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terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Nasce uma criança


Há alguns anos escrevi uma música chamada Nasce Uma Criança, que postulava que Deus é paciente, pensa sempre a longo prazo e é um incorrigível otimista. “Se há algum problema pra se resolver”, dizia a canção, Deus não toma os pés pelas mãos: ele “faz alguém nascer” – alguém que poderá com o tempo, e se tudo der certo, ajudar na resolução do problema. Quando decidiu que Israel precisava de um libertador, Deus não teve qualquer pressa: fez nascer Moisés, que só começaria oitenta anos depois a resolver o problema da servidão no Egito. Quando Israel precisou de um rei que representasse um exemplo para todos os seus sucessores, nasceu uma criança na casa de Jessé – e assim por diante.

Quando decidiu resolver o maior problema de todos Deus, naturalmente, mandou o seu Filho.

Do ponto de vista de Deus, portanto, os seres humanos nascem para ajudar na resolução dos problemas criados pelos seus antecessores. Viver de forma integral e “cumprir toda a justiça” é, portanto, [1] ajudar na resolução do problema que nascemos para resolver, [2] fazendo ao mesmo tempo todo o possível para não gerar outros.

Viver de forma integral é ajudar na resolução do problema que nascemos para resolver, fazendo todo o possível para não gerar outros.


Como a vida e a morte do próprio Jesus deixaram entrever, o problema que nascemos para resolver, aquele cuja solução devemos perseguir, nunca é o nosso próprio, mas o dos outros. O pecado é, em grande parte, apenas a nossa obstinação em resolver o ilusório (aquilo que cremos ser o nosso problema, a nossa carência fundamental por aquilo de que cremos estar injustamente desprovidos) enquanto negligenciamos o problema real (a necessidade do outro).

Na equação divina de Nasce uma Criança, quando resolvemos o problema do outro, resolvemos magicamente também o nosso.

Tiago descreveu brilhantemente a equação quando ousou decretar que “a religião pura e imaculada diante de nosso Deus e Pai é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas aflições e guardar-se isento da corrupção do mundo” – ou seja, cumprir a nossa missão fundamental de atender as necessidades dos outros e impedir que a formatação egoísta do mundo nos impeça de desempenhá-la.

Nascemos, então, com essa dupla e exigente incumbência de resolver um problema e não criar outros. Graças ao Natal e a Jesus, Deus e homens têm finalmente razões para serem otimistas a esse respeito.


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