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domingo, 2 de outubro de 2011

Comentários de pastor evangélico sobre Alzheimer causam agitação nos EUA


Erik Eckholm

A sugestão do pastor evangélico Pat Robertson de que um homem cuja esposa “se foi” devido ao mal de Alzheimer deve se divorciar dela, caso sinta a necessidade de uma nova companheira, provocou uma tempestade de condenação por parte de outros líderes cristãos, mas uma resposta mais mista, até mesmo compreensiva, por parte de médicos e defensores de pacientes.

Em seu programa de televisão, “The 700 Club”, na terça-feira, Robertson, um evangélico proeminente que já concorreu à presidência, recebeu um telefonema de um homem que perguntou como ele deveria aconselhar um amigo, cuja esposa estava com demência avançada e não mais o reconhecia.

“A esposa dele, como ele a conhece, se foi”, disse o autor da pergunta, e o amigo “está amargo com Deus por permitir que sua esposa esteja nessa condição, e agora ele começou a sair com outra mulher”.

“Isso é uma coisa terrivelmente difícil”, disse Robertson, claramente tendo dificuldade para encontrar um caminho naquela situação. “Eu odeio o Alzheimer. É uma das coisas mais terríveis, porque ali está o ente querido –a mulher ou homem que alguém amou por 20, 30, 40 anos, e de repente aquela pessoa se foi.”

“Eu sei que soa cruel”, ele prosseguiu, “mas se ele pretende fazer algo, ele deve se divorciar dela e começar tudo de novo, mas assegurar que ela receba os cuidados, que alguém cuide dela”.
Quando a co-apresentadora de Robertson no programa perguntou se aquilo era consistente com os votos matrimoniais, Robertson notou a promessa do “até que a morte nos separe”, mas acrescentou, “isso é um tipo de morte”.

Ele disse que a pergunta lhe apresentou um dilema ético além de sua capacidade de responder.
“Eu certamente não faria você se sentir culpada se decidisse que precisa ter uma companhia, que se sente só e precisa de companhia”, disse Robertson.

A reação de muitos líderes evangélicos, que veem o casamento tradicional, para toda a vida, como a pedra fundamental da moralidade e da sociedade, foi dura e de descrença.

“Isso é mais do que um embaraço”, escreveu Russell D. Moore, reitor da Escola de Teologia do Seminário Teológico Batista do Sul, em Louisville, Kentucky, em um blog na quinta-feira. “Isso é mais do que cruel. Isso é um repúdio ao evangelho de Jesus Cristo.”

Mas Beth Kallmyer, diretora sênior de serviços da Associação do Alzheimer, em Chicago, se recusou a questionar os comentários de Robertson.

“Esta é uma doença desafiadora, devastadora e no final terminal, que afeta todo mundo de modo diferente”, ela disse. “O mais importante é que as famílias recebam ajuda.”

Na experiência da associação, ela disse, é raro as pessoas se divorciarem devido ao Alzheimer. Mas o Alzheimer pode durar anos ou décadas, piorando progressivamente.

“As decisões que as pessoas tomam são pessoais”, disse Kallmyer.

A médica Amanda Smith, diretora do Instituto do Alzheimer da Universidade do Sul da Flórida, em Tampa, disse sobre os comentários de Robertson: “Eu acho que ele tentou dar para alguém a liberdade de seguir em frente, mas ele levou em consideração apenas quem cuida, sem levar em consideração a paciente”.

“Mesmo quando alguém não reconhece um cônjuge como sendo especificamente seu cônjuge, frequentemente há uma familiaridade com a pessoa e uma sensação de conforto, especialmente se estiverem casados há décadas”, disse Smith.

Ao mesmo tempo, disse Smith, quando a doença está avançada, ela não vê nada errado com os prestadores de cuidados desenvolverem outros relacionamentos “que tragam alegria e preencham o vazio”. Da mesma forma, ela disse, “não há problema se um paciente em uma clínica encontra uma namorada com a qual se sentar ao jantar toda noite”.

James E. Galvin, neurologista que dirige uma clínica de demência no Centro Médico Langone da Universidade de Nova York, disse que é errado afirmar que as pessoas com Alzheimer “se foram”, ou chamar seus últimos estágios de “um tipo de morte”.

“Apesar de ser verdade que nos estágios terminais os pacientes podem não estar plenamente cientes do que está acontecendo, eles tendem a reconhecer as pessoas que estão mais próximas deles”, disse Galvin.

“Com bons cuidados, as pessoas podem viver 15 a 20 anos com a doença, grande parte desse tempo em casa”, disse Galvin. Se eventualmente se mudarem para uma clínica e parecerem não saber o que está acontecendo ao seu redor, ele disse, então os cônjuges enfrentam uma “decisão individual” sobre quando e como desenvolver novos relacionamentos, baseada em religião e ética, não em ciência.

Robertson ajudou a transformar a Coalizão Cristã em uma força política formidável nos anos 90 e é um televangelista popular. Mas ao longo dos anos, ele também provocou fúria entre alguns cristãos conservadores, com declarações consideradas não ortodoxas para um grupo ou outro, incluindo a defesa da política de um só filho da China e as afirmações de que eventos terríveis como os ataques terroristas de 11 de setembro de 2011 e o terremoto do Haiti foram punições de Deus.

“Poucos cristãos ainda levam Robertson a sério”, escreveu Moore, do seminário batista do Sul. “A maioria vira os olhos para cima e balança suas cabeças quando ele faz outro comentário bizarro.”

Por meio de um porta-voz, Robertson se recusou a falar sobre seus comentários na televisão.

Tradução: George El Khouri Andolfato

Um comentário:

Elder Sacal Cunha disse...

Quando observo esses "pregadores", percebo que estão longe de serem discipulos de Cristo.
Afinal, o próprio Senhor afirmou que seríamos considerados seus discípulos, se de fato, amarmos uns aos outros. (Jo 13.34-35)
Aonde está o AMOR ao próximo?

Amar é superar as dificuldades. O amor tudo suporta!

Pr Elder Cunha
http://eldersacalcunha.blogspot.com
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