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sexta-feira, 10 de julho de 2009

Governos inconscientes e irresponsáveis

"O Brasil neste sentido é uma lástima. Se há um pais no mundo que goza das melhores oportunidades ecológicas e geopolíticas para ajudar a formular um outro mundo necessário para toda a humanidade, este seria o Brasil."
Leonardo Boff

Quem teve o privilégio de acompanhar a cúpula dos povos (192) na ONU nos dias 24-26 de junho para encontrar saídas includentes para a crise econômico-financeira, vivenciou dupla perplexidade. A primeira, o fato de se ter chegado a um surpreendente consenso acerca de medidas econômicas e financeiras a serem implementadas a curto e a médio prazo, em função do desenvolvimento /crescimento. A segunda, verificar que tudo se concentrou apenas no aspecto econômico-financeiro sem qualquer referência aos limites da biosfera e à devastação da natureza que o tipo de desenvolvimento vigente implica. Quer dizer, a economia virou um conjunto de teorias e fórmulas que expertos dominam e as aplicam nos países, esquecendo-se de que é parte da sociedade e da política, algo, portanto, ligado à vida das pessoas. Era como se os políticos e expertos, não respirassem, não comessem, não se vestissem e andassem nas nuvens e não no solo. Mas para eles, tais coisas importantes são meras externalidades que não contam.


Ao ouvi-los, pensava eu lá com meus botões: quão inconscientes e irresponsáveis são estes políticos, representantes de seus povos, que não se dão conta de que a verdadeira crise não é esta que discutem, mas a da insustentabilidade da biosfera e a incapacidade de a Mãe Terra de repor os recursos e serviços necessários para a humanidade e para a comunidade. Bem advertiu o ex-secretário da ONU Kofi Annan: esta insustentabilidade não apenas impede a produção e a reprodução senão que põe em risco a sobrevivência da espécie humana.

Todos são reféns da economia-zumbi do desenvolvimento, entendido como puro crescimento econômico (PIB). Ora, exatamente este paradigma do desenvolvimento mentirosamente sustentável do atual modo de acumulação mundial está levando a humanidade e a Terra à ruína. As pessoas são as últimas a contar. Primeiro vêm sempre os mercados, os bancos, o sistema financeiro. Com apenas 1% do que se aplicou para salvar os bancos da falência (alguns trilhões de dólares) poder-se-ia resolver toda a fome do planeta atesta a FAO. E atualmente, a mesma FAO advertiu, existem 40 países com reserva alimentar de apenas três meses. Sem uma articulada cooperação mundial grassará fome e morte de milhões de pessoas.

Discutir a crise econômico-financeira sem incluir as demais crises: o aquecimento global, a alimentar, a energética e a humanitária é mentir aos povos sobre a real situação da humanidade.

Temo que nossos filhos e netos, daqui a alguns anos, olhando para o nosso tempo, tenham motivos para nos amaldiçoar e de nos devotar um soberano desprezo, porque não fizemos o que devíamos fazer. Sabíamos dos riscos e preferimos salvar as moedas e garantir os bônus quando poderíamos salvar o Titanic que estava afundando.

O Brasil neste sentido é uma lástima. Se há um pais no mundo que goza das melhores oportunidades ecológicas e geopolíticas para ajudar a formular um outro mundo necessário para toda a humanidade, este seria o Brasil. Ele é a potência das águas, possui a maior biodiversidade do planeta, as maiores florestas tropicais, a possibilidade de uma matriz energética limpa à base da água, do vento, do sol, das marés e da biomassa, mas não acordou ainda. Nos fóruns mundiais vive em permanente sesta política, inconsciente, "deitado eternamente em berço esplêndido". Não despertou para as suas possibilidades e para a responsabilidade face à preservação da Terra e da vida.

Ao contrário, na contramão da história, estamos construindo usinas à base do carvão. Desmatamos a Amazônia em 1.084 quilômetros quadrados entre agosto de 2008 a maio de 2009. E somos o quinto maior poluidor do mundo. O fator ecológico não é estratégico no atual governo. Somos ignorantes, atrasados, faltos de senso de responsabilidade face ao nosso futuro comum.

Um comentário:

Missao disse...

AUTODIDATAS pode estabelecer as Melhores Soluções

No Brasil, onde a Educação & Ensino pouco ou nada consegue contribuir para O Desenvolvimento SOCIAL & Econômico do Brasil, de FATO, SUSTENTÁVEL, será necessário trabalhar por outros caminhos.

Talvez, a Melhor Solução, seja induzir as Empresas a adotarem recursos mais adequados, visando suprir a limitação da Sociedade Brasileira.


Poucas Autoridades, aqui e lá fora, tem SABEDORIA suficiente para perceber todas as questões e muito menos encontrar a SOLUÇÕES, de FATO, SUSTENTÁVEIS, por isso, muito provavelmente, precisamos mudar alguns entendimentos, visando resgatar a ÉTICA & Modelo de Cidadão de SUCESSO.

Na ÉTICA um passo importante é Compressão Correta & JUSTA do que é ser um AUTODIDATA, em linhas gerais – ele é muito mais SÁBIO do que aqueles que são DIPLOMADOS, pois o AUTODIDATA não tem limites para o seu Próprio Desenvolvimento e não é um DEPENDENTE dos Recursos do ESTADO (Sociedade Brasileira), sendo isso, apenas uma demonstração do quanto a Sociedade Brasileira, em especial os nossos Governantes & Parlamentares precisa AMADURECER. – aqui deixo a Proposta da Equipe Brasileira do AGUAPÉ a todos os AUTODIDATAS BRASILEIROS: vamos nos UNIR, lutar para ter VOZ e passar a empenhar esforços para encontrar as SOLUÇÕES que possam promover O Desenvolvimento SOCIAL & Econômico do Brasil, de FATO, SUSTENTÁVEL.


Um Grande Abraço a VOCÊ, Membro / Colaborador (ou pretendente),


MISSAO TANIZAKI
Fiscal Federal Agropecuário
Bacharel em Química
missao.tanizaki@agricultura.gov.br
missao.tanizaki@gmail.com.br (NOVO)

TUDO POR UM BRASIL & MUNDO MELHOR

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