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sexta-feira, 6 de novembro de 2009

O único absoluto, relativiza-se

Conversando com alguns pastores em uma reunião, fiz uma afirmação, um insight, que reverbera com insitência em mim. Deus é o único absoluto, a única liberdade absoluta de que se tem notícia, ou de que se pode deduzir. Mas sendo o único absoluto, relativizou-se por amor, por decisão própria. O único ser livre absolutamente, relativizou sua liberdade. O único que poderia ser verdadeiramente “um totalmente outro”, expressão predileta dos calvinistas, parcializou-se.

Deus poderia manter-se fora de nossas contingências (os imprevistos, o inesperado, os acidentes, as surpresas, os fatores aleatórios), mas não quis. Se nossa humanidade sofre, Deus escolheu sofrer junto.

Creio que para entendermos a história relacionalmente, precisamos aprofundar nossa teologia da empatia divina, a paixão de Deus não o ‘deixa’ de fora de nosso mundo. É a experiência de Hagar, a escrava de Sara e Abraão. Fugindo pelo deserto do desamparo, o deserto da desigualdade de chances, o deserto da injustiça humana, é surpreendida pelo “Deus que vive e vê”. Na sua segunda viagem pelo mesmo deserto, não mais fugindo, mas agora exilada, ouve do mesmo Deus que ele ouviu o choro da criança. Deus está na história. Ele participa de suas incongruências.

Mas como não entender a encarnação de Deus como sua relativização radical? Sendo Deus, sendo absoluto, “esvaziou-se” de seus absolutos, relativizou-se a nós por amor. Se ele podia ser atemporal, escolheu não ser. Não depois, mas antes de tudo. Por isso diz o escritor do Apocalipse que o cordeiro está morto desde a fundação dos tempos.

O amor só é possível se é relativo ao próximo, aos outros.

O amor só é possível no tempo. Se é história.

Elienai Jr


Um comentário:

Fernanda disse...

Só por cusiosidade, vc segue alguma religião específica? Parabéns pelo texto, vc consegue exteriorizar aquilo que muitos de nós só conseguimos sentir, abraços

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