram esperar que o futuro lhes desse razão. Mas mesmo assim perseveram sob ameaça de assassinato e ostracismo.

Os profetas sentiram as dores divinas. Percebendo que a história descambava, se colocavam na brecha. Vendo que os acontecimentos fugiam do controle divino, vociferavam maldições. Os profetas sofriam, indignados com a banalização da vida e com a morte desnecessária de inocentes. Mais que porta-vozes do além, encarnavam o coração paterno de Deus.

Os profetas foram sentinelas nas muralhas que protegiam as cidades, bússulas na incipiente ética primitiva, faróis da esperança futura. Israel deve a eles sua permanência histórica mesmo tendo sido considerado uma Sodoma e se mostrado mais vil que os povos inumanos que o rodeavam. O judeu só não desapareceu como esterco da história devido a Isaías, Ezequiel, Oséias e outros.

Os profetas continuam necessários. Sem eles, as pedras clamam, Deus não fala, o futuro inexiste, toda a perspectiva se esgarça e o inferno se viabiliza. Nunca se precisou tanto deles, principalmente, agora, nesse protestantismo cooptado pelo mercado e instrumentalizado pela ganância.

Soli Deo Gloria

Leia (+)
Que a dor do mundo doa em nós

Professores de Ética

É TAUTOLÓGICO falar em falta de ética no Congresso Nacional. Os escândalos se sucedem, do deputado que está "se lixando" para a opinião pública aos funcionários do Senado que, a exemplo de notórios senadores, ostentam um padrão de vida muito superior a seus vencimentos e à renda declarada.

Felizmente, há exceções. Lástima que a indignação e o protesto de congressistas íntegros tenham pouca ressonância nas ruas. Em geral, noticiam-se a farra de passagens aéreas, os castelos mirabolantes, as mansões paradisíacas. Poucos tomam conhecimento da coerência de congressistas incorruptíveis. A corrupção decorre da falta de caráter. Esta se manifesta, de modo especial, quando a pessoa se vê investida de uma função de poder, do prefeito que se apropria dos recursos da merenda escolar a congressistas que se julgam no direito de pagar, com dinheiro público, o salário de sua empregada doméstica.

Como dar um basta em tanta maracutaia? Difícil. O ser humano padece de duas limitações insuperáveis: defeito de fabricação e prazo de validade. É o que a Bíblia chama de "pecado original". Sempre haverá homens e mulheres desprovidos de caráter, de princípios éticos, dispostos a não perder a primeira oportunidade de enriquecimento ilícito. A solução é criar, via profunda reforma política, instituições que inibam os corruptos e mecanismos de controle popular. Em suma, tornar a nossa democracia, meramente delegativa, mais representativa e, sobretudo, participativa.

Enquanto isso não acontece, sugiro que convidem, para ministrar um curso de ética no Congresso Nacional, Suas Excelências José Gomes da Costa, Rodrigo Botelho, Francisco Basílio Cavalcanti, Clélia Machado, Sebastião Breta e Fagner Tamborim.

José Gomes da Costa é gari da Prefeitura de São Paulo. Ganha R$ 600 por mês. Vinte e seis vezes menos que um deputado federal. Com esse salário, sustenta a si e três filhos. Dia 18 de maio último, ao varrer a rua, encontrou um cheque no valor de R$ 2.514,95. José precisaria trabalhar quatro meses, sem nenhuma despesa, para acumular essa quantia. Procurou uma agência do banco e devolveu o cheque. Motivo: vergonha na cara.

Gari, Rodrigo Botelho encontrou, em 26 de maio do ano passado, durante campeonato mundial de tênis de mesa, no Rio, mochila com R$ 3 mil em dinheiro. Viu o nome do dono nos documentos, chamou-o pelo microfone e devolveu. Rodrigo é normal, tem caráter.

Francisco Basílio Cavalcante, faxineiro do aeroporto de Brasília, pai de cinco filhos, ganha salário mínimo. No dia 10 de março de 2004, encontrou uma bolsa de couro no banheiro do aeroporto. Dentro, US$ 10 mil. Se fosse juntar o salário que ganhava, sem gastar um só centavo, levaria (à época) mais de sete anos para obter igual soma. Francisco declarou: "Tem que ser assim. O que não é nosso precisa ser devolvido. Não pode trazer felicidade".

Clélia Machado, 29, é auxiliar de serviços gerais e faz bico como manicure. Sozinha, cria duas filhas, uma de sete anos, outra de nove. Sua renda mensal não chega a R$ 550. Todos os dias ela faz a faxina do banheiro do posto da Polícia Rodoviária Federal em Seberi (RS). A 11 de março de 2008, encontrou, junto à privada, um pé de meia enrolado em papel higiênico. Dentro, US$ 6.715. Clélia entregou os dólares aos policiais. Entrevistada, disse: "Bem que podia ser meu de verdade. Mas já que não me pertencia, devolvi. Era o certo a fazer".

O gari Sebastião Breta, 43, da Prefeitura de Cariacica (ES), devolveu os R$ 12.366 mil que achou num malote no lixo. O nome do homem que fora roubado estava gravado numa etiqueta. Sebastião ganha salário mínimo. Indagado se pensou em ficar com o dinheiro, disse: "Nunca. Desde a primeira vez que vi, sabia que devia devolver. Quando não consigo pagar as minhas contas, fico doido, pensava o tempo todo como estaria o dono do dinheiro, imaginava que ele também não podia pagar suas contas porque tinha perdido tudo. Eu e minha mulher não conseguiríamos dormir à noite. Acho esquisito pegar o que não é da gente".

Fagner Tamborim, 17 anos, entregador de jornais na cidade de Pirajuí, a 398 km de São Paulo, ganha R$ 90 por mês. Enquanto pedalava sua bicicleta, encontrou na rua um malote com R$ 6 mil. Devolveu-o ao dono. "Vi que tinha muito dinheiro e cheques. Levei pra minha mãe, que ligou para o banco."

O melhor do Brasil é o brasileiro, não necessariamente nossos congressistas.

Frei Betto, na Folha de S.Paulo.

Via
Pavablog

Fora da Zona de Conforto! [08/08/09]

Espanha doará à Etiópia U$ 7 milhões para nutrição infantil
A ONU calcula que 6,2 milhões de etíopes poderiam precisar de ajuda alimentícia de emergência neste ano devido à escassez de chuvas em algumas regiões do empobrecido país.

Deslizamento de terra deixa 29 mortos no norte da Índia
Ao menos 29 pessoas morreram neste sábado (8) e 50 permanecem desaparecidas por causa de um deslizamento de terras causado pelas fortes chuvas de monção no estado de Uttarakhand, norte da Índia, informou uma fonte oficial.

Conflito mata 17 em porto pirata na Somália
Lutas armadas entre milícias de clãs mataram pelo menos 17 pessoas e feriram 30 no sábado em uma fortaleza pirata na costa da Somália, disseram testemunhas.

Bento XVI - A pobreza é um escândalo na Argentina
O papa Bento XVI pediu aos argentinos um “esforço solidário” para reduzir o “escândalo” da pobreza e da iniquidade social no país.

Durante a campanha presidencial de 2008, Barack Obama destacou-se nas questões econômicas vinculadas à mudança climática, tendo falado de forma bem mais ponderada sobre o assunto do que a maioria dos seus rivais.


Um ano depois do confronto entre as forças georgianas e russas no sul do Cáucaso, a maioria das dezenas de milhares de pessoas que teve que deixar suas casas voltou. Pascale Meige Wagner é a chefe de operações do CICV para o Leste Europeu e Ásia Central e explica como o combate do verão de 2008 continua tendo um grande impacto sobre as pessoas dessa região.

Hospital Jumury recebeu mais de cem pessoas feridas e espera que mais feridos procurem a unidade nas próximas horas.

Seria um Absurdo?

Seria um absurdo a população mundial pedir para que cancelem a Copa de 2010 na África e pedirem aos organizadores dela para que troquem os estádios por remédios para os doentes e alimento para os subnutridos da Africa Subssariana?

Seria um absurdo os organizadores da Copa de 2014 falarem que não vão mais gastar 10 bilhões na construção de estádios no Brasil e justificarem que vão investir todo este dinheiro para erguer alguns hospitais no nordeste e melhorar as escolas nas periferias das cidades?

Seria um absurdo a Rede Globo dizer que não vai mais passar Big Brother Brasil e durante o horário que seria exibido este programa, seria mostrado o trabalho dos Médicos Sem Fronteiras, trabalhos sociais nas favelas, e que os milhões que eram arrecadados nas ligações para o programa BBB ainda continuaria grande, e os patrocinadores deste programa iriam pagar pra ver seus produtos durante este horário?

Seria um absurdo o Real Madrid abrir mão de contratar o Kaká e o Cristiano Ronaldo, e em nota, dizer que este dinheiro vai ser aplicado para solucionar os problemas de alguns dos 50 milhões de órfãos da África?

Seria um absurdo que a mídia pop dissesse que desistiram de ficar falando sobre a vida das estrelas e que agora iriam contar as histórias das familias que vivem nas favelas, na seca do nordeste e que mendigam nos faróis?

Seria um absurdo a população se desinteressar em gastar absurdos com FastFood e se conscientizar de que estão matando a si mesmos e aos outros, e preferirem comprar alimentos saudáveis e, na medida necessária, diminuir o consumo exessivo e se puderem ainda compartilhar com outros?

Seria um absurdo os Governos Mundiais falarem que o único foco agora era investir bilhões em escolas, hospitais, saneamento e habitação para os carentes, e que a população rica abriria mão de diversas mordomias para que isto acontecesse?

Seria um absurdo as empresas que fabricam armas disserem que vão a partir de agora investir em fabricar remédios contra doenças tropicais com custos acessíveis, brinquedos, roupas e livros para as crianças?

É, seria mesmo um absurdo.

Mas agora, vá até a janela de sua residência.
Você consegue ver algum mendigo?
Vá lá e compartilhe sua vida com ele.

Isto não é um absurdo.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Níveis Alarmantes de Surto de Menigite

Dentro da Zona de Conforto continua tudo bem:

No site oficial do clube, a entrada mais cara custa 320 dólares canadenses, cerca de R$ 544.
Tem de 240.000 até R$ 1.130.000,00.
Segundo a publicação, casas parecidas podem ser alugadas na região por preços que variam de US$ 35 mil a US$ 50 mil por semana. (...) O "The Vineyard Gazette", jornal local da ilha, noticiou recentemente que a casa escolhida pela família presidencial é um mansão avaliada em US$ 20 milhões e que ocupa uma área de 11,34 hectares --a informação não foi confirmada pela Casa Branca.



... mas fora dela:


R$ 36,00 = Seringas para vacinar 130 pessoas.
R$ 43,00 = 2 crianças gravemente desnutridas recebem alimento terapêutico (plumpy nut) por uma semana.
R$ 58,00 = 30 crianças são vacinadas contra meningite.
R$ 75,00 = 700 crianças recebem Vitamina A (previne a cegueira).
R$ 100,00 = Caixa térmica para manter 1.000 vacinas refrigeradas.
R$ 178,00 = Tratamento com antibióticos contra meningite epidêmica para 10 pessoas.
R$ 420,00 = 1.000 crianças são vacinadas contra sarampo.
R$ 2.524,00 = Kit para uma operação de vacinação para 1.000 pessoas.



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Gratidão de Joelhos

“Caríssimas mamãe, namorada e João, meus grandes parceiros de mochilagem desta fantástica trip, e querida irmãzinha, depois de mais de uma semana mergulhado de cabeça no coração da África, encontrei este cyber café aqui em Jinja, interior de Uganda e em frente à foz do rio Nilo...e vos escrevo pra dizer que estou maravilhosamente bem...

Meus dias aqui na África estão sendo absolutamente fantásticos ! ! ! ... depois de passar uns dias na casa de um refugiado congolês nos subúrbios pobres de Nairóbi, fui parar nem sei direito como na remota tribo dos massais no kenya, onde passei dias correndo atrás de girafas, zebras e antílopes, com lanças e espadas e vivendo a vida tribal dos caras, dormindo em ocas, etc...e entre outras aventuras pelo kenya, terminei em grande estilo, fazendo um safári de bike com um amigo meu massai num parque nacional lindíssimo...

Tô muito roots, andando há uma semana enrolado em cangas coloridas e carregando um cajado e uma espada de aço...e só sei que desde que cheguei na África, não vi NENHUM muzumgo (white man) além de mim...

Ah, e hoje no meio de tudo coloquei uma criança na escola... É uma longa estória, mas, resumidamente, depois de passar o dia passeando por um vilarejo aqui de Uganda com um menino que, entre outras coisas me apresentou a sua família paupérrima, e de por acaso visitar uma escola publica e falar com o diretor, acabei que paguei pela matriculas, mensalidades e todas as despesas do menino ate o fim do ano, e me comprometi a, se ele me mandar o boletim dele, continuar pagando pelos próximos anos...

O melhor de tudo é que aqui na África to conseguindo por em prática a viagem que sempre idealizei... hoje ficarei em hostel pela segunda vez desde que pisei no continente, todos os outros dias dormi e comi na casa de locais, gastando uns 2-3 dólares por dia, o que me permitiu a cada dia distribuir meu daily budget entre as pessoas que me hospedaram, alimentaram, etc...

Tô muito feliz com isso, de conseguir estar vivendo grandes aventuras e realizando uma viagem de profunda imersão no continente africano, absolutamente não turística, e de forma totalmente sustentável, transferindo 80% dos meus gastos pra africanos pobres... e aqui com quase nada vc faz uma substancial diferença na vida das pessoas...

Esse amigo meu congolês, por exemplo, com 12 dólares paguei o aluguel mensal da casa da família dele, esse menino com 40 dólares garanti um ano escolar pra ele numa escola super legal, hoje dei 2 dólares pra uma mulher que me convidou pra conhecer a casa dela e ela se ajoelhou e quase chorou...

Podia escrever horas sobre essa minha primeira semana aqui na áfrica, tô realmente muito contente por tudo aqui estar superando minhas melhores expectativas..."

trecho de e-mail que Gabriel Buchman enviou para a mãe no dia 1 de junho. o corpo dele foi encontrado na tarde de quarta-feira (5). Leia + no blog Ajude Gabriel Buchmann.

Dica: Pavablog

A única família resistindo no espaço das obras

Dentro da trânquila água do aquário:

Ele explicou que fomos escolhidos por Deus e que não seguimos os padrões do mundo, mas que o Senhor nos coloca nos padrões do Espírito Santo e que, sobre nossas cabeças, cairá a Unção de Rei. - Igospel

Nesses últimos dias, o Espírito Santo está levantando o Seu exército sobre a face da terra, equipando-os com revelações apostólicas e proféticas de batalha espiritual, a fim de que seja um exército eficaz no combate contra as fortalezas espirituais que oprimem as nações da terra. Venha ser treinado, ativado e receba as armas poderosas em Deus para a destruição de fortalezas! - Ap. Fernando Guillen - Lagoinha.com

Ser um gideão é ser um campeão da fé. Silas Malafaia

Somos [sic] entre os quinhentos homens mais bem-sucedidos do Brasil que possuem um jato. A visão desatou novos líderes e milionários. Pastores e líderes que possuem casa, patrimônio, empresas e templos (como Igreja) acima de milhões, o que fez ministérios e líderes milionários. Sabe por quê? Deixamos de ser tímidos, saímos dos decretos de morte e entramos no decreto de vida. Por isso, estamos ousando conquistar no sobrenatural. Apóstolo Terra Nova - Lider do G12"


Fora destas tranquílas águas:

A única família resistindo no espaço das obras

Eu falei que eu não ia sair, porque não tenho para onde ir. Aí ela falou “a senhora é quem sabe, qualquer hora dessas nós vamos ter que tirar a senhora daqui, de qualquer jeito nós temos que tirar”

Márcio Zonta,
de São Paulo (SP)

A casa de Alice Vieira Santos da Silva, em Paraisópolis, na zona sul de São Paulo, é a única que ainda resiste no espaço onde estão sendo construídas as obras de urbanização tocadas pela Prefeitura da capital na comunidade.

Junto com o marido e 12 filhos, Alice convive diariamente com o barulho dos caminhões e das obras da Fatec, erguida exatamente ao lado de sua residência.

Na entrevista a seguir, a moradora relata as pressões que tem sofrido para sair do local e o drama de ser despejada a qualquer momento.

A Prefeitura alega que sua casa está em uma área de risco, por causa de obras no entorno. Que alternativas foram oferecidas para sua família deixar o local?
Eles querem me tirar com cheque-despejo de cinco mil reais, e com cinco mil reais eu acho que não dá para comprar nenhuma outra casa. Estou aqui porque não tenho para onde ir. Já vieram falar para mim que, se eu não quiser os cinco mil reais, eles vêm me tirar daqui, que se eu quisesse ou não qualquer hora eles poderiam me tirar daqui. Eles me dariam cinco mil reais ou me levariam para um albergue. Também fui falar que não queria ir para o albergue e eles me ofereceram 150 reais de passagem para eu ir para minha terra, mas não dá para ir com 150 reais.

Há quanto tempo a senhora vive nessa casa?
Eu estou aqui desde 2004, eu vim do Paraná tentar mudar de vida, porque lá eu trabalhava na roça, era ruim de serviço. Aí eu vim tentar mudar de vida, arrumar serviço melhor, deixar a roça…

Por que a senhora escolheu Paraisópolis?
Porque aqui eu achei que tinha bastante emprego, porque aqui é uma comunidade com bastante meios. Achei que ia arrumar serviço aqui por perto ou ali no Morumbi. Mas só foi um engano.


O que a senhora vai fazer se derrubarem sua casa?
Ah, eu fico desesperada porque eu não tenho para onde ir. Eu tive um emprego aqui, mas esse pessoal do canteiro de obras, marcando reunião e reunião… A patroa me mandou embora porque eu faltei [ao trabalho] para ir na reunião. Ela falou para mim, “eu vou te mandar embora, na hora em que você resolver os seus problemas e as suas reuniões você arruma um serviço porque não dá para ficar faltando assim”. Eu trabalhava ali no Morumbi, perto do estádio, eu era cozinheira residencial, em casa de família.


Quem está pressionando para que a senhora deixe sua casa?
As assistentes sociais são da Prefeitura, da Absul e da Prefeitura. Elas chegam aqui, a Lúcia e a Gabriela, e perguntam: “a senhora já arrumou casa, dona Alice”? E eu falo que não, que não tenho para onde ir. Aí elas falam que se eu ficar resistindo, vão vir aqui me tirar, vão vir com mandato para tirar e com reforço, viatura. Falaram que, se eu resistir aqui, não vai ter outro jeito. A própria assistente social, a Gabriela, já falou para mim, a Lúcia e a Roberta também. Eu vivo com medo aqui, de qualquer hora eles aparecerem. Esses dias a Gabriela parou aqui com três caminhões, eu perguntei para que era e ela disse que era para tirar minhas coisas de dentro do barraco. Eu falei que eu não ia sair, porque não tenho para onde ir. Aí ela falou “a senhora é quem sabe, qualquer hora dessas nós vamos ter que tirar a senhora daqui, de qualquer jeito nós temos que tirar”. Eu perguntei para onde eu iria com cinco mil, e ela respondeu “a senhora se vira”. Eu não tenho para onde ir, se eu tivesse outras rendas, se eu tivesse dinheiro guardado para comprar outra casa, eu sairia, mas eu não tenho. E eu estou dentro de uma moradia, com meus filhos. Por causa deles, de tanta reunião, eu perdi o meu emprego, meu marido perdeu o emprego também por causa disso, ele está fazendo bico por aí, mas não está dando nem para sobreviver.

O que eles argumentam?
Eles vão construir uma Fatec e falam que nós estamos atrapalhando. Se eles me derem outra moradia eu saio daqui. Já tiraram as caçambas de lixo daqui, eu estou amontoando o lixo ali [perto de casa]. Eles quebram os canos, aquele esgoto ali está cheio de água suja, porque eles quebraram tudo.

Fora da Zona de Conforto! [07/08/09]

Criança afegã observa veículos militares nos arredores de Spin Boldak. Milhares de soldados norte-americanos estão chegando ao Afeganistão para ajudar no combate ao Taleban
O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) vai cobrar de países-membros e grupos sociais medidas de combate ao recrutamento, assassinato e violação sexual de crianças durante conflitos armados.
Árvores são novos alvos de demolição em bairros de Luanda
Depois da demolição de centenas de casas nos bairros Iraque e Bagdá nos arredores de Luanda, as autoridades derrubaram, nesta sexta-feira, os cajueiros, em uma área onde ainda circulam antigos habitantes sem abrigo e sem destino.
Em debate no Conselho de Segurança, ele disse que grupos armados continuam agindo num clima de total impunidade e lembrou que a ONU tem uma política de tolerância zero para o assunto

Unesco pede preservação de mais de 5 mil línguas indígenas
Apelo feito para marcar o Dia Internacional dos Povos Indígenas neste 9 de agosto; aldeias concentram 75% de todos os idiomas do mundo.


ONU diz que eleições no Afeganistão ocultam crise humanitária
O funcionário lembrou que há 235 mil deslocados internos no Afeganistão e 2,6 milhões de refugiados em outros países da região.

Colombia combate trabalho infantil em minas de esmeralda
Ação em parceria com a Organização Internacional para Migrações, OIM, e o governo dos EUA quer eliminar prática de mais de duas décadas

Tribo indonésia pede US$ 30 bi em indenização a mineira americana
Uma tribo da província de Papua, na Indonésia, processou a mineira americana Freeport e exigiu uma indenização de US$ 30 bilhões por explorar suas terras, informa hoje o jornal "Jakarta Globe".

ONU pede que países promovam amamentação de bebês
De acordo com OMS, apenas 38% das crianças até seis meses são alimentadas exclusivamente com leite materno.

Dois funcionários de MSF desaparecem no Chade
Colegas não foram mais vistos depois que casa da organização foi roubada na noite do dia 4 de agosto

Iraque: MSF atende vítimas de ataque a bomba em Mosul
Hospital Jumury recebeu mais de cem pessoas feridas e espera que mais feridos procurem a unidade nas próximas horas

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Quando Vi os Olhos de Jesus


Olhos que me dizem que não sou digno
Porque o corpo destes olhos não conhece a dignidade

Olhos famintos
Famintos por justiça

Passos que anseiam caminho
Caminho dos humanos

Olhos que me cobram
Cobram daquilo que não posso pagar
Dívidas sem perdão
Qual perdão pagará olhos em choro?
Qual comida pagará olhos famintos?
Qual amor pagará olhos que não viram a sua mãe?

Que luz removerá nossas cegueiras?
Qual vida pagará a morte?

Olhos de uma terra paralela
Paralela ao ódio, ao desumano
Humanidade que se esconde atrás destes olhos
Onde outros olhos nunca a verá
Encoberta pela própria indignidade

Indignidade que protege a dignidade
Para que os olhos do mal nunca possa admirar a dignidade
Indignidade esta que torna justo a nossa separação
A indiferença não pode andar junto das suas vitimas
Para que os seus inimigos não a vejam nem a sintam

Surpresa terrível será quando vermos que deles sempre fora o Reino
Porque seremos os últimos a entrar

Entrar? Céu? Porque nos preocupamos com lá?
Se nem sabemos viver aqui na terra
Ora, pra quer ir pra luz se os olhos não vêem
Então é melhor continuar na escuridão
Luz nos descobre nos deixando nu
Luz mostra o que não queremos ver
Ver-nos nos levará ao suicídio.

Oh Eu desconhecido!
Sabia que você não se conhece porque não conhece o teu próximo?
Sabe quem somos?
Somos o que o nosso outro reflete
Se não há eu sem o outro,
E o outro não vive em dignidade, então não há eu.
Enquanto o próximo estiver morto o eu também estará.

Egoísta! Não há lugar para você
Sua inexistência é fruto daquilo que
Você tirou da existência do outro

A humanidade deles não se é visível por nossos olhos.
Os olhos que os vê são desumanos,
Porque o desumano só vê o desumano
Mas o humano vê o humano

Por isto não se é falado entre os desumanos sobre o humano
Pois onde deveriam estar os humanos?

Olhos sem esperança
Sem a esperança de um novo futuro
Futuro este que pertence a eles
Mas roubamos o futuro deles na forma do nosso presente
O nosso presente é roubado deles

Melhor seria se nosso futuro fosse roubado
Para que o presente deles seja o nosso futuro
Nosso futuro está morto enquanto o presente deles estiver morto

O que é isto? Estou desesperado!
Parece que minhas letras pronunciam revoltas.
Me perdoem,
Hoje meus olhos viram os olhos de Jesus,
Viram Jesus num corpo manchado pela injustiça

Estes olhos me levaram a escrever algo
Mas não sei o quê
Tudo antes escrito neste poema é fruto destes olhos
Mas parece não ter sentido
Mas pra quê cobrar sentido?
Quando ele já foi perdido

Pai, mudarei minha fala para contigo
Não conseguirei dizer de nenhuma outra forma mais
Eu Te amo
Não há dignidade em frases vazia, sem atos
A fé sem obras é morta?
Digo também
O Amor sem atos está morto

Quero dar vida ao meu Eu te amo, Pai
Espero virar abraço as crianças órfãs
Espero virar beijos aos sem carinho
Espero virar comida para os famintos
Espero virar perna para os paralíticos

Quando ajudar um humano a recuperar sua dignidade,
Então Deus, receba isto a ti como um
Eu te Amo

Consegui ver letras para os olhos que vi
Vou escrevê-la não com o alfabeto
Mas escrevê-la com as lágrimas e atos

Jesus! Não!
Porque ainda hoje estou apenas usando o lápis?

Suênio Alves

África tem pelo menos 50 milhões de órfãos

Dentro da nossa zona de conforto:

"Os bancos de investimento voltaram a apresentar lucros substanciais, graças em parte à ajuda governamental. Ironicamente, eles estão se beneficiando da crise que ajudaram a criar. E, à medida que os lucros crescem, os salários também sobem - só que desta vez quem está arcando com os riscos é o contribuinte."
"Endividado, Gilberto não via solução para os seus problemas. O salário que recebia dava apenas para comprar o remédio da filha. Hoje, após conhecer o Senhor Jesus, tem duas empresas e uma vida totalmente transformada."
A Bíblia de Estudo Batalha Espiritual e Vitória Financeira foi projetada para levá-lo a uma nova posição de poder e vitória em todas as áreas da sua vida, embora o foco esteja em duas áreas: a batalha espiritual e a vitória financeira.

Fora da nossa zona de conforto:

Os quádruplos Theo, Willy, Stella e Idda no orfanato de Berega, na Tanzânia (Foto: Beatrice de Gea/The New York Times)

O Orfanato Berega, um conjunto de cabanas de taipa nesta vila de estradas vermelhas e empoeiradas, rodeadas por plantações de milho, não é o que o nome sugere. As vinte crianças e bebês daqui não são colocados para adoção, nem mantidos para sempre sem esperança de algum dia viver com uma família.

A maioria de suas mães morreu durante o parto ou logo depois – algo que, em países pobres, põe os recém-nascidos em grande risco de morrer também. As crianças estão aqui apenas temporariamente, para ter um novo começo na vida, a fim de poderem retornar às suas vilas e famílias quando completarem dois ou três anos de idade, passados os dias frágeis de recém-nascidos e grandes o suficiente para digerir leite de vaca e comer alimentos normais.

Num programa inovador, projetado para atender às necessidades emocionais e físicas das crianças, muitas delas têm adolescentes da família morando com elas no orfanato.

A África tem pelo menos 50 milhões de órfãos, uma herança da Aids e outras doenças, guerras e altos índices de mortalidade durante a gravidez e no parto. Com números crescentes a cada dia, os africanos estão lutando para cuidar dos pequenos, geralmente de formas que diferem acentuadamente do conceito tradicional de orfanato no mundo desenvolvido.

Programas como o de Berega são "o caminho certo" na África, disse Dr. Peter Ngatia, diretor de desenvolvimento de potencial da African Medical and Research Foundation (AMREF), um grupo sem fins lucrativos baseado em Nairóbi, no Quênia.

Ele afirmou que programas similares para órfãos da Aids deram bons resultados em Uganda, cuidando de crianças até cinco anos de idade e as depois as enviando de volta para suas famílias ou voluntários da comunidade.

"Em países mais pobres, as pessoas estão sendo bem criativas", disse Kathryn Whetten, especialista em assistência a órfãos da Duke University, na Carolina do Norte. Ela não viu o orfanato em Berega, nem encontrou outro como esse. Porém, isso não a surpreendeu. Pouco se sabe sobre a assistência aos órfãos na África, disse ela, pois não foram realizadas pesquisas suficientes. Numa recente viagem a Moshi, uma cidade da Tanzânia de aproximadamente 150 mil habitantes, oficiais locais sabiam de três orfanatos. Ela e seus colegas encontraram 25 instituições ali, a maioria abrigando entre 10 e 25 crianças, cada.

O orfanato Berega é desse tamanho. Uma tentativa pequena, aparentemente de sucesso, de lidar com as consequências de mais de 250 mil mortes de mulheres a cada ano, na gravidez ou durante o parto, no continente africano.

As gestantes morrem de hemorragia, infecção, pressão alta, trabalho de parto prolongado e abortos mal-sucedidos – problemas facilmente tratados ou prevenidos através de uma assistência obstetrícia básica. No entanto, na Tanzânia, que não tem nem o pior nem o melhor serviço médico da África, mas uma assistência médica similar a muitos países pobres, tudo falta: médicos, enfermeiros, remédios, equipamentos, ambulâncias e ruas pavimentadas. Quando muitas mulheres chegam ao hospital daqui, com capacidade para 120 leitos, já é tarde demais para salvá-las.

Seus bebês podem ser salvos, mas a sobrevivência deles é incerta. Muitas vezes, o pai, ou outro parente, não consegue cuidar dos recém-nascidos. Sem leite materno, os bebês daqui estão em sérios apuros. Leite industrializado e comidas de bebê não estão amplamente disponíveis, e o leite de vaca não é um bom substituto. A desnutrição e as infecções são ameaças constantes. Um orfanato pode suprir as necessidades básicas. Entretanto, para sobreviver, os bebês precisam de uma assistência dedicada, e suas famílias podem viver em vilas distantes.
Rotina no orfanato

O orfanato daqui, iniciado em 1965 pela United German Mission Aid, uma missão evangélica cristã, começou a recrutar parentes para se mudarem para o local, há cerca de cinco anos. Ute Klatt, missionária alemã e enfermeira que dirige o orfanato há dez anos, disse ter aprendido sobre a prática com outro orfanato na Tanzânia. Agora, muitas das crianças da instituição recebem cuidados de uma adolescente da família (chamadas "bintis"), geralmente uma irmã, prima ou tia, que mora com elas e aprende como cuidar dos pequenos.

As bintis começam a amar as crianças, e passam a cuidar delas depois de deixarem o orfanato, disse Klatt. Além disso, as jovens, algumas das quais nunca foram à escola, recebem alguma educação. Klatt oferece livros do primário, disse ela, e as jovens estudam e ensinam umas às outras à noite. Muitas chegam analfabetas e saem sabendo ler. Ela também lhes ensina o básico sobre saúde. Ademais da leitura, as bintis aprendem costura e batik, além de dividirem a tarefa de cozinhar, numa cozinha externa.

"Antes desse sistema, as famílias não vinham visitar os órfãos, e era difícil reintegrar as crianças", disse Klatt. "Havia distúrbios de ligação emocional".

Com as bintis, disse Klatt, a vida se torna menos institucional e as crianças crescem mais normalmente, como ocorreria em casa.

Ute Klatt consola garoto no orfanato (Foto: Beatrice de Gea/The New York Times)


Numa recente visita a Berega, as crianças pareciam florescer. Vestidas com shorts, camisetas e sandálias, elas se monstravam alimentadas e explodiam de energia, enquanto corriam no pátio e competiam pela atenção de Klatt, a quem chamavam de Mama Ute. Inicialmente tímidas com visitantes, logo elas competem por colos para sentar e mãos para pegar.

Klatt disse que os bebês recebem substitutos de leite industrializado, e as crianças mais velhas comem alimentos cultivados ali perto: banana, manga, cereal de milho, galinha, bode, tomate, folhas e outros vegetais. Eles frequentam a escola básica numa igreja próxima.

Numa tarde no pátio, dez bintis se juntaram às crianças, e timidamente disseram o que aconteceu com suas famílias. Eles falavam em Swahili enquanto Klatt traduzia.

Uma jovem, Lea, cuidava de seu primo Simoni, de dois anos de idade, cuja mãe deu à luz gêmeos e morreu no ônibus a caminho do hospital. Ela estava em trabalho de parto "havia alguns dias", disse Lea, e não sabia que estava esperando gêmeos. Era sua primeira gravidez. O irmão gêmeo de Simoni morreu alguns dias depois do nascimento.

Outra binti, chamada Happy, cuidava de seus primos gêmeos, Jacobo e Johanna, cuja mãe, Paulina, morreu depois de dar à luz em casa. Antes disso, dois dos outros filhos de Paulina tinham morrido, um aos cinco meses, e outro aos nove meses. Outras pessoas contavam histórias similares, de mães morrendo em casa ou em carros a caminho do hospital.

Klatt disse que era seu sonho de infância trabalhar como missionária na África, apesar de nunca ter imaginado administrar um orfanato. Ela confessou que uma de suas maiores recompensas é quando crianças mais velhas, que certa vez estiveram sob seus cuidados, viajam para visitá-la – e estão visivelmente saudáveis e felizes, morando com suas famílias em suas vilas.

Que a dor do mundo doa em nós

Abra o link abaixo e "perca" 6 minutos do seu tempo. A dor do mundo precisa alcançar a alma de uma geração ensimesmada.

http://www.cultureunplugged.com/play/1081/Chicken-a-la-Carte

Ricardo Gondim

Leia (+)
A Chuva do Piaui
Repensando a Fé

Doeu.
Só sentir esta dor... é desesperador.
Às crianças que chegaram ao mundo nesta geração: perdoe-nos. Não conseguimos preparar a casa para vocês.
Se é que tentamos.

Fora da Zona de Conforto! [06/08/09]

Aumento do estupro de homens é a mais recente atrocidade no conflito no Congo
Segundo a Oxfam, a Human Right Watch, representantes da ONU e várias organizações de ajuda humanitária congolesas, o número de homens que foram estuprados está crescendo rapidamente nos últimos meses, uma consequência das operações militares conjuntas de Congo e Ruanda contra os rebeldes, que promoveram um nível chocante de violência contra os civis.

Perdido em um abismo de drogas, e emaranhado na pobreza - Argentina
Após 15 meses em uma clínica de recuperação, lutando contra o seu vício em paco, a droga altamente viciante que acabou com milhares de vidas neste país, Eche retornou a Ciudad Oculta, um bairro pobre na periferia desta cidade.



SOS para Aung San Suu Kyi
Ela manteve-se firme durante vinte anos, mas dessa vez tememos o pior: uma sentença que poderá calá-la para sempre.
Os assassinatos de índios por grupos armados foram multiplicados por dois no primeiro semestre deste ano" em relação ao mesmo período do ano passado, afirmou o órgão da ONU.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Fora da Zona de Conforto! [05/08/09]


Bebês de Tanzânia recebem ajuda para viver após a morte da mãe
África tem pelo menos 50 milhões de órfãos. Orfanatos abrigam crianças por tempo determinado.





Assassinatos do tráfico assombram crianças no México
Tragédias traumatizam as pequenas testemunhas. Exposição à violência pode atrapalhar aprendizado e futuro.




Entidade alerta para risco de massacre em campo de refugiados
risco de um segundo massacre no campo de refugiados iranianos de Ashraf caso o local continue sob a proteção iraquiana.

China admite que 80% dos mortos em protestos étnicos eram inocentes
"Dos 154 mortos, 134 eram chineses han, 11 hui, 10 uigures e um da etnia man", explicou um porta-voz do Governo de Xinjiang.

Jovens buscam na ONU soluções para a pobreza e a fome
O objetivo deste tipo de encontro, organizado pela fundação americana Friendship Ambassadors é incentivar a participação dos jovens, particularmente dos países em desenvolvimento, em ações que ajudem a alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM).

Sistema de apadrinhamento transforma a realidade de crianças e adolescentes - Fortaleza
Oportunizar um futuro melhor e mais digno para crianças e adolescente em situação de risco social. É este o objetivo principal do Fundo Cristão para Crianças - CCF. Assim, em um cenário de luta e esperança nasceu o sistema de apadrinhamento.


Sul do Sudão: 25 chicotadas como café da manhã
Ofensiva dos exércitos de Uganda e RDC contra Exército da Resistência do Senhor provocam violentas retaliações contra civis

Paraisópolis x Morumbi


Bairros cresceram juntos, um fornece mão-de-obra, o outro opressão

Márcio Zonta
de São Paulo (SP)

“Essa humilhação constante no trabalho, aliada à própria violência simbólica que a riqueza desmedida provoca na população da favela, transforma a relação entre os dois pólos numa bomba-relógio”. Essa é a análise do sociólogo da Universidade de São Paulo (SP) Tiaraju D’Andrea, autor da dissertação de mestrado Nas Tramas da Segregação: o Real Panorama da Pólis, sobre a relação entre Paraisópolis e o bairro de classe econômica alta do Morumbi.

Em sua pesquisa para o mestrado, ele constatou que 25% da população de Paraisópolis está desempregada e os outros 75% trabalham no setor informal; a maioria no entorno rico, servindo como mão-de-obra barata, prestando serviços de babás, empregadas domésticas, zeladores, motoristas e pedreiros com baixa remuneração e alta exploração.

O sociólogo revela que esses trabalhadores não usufruem as conquistas da classe trabalhadora, já que, “não possuem nenhum tipo de benefício como carteira assinada, férias, ou 13º”.

A população da comunidade de Paraisópolis serve a eles para que realizem os serviços braçais, diz o sociólogo. “Pensar que o Morumbi apresenta ofertas de emprego ao Paraisópolis é uma análise rasa. Afinal quem precisa de quem no final das contas? A elite do Morumbi não realiza nenhum desses trabalhos e necessita dessa população pobre para realizá-los. E quanto maior for a oferta mais explorados eles serão”, enfatiza.

Fora daqui

Segundo Tiaraju, pode-se afirmar que Morumbi e Paraisópolis crescem imbricados por uma necessidade mútua, “impulsionada a partir da década de 1960, pelo crescimento do bairro rico. Paraisópolis se constitui como sendo o abrigo dos trabalhadores da construção civil contratados para edificar as mansões e condomínios do Morumbi e para trabalhar nas obras viárias e de infra-estrutura urbana que passaram a ocorrer na região nessa época”, revela.

Por que não se oferecem à comunidade, com tanta riqueza ao redor, meios de vida dignos, já que as principais demandas são por educação, saneamento básico, moradia e trabalho. José Maria, Líder da União do Movimento em Defesa das Moradias e Melhoras da Comunidade de Paraisópolis, tem a resposta ao seu modo: “Eles querem acabar com a favela, nos tirar do meio dos ricos”.

A menos de 30 metros de uma das entradas que dá aceso a Paraisópolis, num comércio da avenida Giovanni Gronchi, um morador de um suntuoso prédio da região faz jus às palavras de Zé Maria. “Adorei essa Operação Saturação, esses caras pensam que são quem, para quebrar tudo, não são ninguém, tem que tomar bala mesmo”, afirmou.

Esse pensamento opressor explicita o modo de vida na região. “Existe toda uma gama de situações que induzem à revolta local: o trabalhador explorado, o jovem miserável e sem perspectiva, o desemprego em massa, a tortura da polícia denunciada pela população local, a opressão simbólica expressa pelas mansões e condomínios do entorno, a falta de moradia digna, de saneamento básico, de serviços públicos, dentre outros fatores que transformam o morar em favelas em uma humilhação cotidiana”, conclui Tiaraju.

Prioridades no aquário

No aquário:
enfim admitiu que a rede de estádios para a Copa do Mundo de 2014 não poderá ser erguida sem uma ajuda considerável do governo federal.

Pão de Açucar patrocianará CBF

... segundo a coluna Painel FC, da "Folha de S.Paulo" desta terça-feira, o contrato é de US$ 5 milhões (R$ 9,5 milhões) por um ano e não inclui a camisa mais famosa do futebol mundial.

Fora do aquário:

Doenças Negligenciadas - Clique aqui para conhecer o site

As doenças negligenciadas são doenças que afetam milhares de pessoas ao redor do mundo, mas que não dispõem de tratamentos eficazes ou adequados. Em sua maioria, são doenças tropicais infecciosas que afetam principalmente pessoas pobres, a exemplo da leishmaniose, da doença do sono, da malária, e da doença de Chagas, que geram um impacto devastador sobre a humanidade. Há um grande volume de trabalhos científicos que tratam da biologia, imunologia e genética dos parasitas causadores destas doenças, porém todo esse conhecimento não consegue se reverter em novas ferramentas terapêuticas para as pessoas afetadas. Ao contrário, tais doenças têm sido progressivamente marginalizadas por aqueles encarregados pelos programas de pesquisa tanto do setor público quanto do privado, essencialmente porque as pessoas que sofrem de doenças negligenciadas são pobres, e não oferecem um retorno lucrativo suficiente para que a indústria farmacêutica invista em pesquisa e desenvolvimento de novos medicamentos voltados para essas doenças. Fica claro, portanto, que a crise de falta de medicamentos para doenças negligenciadas não chegou às atuais proporções por falta de conhecimento científico, e nem somente pelo hiato entre a pesquisa básica e a pré-clínica. Esta crise é o resultado tanto das insuficientes políticas públicas voltadas para P&D de medicamentos de interesse nacional dos países em desenvolvimento, quanto da falha de mercado, provocada pelo baixo interesse econômico que esses pacientes representam para a indústria.

Desequilíbrio Fatal: Lucros arrasam as necessidades dos pacientes
Apenas 21 novos medicamentos em 30 anos
Entre 1975 e 2004, apenas 21 medicamentos foram registrados para doenças tropicais e tuberculose, ainda que estas doenças constituam mais de 11% da carga global de doença.

Durante o mesmo período, 1.535 medicamentos foram registrados para outras doenças.

Fonte: Chirac P., Torreele E., Lancet, 12 de maio de 2006, 1560-1561.

Nos países ricos, o progresso científico dos últimos 30 anos gerou avanços médicos sem precedentes e um ganho substancial na expectativa de vida. No entanto, doenças tropicais fatais, que muitas vezes podem ser prevenidas, tratáveis e curáveis continuam a assolar comunidades pobres nos países em desenvolvimento, devido, em grande parte, a falhas de mercado e de políticas públicas.

Um estudo recente sobre o financiamento mundial de inovação para doenças negligenciadas (G-Finder1, na sigla em inglês) revelou que menos de 5% deste financiamento foram investidos no grupo das doenças extremamente negligenciadas, ou seja, doença do sono, leishmaniose visceral e doença de Chagas, ainda que mais de 500 milhões de pessoas sejam ameaçadas por estas três doenças parasitárias.

As doenças negligenciadas são um problema global de saúde pública, mas a P&D das indústrias farmacêuticas é orientada quase sempre pelo lucro, estando o setor industrial privado focado nas doenças globais para as quais medicamentos podem ser produzidos e comercializados com geração de lucros. Com baixo poder aquisitivo e sem influência política, os pacientes e sistemas de saúde mais pobres não conseguem gerar o retorno financeiro exigido pela maior parte das empresas voltadas ao lucro.

A DNDi trabalha para conscientizar sobre as doenças extremamente negligenciadas e lutar por um maior envolvimento do setor público. Liderança política é fundamental para definir as prioridades de saúde global, estimular P&D, criar mecanismos de financiamento sustentável, e garantir acesso equitativo aos medicamentos essenciais.

(1) Neglected Disease Research and Development: How Much Are We Really Spending? Moran M, Guzman J, Ropars AL, McDonald A, Jameson N, et al. PLoS Medicine 2009; Vol. 6, No. 2

Fonte: http://www.dndi.org.br/Portugues/doencas_negligenciadas.aspx

É revoltante as prioridades no nosso mundo. Nada contra o esporte futebol. Mas as prioridades estão invertidas no aquário. O que poderia ser feito pela saúde de milhões com um pouco destes 10 bilhões aplicada no desenvolvimento de vacinas? E agora querem usar o dinheiro público também que deveria ser aplicado na saúde e na educação.

Leia (+)
- Prioridades

O Mundo das Ilusões

Notícias dentro das tranquílas águas do aquário...

se tiver estômago... veja este site.
...enquanto isto fora do aquário:

Conflito no Congo - clique para ver as fotos feitas pelo New York Times.

Quem é pirata?

Elaine Tavares

Tenho lido e escutado as notícias sobre os "piratas" na Somália e, nem sei bem porque, ainda me surpreendo com a falta de responsabilidade e a má fé dos jornalistas. Tudo bem que o jornalismo de hoje em dia é um pastiche, mera propaganda do sistema capitalista. Mas, vez em quando, penso que os profissionais que atuam nesta área precisariam ter um mínimo de dignidade e, diante de questões abissais como a da Somália, pelo menos tentar contextualizar os fatos.

Um "pirata" somali não é obra do acaso. Ele não brotou no mar assim, de chofre, por conta de uma possível "natureza malvada" daquela gente. Não. Os "piratas" no Golfo de Áden são a expressão acabada do processo de destruição empreendido pelos países coloniais naquela região do continente africano. Com a criação de fronteiras artificiais e as disputas dos países da Europa e da União Soviética a situação por ali só se agravou a partir dos anos 60 quando foi "inventado" o país, dividindo etnias e famílias que ocupavam aquela região por séculos desde os tempos do Império Otomano. As gentes locais e suas formas de organizar a vida foram solapadas pela presença estrangeira e, hoje, seguem mergulhadas numa luta encarniçada pelo poder político, que envolve questões externas e internas, como a demarcação de fronteiras com a Etiópia.

Pelo fato de, na década de 70, a União Soviética hegemonizar o governo naquela região - que é tremendamente estratégica tanto política como comercialmente - a intervenção dos Estados Unidos logo se fez presente com todo o seu aparato de intrigas, golpes e construção de lideranças locais aliadas, o que mergulhou o país em uma sangrenta guerra civil, na qual os que mais padecem são as gentes do povo, como sempre acontece nestes jogos de poder.

Em 1992, com o velho golpe da ajuda humanitária os Estados Unidos - liderados pelo democrata Bill Clinton - ocuparam a Somália, mas acabaram metidos numa enrascada tremenda, enfrentando a reação, e saíram de lá vencidos, com vários soldados mortos e uma centena feita refém dos soldados somalis. A pirataria vem desde estes dias, não é coisa de agora e surgiu mais na tentativa de garantir alimento para as pessoas que morriam de fome. Mesmo agora, a maioria das investidas é nos navios carregados de comida.

O povo da Somália vive na mais absoluta miséria, acossado por uma luta sem tréguas que envolvem vários interesses que não são os deles. Seja o controle do território que é porta de entrada para o mundo asiático, seja a tentativa de dominação pela fé, seja o uso do território para depósito de lixo atômico, seja pela rapina dos peixes do mar.

É possível que entre os que hoje tomam os navios que por ali passam ou ali vão roubar as riquezas da Somália existam "bandidos", como fala a mídia. Mas, a maioria faz parte da Guarda Costeira Voluntária da Somália, argumentando que o que estão fazendo nada mais é do que a defesa nacional. Imaginem que um navio de uma nação qualquer fosse para a costa dos Estados Unidos jogar lixo ou pegar todo o peixe de lá, ou da Itália, ou da Inglaterra? A ação da Guarda Costeira destes países seria considerada pirataria? Certamente que não.

- Ah, mas eles fazem reféns!... Sim, é verdade, e isso não se justifica. Mas, quem em sã consciência pode julgar o ato desesperado de uma nação que vive há mais de uma década num caos não provocado por ela? O povo somali há tempos vem tentando se fazer ouvir, há décadas busca resolver seus problemas, mas as grandes nações não deixam. Elas fazem é fomentar ainda mais o caos intervindo com seus exércitos, planos secretos e seus desejos de dominação. Então, quando homens armados e famintos se voltam contra os impérios, são denominados "piratas". Típico.

Para nós, figuras tão distantes deste terrível campo de batalha, para onde o simpático Obama deve enviar tropas bem loguinho - alimentando assim a bocarra da indústria de armamento nesta crise do capital - fica o desafio de conhecer mais sobre estas gentes. Há séculos que o povo do continente africano vem sendo dizimado pela cobiça das grandes nações capitalistas e tudo o que fazemos é silenciar. Que pelo menos agora não sejamos cúmplices de mais uma ação de violência contra a gente da Somália, impedida que está desde há anos, de construir sua própria história.

Os piratas, enfim, não são os homens famélicos e desesperados, os que ainda encontram forças para defender seu chão. Piratas são estes que chegam com seus navios, roubando as riquezas dos outros e travestindo-as de "livre comércio". Estes sim mereciam ser parados e julgados como ladrões.

Fonte: clique aqui

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Fora da Zona de Conforto! [04/08/09]

Segundo estimativa, entre 15% e 45% da população será afetada.Infectados chegam a 162 mil casos, sendo 1.154 mortos, diz boletim.

A crise financeira internacional não interrompeu a queda da desigualdade nem a da pobreza nas seis maiores regiões metropolitanas do Brasil(0,5026). Apesar da melhora, o Brasil continua próximo de países africanos como Zimbábue (0,501) e Zâmbia (0,508) e de latino-americanos como El Salvador (0,524) e Panamá (0,561).


A brutal matança de elefantes africanos para retirada de marfim está pior agora que na década de 80. Novas ferramentas de investigação forense, baseadas na análise de DNA, podem denunciar os grupos criminosos por trás desse comércio violento.



O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas vai examinar nesta semana o papel da força de manutenção da paz internacional - uma operação cada vez mais cara que, em algumas partes do mundo, não está cumprindo os desafios que lhe são dados.

Rede atua na busca por crianças e adolescentes considerados desaparecidos

Milhares de crianças e adolescentes são considerados pelas autoridades de países latino-americanos como desaparecidos. As causas variam. Vão desde o tráfico de pessoas à busca por uma vida mais fácil. Com a preocupação de tentar resolver o problema, o projeto Rede Latino-americanos Desaparecidos, da qual participam 13 países da região, tem apresentado alguns resultados e é considerado um aporte mobilizador para diversas organizações que trabalham com o tema.

Marcha multissetorial contra a fome chega a Resistência

Pelo menos 3 mil manifestantes camponeses chegam nesta quarta-feira, 5, a Resistência, Chaco, como ponto final de sua marcha contra a pobreza, exclusão e corrupção política na Argentina. Os dirigentes da União Camponesa adiantaram que à populosa marcha se somarão novas delegações de Las Palmas, La Leonesa e Paso Sosa, entre outras.

Comunicadoras exigem esclarecimentos sobre feminicídio em Veracruz - México

Durante 2008 e até este mês de 2009 foram registrados quase 130 homicídios de mulheres ao longo desse período no estado.

Como seria a festa fora do aquário

Quando você der um almoço ou um jantar, não convide os seus amigos, nem os seus irmãos, nem os seus parentes, nem os seus vizinhos ricos. Porque certamente eles também o convidarão e assim pagarão a gentileza que você fez.
Mas, quando você der uma festa, convide os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos e você será abençoado. Pois eles não poderão pagar o que você fez, mas Deus lhe pagará no dia em que forem ressuscitadas as pessoas que fazem o bem.

Jesus, o Cristo - Evangelho de Lucas

Eu nunca organizei uma festa assim, nem fui em uma. : (
Talvez seja uma hipérbole apenas...melhor pra nós.

Não temos medo de pensar. Temos medo de não amar.

Não temos medo de (re) pensar conceitos sobre Deus. Temos medo de não (re) amar como Cristo, quem na realidade não amamos: os mendigos, os pobres, os excluídos, os marginalizados, as crianças africanas, os homens e mulheres de Darfur.

Não temos medo de incertezas. Temos medo que nosso Amor deixe de ser nossa bandeira do Reino de Deus.

Não temos medo de não saber. Temos medo das certezas que prendem Deus a um esquema.

Não temos medo de questionar dogmas. Temos medo de que os dogmas impeçam a transformação de vidas.

Não temos medo do inferno. Temos medo de que nossas mãos se fechem, e não possam ajudar o nosso próximo a sair de sua existência-inferno. Ou pior, que as nossas próprias mãos sejam as quais o empurra para esta existência-inferno.

Não temos medo de devanear teorias loucas. Temos medo que a loucura desse mundo violento cegue nossos olhos a ponto de sempre que pararmos num farol, nesta cidade-sombria, fechemos nossos vidros para a sinceridade dos filhos da injustiça.

Não entendemos como problema sair do molde da teologia sistemática. Temos medo de sistematizar Deus e modela-lo a algum padrão.

Nós não temos medo de chorar por nós mesmos. Nós temos medo de que não mais choremos o choro dos outros.

Não sentimos culpas pelas nossas dúvidas. Mas pedimos que nos lembre sempre de amar como Cristo.

Não temos medo ter uma fé cheia de espelhos em enigmas e despedaçada, que não tem a
precisão de uma fé “face a face”. Temos medo de perder o que existe de mais precioso: Amar.

Não temos medo de balançar alicerces religiosos construídos por pensamentos humanos. Temos medo de perder a doçura e a simplicidade de Jesus.

Não temos medo de sermos rejeitados pela instituição. Temos medo da hipocrisia religiosa.

Não temos medo de sermos chamados de hereges. Temos medo de compactuar com o sistema religioso e seus interesses, e esquecermos de amar pessoas.

Não temos a pretensão que nossos argumentos tenham todos os versículos a favor, e assim entrarmos numa guerra de versículos. Temos medo que nós não cumpramos aquilo que Cristo chamou de o resumo da lei e dos profetas: Amar a Deus e ao próximo.

Não temos medo de nos manifestar a favor de alguém. Desde que esse alguém não se esqueça que o conceito central do cristianismo é o amor.

Aprendemos que não podemos ficar presos às amarras da religião e da instituição.
Aprendemos que Deus está acima da religião.
Aprendemos que no Reino não importa o que se pensa, importa o que se ama.
Aprendemos a olhar pessoas como “filhos de Deus”, e amá-las incondicionalmente.
Aprendemos que qualquer um que tenta abrir os olhos de pessoas encabrestadas pela religião, acaba sendo queimado na fogueira da instituição.

Estamos seguros que o Verdadeiro Amor lança fora todo medo, e por isso não temos medo de caminhar com alguém que nos ensina a lidar responsavelmente com a liberdade do amor.

Texto escrito por duas mãos - Lucas Lujan e Suênio Alves

Violência Tribal no Sul do Sudão

A violência tribal no sul do Sudão tem assassinado centenas de pessoas nos meses recentes e deslocado milhares na última semana. Ataques decorrentes da disputa sobre gados, tem ocorrido entre dois grupos étnicos rivais em uma área onde a pecuária é praticada por pastores do sul e representa riqueza, status e estabilidade em tempos fragéis.

Nyachiew Gatbel, 20, da etnia Nuer, sentada em uma cama da clínica-móvel da MSF. Ela foi jogada durante um confronto próximo a cidade de Nasir no sudeste do Sudão. A bala perfurou seu femur.
Cirurgião espanhol Jose Sanchez (direita) opera um soldado na clínica-móvel da MSF. O paciente foi trago quatro dias depois com estilhaços nas feridas em uma perna despedaçada por uma explosão de granada na cidade de Nasir no sul do Sudão

Uma garota Nuer aguarda para ser atendida na clínica-móvel da MSF. Nasir, Sudeste do Sudão.

Pock Mangok, 28, um membro da tribo Nuer, é alimentado com mingau por um amigo na clínica móvel da MSF. Nasir, sudeste do Sudão.

Um paciente com TB sentado em uma cama na Aldeia TB - instalação sanitária separada, da MSF.

A notícia na íntegra, clique aqui. (inglês)

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