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quarta-feira, 2 de junho de 2010

APELO: PRÊMIO NOBEL DA PAZ 2011 PARA AS MULHERES AFRICANAS

ASSINE JÁ A PETIÇÃO ONLINE NO FINAL DESTE ARTIGO.

A África caminha com os pés das mulheres. No desafio da sobrevivência, todos os dias centenas de milhares de mulheres africanas percorrem as estradas do continente à procura de uma paz duradoura e de uma vida digna. Num continente massacrado há séculos, marcado pela pobreza e sucessivas crises econômicas, o papel desenvolvido pelas mulheres é notório.


A campanha, nascida na Itália, já percorre o mundo para incentivar a entrega do Prêmio Nobel da Paz de 2011 para as mulheres africanas.

A proposta é da CIPSI, coordenação de 48 associações de solidariedade internacional, e da ChiAma África, surgida no Senegal, em Dakar, durante o seminário internacional por um Novo Pacto de Solidariedade entre Europa e África, que aconteceu de 28 a 30 de dezembro de 2008.

Chama a atenção a luta e o crescente papel que as mulheres africanas desenvolvem, tanto nas aldeias, quanto nas grandes cidades, em busca de melhor condição de vida. São elas que sustentam a economia familiar realizando qualquer atividade, principalmente na economia informal, que permite cada dia reproduzir o milagre da sobrevivência.

Existem na África milhares de cooperativas que reúnem mulheres envolvidas na agricultura, no comércio, na formação, no processamento de produtos agrícolas. Há décadas, elas são protagonistas também na área de microfinanças, e foi graças ao microcrédito que surgiram milhares de pequenas empresas, beneficiando o desenvolvimento econômico e social, nas áreas mais remotas até as mais desenvolvidas do continente.

Além de terem destaque cada vez mais crescente na área de geração de emprego e renda, as mulheres, com seu natural instinto materno e protetor, lutam pela defesa da saúde, principalmente, contra o HIV e a malária. São elas, as mulheres africanas, que promovem a educação sanitária nas aldeias. E, além de tudo, lutam para combater uma prática tão tradicional e cruel na região: a mutilação genital.
São milhares as organizações de mulheres comprometidas na política, nas problemáticas sociais, na construção da paz.

Na África varrida pelas guerras, as mulheres sofrem as penas dos pais, dos irmãos, dos maridos, dos filhos destinados ao massacre e sabem, ainda, acolher os pequenos que ficam órfãos.

“As mulheres africanas tecem a vida”, escreve a poetisa Elisa Kidané da Eritréia.
Sem o hoje das mulheres, não haveria nenhum amanhã para a África.

Em virtude de toda essa luta e para reconhecer o papel de todas elas é que surgiu a proposta de lançar uma Campanha Internacional para dar o Prêmio Nobel da Paz de 2011, a todas as mulheres africanas. Trata-se de uma proposta diferente, já que esta não é uma campanha para atribuir o Nobel a uma pessoa singular ou a uma associação, mas sim, um Prêmio Coletivo, a todas essas guerreiras.

A ideia é lançar um manifesto assinado por milhões de pessoas, por personalidades reconhecidas internacionalmente e criar comitês nacionais e internacionais na África e em outros continentes. Além de recolher assinaturas, a campanha deve estimular também encontros organizados com mulheres africanas, convenções e iniciativas de movimento.

Nós, latino-americanos e latino-americanas, temos muito sangue africano em nossas veias e em nossas culturas. Vamos gritar nossa solidariedade com a África assinando a petição.

A criatividade dos Movimentos Sociais e Populares, das ONGs, grupos religiosos, universidades, sindicatos, etc., pode inventar mil atividades para difundir essa iniciativa e colocar a mulher africana no centro da opinião pública do mundo.

Pode-se criar comitês, eventos com debates sobre a África, show de artistas locais, palestras nas universidades, nos bairros, nas praças, lançamentos da coleta de assinaturas, etc. Nossa criatividade vai fortalecer os caminhos da África.

Os membros da campanha são todos aqueles que assinarem a petição online. E para fazê-lo é simples.

Para mais informações, contate a Campanha pelo endereço: info@noppaw.org ou segretaria@noppaw.org ou no site http://www.noppaw.org/

PARTICIPE DA CAMPANHA:

O clamor que provoca

por Paulo Brabo - Bacia das Almas

Whatever happened, happened.
Jack Shephard

Na descrição clássica da “teologia forte”, Jesus estava apenas refreando seu poder divino a fim de deixar que sua natureza humana sofresse. Ele livremente escolheu cercear o seu poder porque o Pai tinha o plano de redimir o mundo através do seu sangue. Mas se seu Pai tivesse mudado de ideia aqueles soldados romanos iriam sem dúvida lamentar o dia em que nasceram, da mesma forma em que irão certamente lamentar na eternidade. Na minha visão, isso é interpretar erradamente aquela cena em termos unicamente de poder: poder terreno contraposto a poder celestial. Na minha visão, Jesus estava sendo crucificado, e não se refreando; estava sendo pregado ali e sendo executado muito contra sua vontade e contra a vontade de Deus. E ele nunca tinha ouvido falar da ideia cristã, que surgiria mais tarde, de que estava redimindo o mundo através do seu sangue. Sua abordagem diante do mal foi perdão, não o pagamento de um débito devido a seu Pai ou ao diabo, através de sofrimento ou de qualquer outro modo. Seu sofrimento não foi uma moeda em câmbio local na economia do reino. O reino não é uma economia, e Deus não comparece a esta cena como um escriturário de débitos divinos, ou como um alto poder que assiste a coisa toda lá de cima enquanto voluntariamente refreia seu infinito poder de intervenção. Isto é mais uma teologia cosmetizada, é fraqueza que fantasia com um orgasmo de poder – se não agora, poder mais tarde, quando poderemos realmente nos vingar daqueles romanos odiosos.

Essa não é a fraqueza de Deus que estou defendendo aqui. Deus, o evento refugiado no nome de Deus, está presente à crucificação como o poder da ausência-de-poder de Jesus, em e como protesto contra toda injustiça que brota da cruz, em e como palavras de perdão, e não como um poder adiado que visitará mais tarde os seus inimigos. Deus comparece na qualidade de fraco agente do grito que clama do Calvário e clama através das eras, que clama de cada cadáver jamais produzido por todo poder injusto e cruel. O logos da cruz é um clamor de renúncia à violência, não algo que a oculta e adia para depois, numa atordoante façanha que apanha o inimigo de surpresa, abatê-lo com verdadeiro poder, demonstrando ao inimigo quem é realmente poderoso. Era precisamente isso o que Nietzsche criticava sob o nome de ressentimento.

O impacto de situar Deus no lado da vulnerabilidade e do sofrimento injusto não está, naturalmente, em glorificar o sofrimento e a miséria, mas em de protestar profeticamente contra eles; é conferir significado e profundidade divinos à resistência contra o sofrimento injusto, agregar o coeficiente da divina resistência ao sofrimento injusto, motivo pelo qual o sofrimento é a matéria de perigosas lembranças. O grito, o clamor, o rogo que ergue-se da cruz é um grande e divino “não” à injustiça, uma infinita lamentação contra o sofrimento injusto e as vítimas inocentes. Deus está com Jesus na cruz, e ao postar-se com Jesus em vez de com o poder imperial de Roma, Deus posta-se ao lado de um inocente perseguido por repreender os poderes estabelecidos. O nome de Deus é um divino “não” à perseguição, à violência e à vitimização. Semelhantemente, como acabamos de argumentar, a “transcendência” divina tradicional, de cima para baixo, deve ser reformulada de modo a que todos os seus recursos sejam empregados em favor da baixeza e dos desprezados. O efeito de se falar na transcendência de Deus não deve ser o de respaldar e sobrepujar a presença com uma hiper-presença, mas o de perturbar a presença com diferença – permitindo assim que os mais ínfimos alcem-se em divino esplendor.

Nesse modo de ver as coisas – e é essa a posição da teologia fraca, a religião de um anarco-profético-desconstrucionista – a transcendência de “Deus” não quer dizer que Deus eleva-se acima do ser como supra-ser. Ao contrário, Deus arma sua tenda entre seres identificando-se com tudo que o mundo rejeita e deixa para trás. Na verdade, ao invés de se falar em transcendência de Deus, melhor seria falar em in-scendência (incendiária inscendência!) ou “insistência” de Deus no mundo. Em Deus essência e insistência são uma mesma coisa. Com isso quero dizer que Deus se retira da ordem mundana de presença, prestígio e soberania a fim de instalar-se nos bolsões de protesto e de contradição do mundo. Deus pertence ao ar, ao clamor, ao espírito que inspira e aspira, que respira justiça. Deus se instala neste mundo nos recessos formados pelos pequenos, os zés-ninguéns e joões-ninguéns deste mundo – o que em 1 Coríntios Paulo chama de ta me onta. O que estou tentando é fazer com que deixemos de pensar em Deus como a coisa melhor e mais elevada que existe e comecemos a pensar em Deus como o clamor que provoca o que existe, o espectro que assombra o que existe, o espírito que sopra sobre o que existe.

John D. Caputo,
em The weakness of God: a theology of the event

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