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segunda-feira, 16 de abril de 2012

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Fonte: G1

Uma fotografia tirada por Massoud Hossaini de uma menina afegã de pé em meio a uma pilha de corpos capturou a imagem da devastação deixada imediatamente após um ataque suicida contra um santuário xiita em Cabul, no Afeganistão, na semana passada.

O fotógrafo da AFP, de 30 anos de idade, estava a alguns metros de distância quando a bomba explodiu na última terça-feira (6), deixando ao menos 70 mortos. A imagem da menina Tarana, de 12 anos, gritando em meio aos corpos ofereceu uma visão clara da devastação, e foi capa dos jornais americanos "The New York Times", "The Washington Post" e "The Wall Street Journal".

Tarana Akbari perdeu sete familiares no atentado, incluindo um irmão de 7 anos (Foto: Shah Marai/AFP)Tarana Akbari perdeu sete familiares no atentado,
incluindo um irmão de 7 anos (Foto: Shah Marai/AFP)

Hossaini descreveu o que aconteceu e o que significa ser um fotógrafo afegão trabalhando em seu país destruído pela guerra. Lei o relato abaixo.

"Eu estava checando a minha câmera quando de repente houve uma explosão enorme. Por um momento não tive consciência de nada, só senti a onda da explosão e a dor em meu corpo. Joguei-me no chão.

Vi um monte de gente correndo no sentido oposto à fumaça. Sentei-me e vi que minha mão estava sangrando, mas não sentia dor.

É meu trabalho saber o que está acontecendo, então corri na direção oposta de toda a gente.

Quando a fumaça baixou, vi que eu estava de pé no meio de um círculo de cadáveres, amontoados, um em cima do outro. Eu estava exatamente no lugar em que o suicida esteve.

Fiquei em estado choque. Não sabia o que fazer. Então comecei a clicar. Sabia que estava chorando. Foi muito estranho chorar, nunca tinha reagido daquela forma, antes.

Quando a fumaça baixou, vi que eu estava de pé no meio de um círculo de cadáveres, amontoados, um em cima do outro. Eu estava exatamente no lugar em que o suicida esteve."
Massoud Hossaini, fotógrafo

Não ajudei ninguém, porque não pude, estava realmente em choque. Sabia que precisava cobrir aquele horror, registrar tudo, toda a dor, as pessoas correndo, chorando, batendo no peito e gritando: 'morte à Al-Qaeda, morte ao Talibã!'.

Virei-me para a direita e vi a menina. Quando Tarana se deu conta do que tinha acontecido a seu irmão, primos, tios, mãe, avó, todas as pessoas ao redor dela, começou a gritar.

Nas minhas fotos, ela estava apenas gritando. Essa reação de choque era tudo o que eu queria captar.

(Nesse momento, chegou um grupo de jovens que começou a atacar os jornalistas no local do atentado.)

Eles me tiraram do local, mas de alguma forma eu consegui voltar e só me lembro quando as pessoas estavam carregando os corpos e eu tentei capturar aquele momento.

Eu queria apenas refletir a dor real de todos ali, para qualquer pessoa que visse minhas fotos. Não importava se afegãos, americanos, muçulmanos, cristãos, ou outros quaisquer. Só queria que soubessem o que meu povo estava sentindo."

Senti 100% tudo. Estive no local antes, durante e depois [do atentado], e fiquei ferido. Foi uma experiência importante.

Na primeira e segunda noite, tive dificuldade para dormir. Sempre que fechava os olhos, lembrava da cena, me perguntando o que mais eu poderia ter feito por aquelas pessoas, por que não ajudei ninguém?

No terceiro dia, todas essas emoções na minha cabeça acabaram porque eu descobri que a foto tinha sido publicada em todo lugar. Vi que tinha feito uma grande cobertura que tinha tido efeito importante. Graças a Deus eu estava lá e consegui tirar uma foto e enviá-la o mais rápido que consegui."

Imagem forte (Foto: imagem forte)
A menina, de 12 anos, grita em meio aos corpos de vítimas do ataque (Foto: Massoud Hossaini/AFP)


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