segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Combate à escravidão moderna na Europa é tarefa árdua

Escravidão hoje é menos visível do que nesta obra de um artista senegalês Escravidão hoje é menos visível do que nesta obra de um artista senegalês

Antes, sua mão-de-obra era negociada abertamente, já que, aos olhos da lei, o comércio de escravos não constituía crime. Embora proibido e combatido, o tráfico humano continua florescendo – na clandestinidade.

Em todo o mundo, milhões de pessoas são mantidas em servidão e forçadas a trabalhar. As principais vítimas são mulheres obrigadas a se prostituir contra a própria vontade. Mas também na gastronomia e em residências particulares perduram formas de escravidão moderna. Raramente o fenômeno está visível sendo, portanto, difícil de combater; também na Europa e especificamente na Alemanha.

Descobertas por acaso

'Escravo moderno' e filho na produção de carvão em Grão Mogol, Minas Gerais'Escravo moderno' e filho na produção de carvão em Grão Mogol, Minas Gerais

A refeição estava excelente, os clientes do restaurante etíope plenamente satisfeitos. No entanto, se soubessem sob que condições sua comida fora preparada, possivelmente ela teria ficado entalada na garganta. Pois na cozinha uma mulher trabalhava da manhã à noite, sem falar uma palavra de alemão, totalmente isolada do mundo, pelo salário de fome de 500 euros em um ano e meio – menos de um euro por dia.

Em maio de 2009, as desgraças dessa mulher da Etiópia foram manchete na Alemanha. E lembraram o destino de uma outra, indonésia, que durante anos fora explorada como escrava nos serviços domésticos da casa de um diplomata iemenita em Berlim.

Ambos os casos vieram à tona mais ou menos por acaso, pois, via de regra, os implicados são os únicos a tomar conhecimento da "moderna escravidão". Mais raro ainda é as vítimas receberem justiça, na forma de uma indenização financeira ou da condenação de seus algozes.

Leis e prática corresponsáveis

A rigor, não existem números confiáveis sobre o tráfico humano e o trabalho forçado. De acordo com estimativas de organizações nacionais e internacionais, mais de 10 milhões de pessoas seriam afetadas, em todo o mundo. A Alemanha é considerada uma espécie de eixo de conexão para esse tipo de delito, tanto como país de trânsito como de destino.

Ao que tudo indica, é na nação mais populosa e economicamente forte da Europa que a escravização se revela mais lucrativa, seja nas zonas de meretrício, na construção civil, ou na gastronomia.

Segundo a especialista em direitos humanos Heike Rabe, tanto a legislação quanto a prática das autoridades competentes contribuem para que apenas raramente um ou outro caso espetacular venha à tona. Nos setores como a construção civil ou a agricultura, submetidos a controle estatal, o foco de atenção está antes na relação trabalhista, na legalidade e em documentos, "não se presta tanta atenção se há vítimas ou se elas têm direitos".

Índia: 80 centavos por cada mil tijolos carregadosÍndia: 80 centavos por cada mil tijolos carregados

Medo da deportação

Por encomenda do Instituto Alemão de Direitos Humanos, Rabe realizou em estudo sobre o comércio humano no país, e juntamente com a fundação Memória, Responsabilidade, Futuro, participa de um projeto-piloto em prol dos direitos das vítimas da escravidão.

Uma de suas metas é obter ressarcimento financeiro pelos vencimentos não pagos. Entre os poucos sucessos registrados, está o caso do diplomata iemenita, condenado a pagar 23 mil euros à doméstica que explorava. Segundo estatísticas, entre 2006 e 2007 o número de casos de escravidão investigados elevou-se de 356 para 454.

Porém é raro os atingidos procurarem as autoridades ou os centros de aconselhamento, ou por estarem intimidados ou por temerem a deportação, já que muitos são imigrantes clandestinos. E, embora sendo chamados a testemunhar, têm poucas chances de ser indenizados, devido a seu estatuto ilegal.

Direitos inalienáveis

Alemanha: prostitutas 'por opção'? Alemanha: prostitutas 'por opção'?

O diretor do Instituto Alemão de Direitos Humanos, Heiner Bielefeldt, insiste que esses direitos inalienáveis sejam colocados à frente da legislação de estrangeiros.

"Mesmo as pessoas que, do ponto de vista das leis de imigração, encontram-se de fato na ilegalidade, também para essas vigoram os direitos humanos. Estes independem de qualquer tipo de status, inclusive do estatuto de permanência num país."

Segundo Bielefeldt, o governo alemão compartilha essa opinião, e por isso ele apela a Berlim para que ratifique a convenção do Conselho da Europa contra o tráfico de seres humanos, formulada em 2005.

Tema penoso

Trabalhadores poloneses explorados na agricultura do sul da Itália Trabalhadores poloneses explorados na agricultura do sul da Itália

Seja como for, há movimento em torno do tema. No segundo semestre deste ano, a Comissão Europeia propôs uma série de emendas legislativas no sentido de um combate mais eficiente ao abuso sexual de menores e ao comércio humano em geral.

Discute-se tanto a adoção de penas mais duras para os infratores, como o bloqueio de websites de pornografia infantil – introduzido recentemente na Alemanha, após meses de debates. No entanto, são grandes as dificuldades no caminho de uma solução comum europeia, já que sua aceitação teria que ser unânime.

A tentativa fracassada da coalizão governamental alemã de enfrentar com maior rigor a prostituição forçada e a exploração sexual ilustra bem quão penoso é esse tema. Praticamente no fim da atual legislatura, conservadores (CDU/CSU) e social-democratas (SPD) não conseguiram até hoje chegar a um projeto de lei consensual.

Autor: Marcel Fürstenau
Revisão: Carlos Albuquerque

Com Alckmin, passeando na Daslu

da série "Aprendendo com o passado"

MÔNICA BERGAMO - Folha de São Paulo, Segunda-feira 6 de junho de 2005.

Com Alckmin, passeando na Daslu

Divulgação

Donata Meirelles (de branco), Eliana Tranchesi (de preto), Geraldo e Lu Alckmin (ao centro)


"Sôôôô!". Donata Meireilles, diretora da Daslu, tenta puxar Sophia Alckmin para perto dos pais dela, Geraldo e Lu Alckmin. "Ai, eu vou chorar", diz Sophia, diretora de novos negócios da butique. Em poucos segundos o governador de SP desfará o laço da fita de inauguração da Daslu, o maior templo de consumo do país. Ali, em quatro andares e 20 mil m2, serão vendidos, a partir de quarta, 120 marcas com produtos que vão de uma caixa de band-aid por R$ 3,99 a uma ilha em Angra por R$ 8 milhões.

E soam os violinos da Daslu Orchestra, formada por 50 músicos. São 12h de sábado. Alckmin, que chegou ao prédio de helicóptero, desfaz a fita: "A Daslu é o traço de união entre o bom gosto e muitas oportunidades de trabalho", diz. Só para a família de Alckmin são duas: trabalham lá a filha e a cunhada dele, Vera, que faz listas de presentes para noivas. A loja tem outros 958 funcionários.

Lágrimas, aplausos, tumulto. Uma flûte de champanhe se estilhaça no chão, aos pés do governador. "Não tem ninguém descalço aqui, né?", diz a primeira-dama, Lu Alckmin. O governador se abaixa para pegar os cacos. Garçons de luvas brancas socorrem o casal. O modelo Anderson Varejão pergunta se Alckmin é "candidato à Presidência". "Vou responder só no ano que vem", diz Alckmin.

Sophia puxa o pai pelo braço: começa o tour pela Daslu. Primeiro piso, importados femininos. Alckmin entra na Chanel, onde um smoking de veludo preto é vendido a R$ 22.600, uma sandália de cetim, gurgurão e pérolas sai por R$ 2.900 e uma bolsa multipocket, por R$ 14.000. As vendedoras informam que há mais de 50 pessoas na fila em SP para comprar o mimo, até baratinho se comparado à bolsa Dior de couro de crocodilo, de R$ 39.980, e à mais cara Louis Vuitton, com pele de mink: R$ 23 mil.

O ex-senador Pedro Piva e Andrea Matarazzo, secretário de Serviços da Prefeitura, encontram o governador. "Estamos querendo fazer a Dasluz no centro de SP", diz Matarazzo. "Aí esculhamba tudo. Confunde o perfil", opina Piva.

John Kirton, presidente da Chanel para as Américas, veio do Panamá prestigiar a nova Daslu. A marca tem lojas no México e em SP. Kirton revela que as brasileiras "compram mucho". Mais do que no México? "Bastante más acá."

A empresária Helena Motin é uma das grandes clientes de Chanel no Brasil. Emocionada, elogiava a nova Daslu.

"Isso aqui é uma apoteose", dizia. Motin compra "Chanel, Prada, Gucci, tudo na Daslu. Não compro mais nada lá fora". Ela diz que a maior extravagância que já fez na vida foi "gastar R$ 280 mil numa Mercedes. E na Daslu foi durante uma liqüidação. Fui me empolgando, me empolgando... Eram umas 20 peças, todas de grife. Hoje mesmo (sábado, 18h) acabei de reservar dois sapatos Chanel. Eu poderia passar o dia me perdendo na Daslu. Aqui é o lugar mais maravilhoso para se perder no mundo." Beth Szafir também estava deslumbrada com a loja. "Tenho vontade de jogar meu guarda-roupa no lixo e comprar tudo novo."

Alckmin segue andando pelo labirinto de lojas estrangeiras, umas grudadas nas outras (na Daslu não há vitrines nem corredores e as escadas rolantes estão embutidas, para não serem vistas. Nada pode lembrar um shopping center).

Chanel emenda com Gucci -onde uma jaqueta de couro sai por R$ 39.498 -, que emenda com Armani -um blazer pode custar R$ 31.240 -que emenda com Prada -um casaco de mink, R$ 47 mil -YSL, Dolce & Gabbana (um jeans, R$ 4.180), Valentino (um casaco de marta-zibelina, com oito rabos do animal na ponta de cada uma das mangas, R$ 43.420).

Um champanhe-bar une as lojas femininas -as portas de Dior, Fendi, Prada e Emilio Pucci dão nele. É um átrio com poltronas verdes e brancas, cortinas de linho estendidas por dois andares e paredes beges bem claras -cor de todos os espaços internos coletivos do prédio. Nos dois dias da festa, que terminou ontem, foram servidas 2.280 garrafas de Veuve Clicquot para 6.000 convidados, que chegaram em 3.000 carros, foram servidos por 500 garçons e zelados por quase cem seguranças.

Sophia leva o pai até o segundo pavimento. Mostra um helicóptero pendurado no teto. "Que lindas as motos, Sô", diz Lu Alckmin à filha ao ver, encostada perto da escada, uma moto Harley Davidson (R$ 195 mil). Alckmin entra na Ermenegildo Zegna, passa pela Ralph Lauren, onde uma camiseta pode custar R$ 2.460. "É tudo muito colorido aqui", observa.

Os carros chamam a atenção do governador. Estão em exibição um Volvo de R$ 365 mil (sem utilitários), lanchas de R$ 7 milhões, TVs de plasma de R$ 300 mil. Na importadora de vinhos, um Chateau Petrus, safra 2000, sai por R$ 20 mil. "Aqui é o setor de tecnologia. Porque o homem vai vir na Daslu ver os brinquedos dele, e não só roupa", diz Nizan Guanaes, que faz tour com um grupo que cruza com o de Alckmin. "Que maravilha, Nizan", diz a publicitária Silvana Tinelli ao encontrar o amigo. "É o maravilhoso mundo do consumo!", diz Nizan.

"Não tem nada igual no mundo", diz o arquiteto Julio Neves, responsável pelo projeto. Ele calcula que a reforma custou "uns R$ 50 milhões. Isso aqui não é um shopping. É um castelo." "É meio Disney. A primeira vez que a gente vai, fica chapado", diz o publicitário Ucho Carvalho, consultor da Daslu. Soraia Milan, diretora de compras da butique, diz que "uma cliente Daslu volta à loja a cada dez dias porque aqui o ato da compra é prazeroso. Ela fica amiga da vendedora, encontra amigas, toma um suquinho, come um lanchinho. E aí vai às compras", diz. "Isso aqui é um clube", completa Julio Neves.

"Vou duas vezes por mês à Daslu", diz Ana Nogueira, dona-de-casa que, de colar Swarovski, prestigiou a inauguração de sua butique predileta. "Adoro passar o dia, fazer compras, almoçar, tomar cafezinho...Mas tenho limite: gasto até R$ 5 mil mensais com roupa", dizia, tomando champanhe com a amiga Beth Ferraz, para quem "a Daslu é um spa". Beth diz que certa vez "meu marido foi para Paris. Fiquei com raiva e detonei R$ 10 mil. Mas, como trabalho, sei o valor do dinheiro. Eu detono pouco. Agora, se a peça é clássica, pago. Dou R$ 20 mil tranqüilamente por uma peça que vou repassar à minha filha".

O governador começa a fazer o caminho de volta. Passa de novo por Ralph Lauren, Chanel. Os repórteres perguntam a Lu Alckmin: "A senhora está de bolsa Chanel. E a blusa? "É Burberry", responde Lu. "Gosto de peças clássicas". O governador, que diz comprar só "umas camisas" na Daslu, aperta o passo. Ainda vai a Carapicuíba. E Lu tem que correr para o Palácio dos Bandeirantes. Precisa se trocar, "colocar um jeans", para o próximo compromisso: um evento na Água Branca em que caminhões de vários bairros entregarão agasalhos doados para as crianças pobres da cidade enfrentarem o inverno que se avizinha.

Prezada Mônica Bergamo,
Parabéns. Seu texto sobre a inauguração da Daslu é jornalismo de primeira.
Indignei-me à medida que caminhei ao lado do governador pelas lojas e soube os preços dos "brinquedinhos". A cada comentário das "daslusetes" minhas entranhas se revolveram.
O casal Geraldo e Lu terem que sair correndo para Carapicuíba e Água Branca foi o confeite na sutil ironia que permeou todo seu relato. Mais uma vez, parabéns.
Agora vou chorar um pouco. A insensibilidade das elites que adoram se "perder no lugar mais maravilhoso do mundo" pertinho da miséria do país mais injusto do mundo, dá vontade de morrer.
Ricardo Gondim

Soli Deo Gloria

domingo, 23 de agosto de 2009

Fora da Zona de Conforto! [23/08/09]

Europa enfrenta dificuldades no combate à escravidão moderna
Em todo o mundo, milhões de pessoas são mantidas em servidão e forçadas a trabalhar. As principais vítimas são mulheres, obrigadas a se prostituir contra a própria vontade. Mas também na gastronomia e em residências particulares perduram formas de escravidão moderna. Raramente o fenômeno está visível sendo, portanto, difícil de combater; também na Europa e especificamente na Alemanha.
foto: 'Escravo moderno' e filho na produção de carvão em Grão Mogol, Minas Gerais

Ortega declara Nicarágua "livre de analfabetismo", certificado pela Unesco
O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, declarou neste sábado oficialmente seu país como "território livre de analfabetismo", após reduzir durante seu mandato a taxa de iletrados de 20,7% para 3,56%, uma estatística avalizada pela Unesco.

Responsáveis por escravidão de indígenas são denunciados
Cerca de 60 trabalhadores da etnia Kaingang foram submetidos à condição análoga à escravidão por um período de dois anos. O crime foi descoberto porque três vítimas da exploração entraram com ações trabalhistas na Justiça

Operações reforçam elo entre escravidão e desmatamento
Intensificação do esforço de fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e da atuação do Ministério Público do Trabalho (MPT) nos últimos anos resulta em flagrantes e ações contra o trabalho escravo no Amazonas

Cadeia são para os de baixo

"Cadeia são para os de baixo. O Brasil é onde se tem o maior indice de prisão preventiva do mundo. E quem são estes 193.000 presos sem sentença final? Pobres. É uma justiça injusta porque prende pobres e privilegia outras classes."
Luis Flavio Gomes - jurista

Guerra do Congo

No sudeste do Sudão, nas fronteiras congolesas, os Médicos Sem Fronteiras trabalham em dez de milhares de campos de refugiados congolese e sudaneses deslocados internamente que fugiram de violentos ataques do grupo rebelde de Uganda - LRA (Lords Resistance Army - Exército Senhores da Resistência)

As fotografias neste vídeo de Brendan Bannon foram tiradas na sua visita a área.


Brasil - Marina Silva e a relação ‘fé e política’

Jung Mo Sung
Adital -

A saída da senadora Marina Silva do PT e sua provável candidatura à presidência do país pelo PV terá algum efeito na relação entre "fé e política" nas comunidades de base e no cristianismo de libertação no Brasil?

Essa pergunta pode parecer estranha, mas eu penso que é bastante pertinente. Uma das grandes novidades do cristianismo de libertação foi a introdução do tema "fé e política" na vida e prática das comunidades cristãs. Na década de 80, era quase impensável alguém ser das comunidades de base e não participar de alguma discussão sobre " fé e política". Uma "fé viva" deveria ser expressa através da participação na política. Naquela época, e ainda hoje em muitos lugares, a "política" da "fé e política" era tudo o que se referia ao bem comum na sociedade. Assim, incluía desde ações sociais na área de saúde até candidaturas de líderes comunitários nas eleições legislativas e executivas em nome da fé cristã. Não havia uma diferenciação entre a ação social, movimento populares, movimentos sociais, ação política e participação nos partidos políticos. Tudo era visto como "Política" (com "P" maiúscula).

Na relação entre fé e política, não havia (e em muitos grupos ainda não há) uma clareza sobre o tipo dessa relação. Assim, com freqüência se ia do campo da fé para o da política de modo direto, sem mediações. Traduzindo isso em um exemplo bem simplificado, podemos dizer que ter uma fé viva significava fazer opção pelos pobres e essa opção pelos pobres, a partir da fé, deveria ser expressa em participação política assumida pela comunidade ou pelas Cebs. Em muitos casos, isso a identificar a participação na comunidade de base com a militância ou adesão a candidatos de um partido assumido pelas lideranças da comunidade. Por isso, em muitas partes do Brasil, ser das Cebs significa ser do PT. É claro que isso não foi em todos os lugares, mas era muito difícil encontrar comunidades de base ou movimentos e grupos de fé e política que tivessem nas suas lideranças pessoas de partidos diferentes. Especialmente de partidos que eram tachados de representantes da burguesia ou do reformismo.

Essa quase identificação natural entre as Cebs e o PT (com algumas exceções, por ex., em algumas regiões do Rio Grande do Sul, o brizolismo dividiu com o PT essa identificação) entrou em uma pequena crise quando surgiu PSOL, que teve entre seus fundadores algumas figuras identificadas com as Cebs e o cristianismo de libertação. Mas, nessa época o tema e o movimento de "fé e política" já estava em crise. Além disso, de um lado, PSOL não teve um grande impacto na vida eclesial e social do país; de outro, diversos setores do cristianismo de libertação viram o PSOL como uma radicalização da opção pelos pobres, da linha mais radical da "fé e política", que seria uma alternativa ao reformismo ou "traição" do governo Lula.

Mas, eu penso que agora, com a candidatura da Marina Silva, as coisas serão diferentes. Não podemos esquecer aqui que o PV, diferentemente do PSOL, não é uma radicalização da postura marxista. A introdução do tema do desenvolvimento sustentável (tratado no artigo anterior) não é um simples adendo ao pensamento marxista tradicional, mas uma ruptura, sem perder de vista as grandes contribuições de Marx. A candidatura dela já nasce forte, com apoio de setores importantes da sociedade e também de figuras destacadas do cristianismo de libertação. Com isso, provavelmente teremos dentro de uma mesma comunidade, grupos ou movimentos cristãos identificados com o cristianismo de libertação uma divisão significativa entre aqueles que apoiarão o PT e o PV na próxima eleição presidencial. Isto é, não haverá mais uma identificação ou uma relação direta entre assumir a fé cristã, na perspectiva da libertação, com uma postura política ou opção partidária.

O pior que poderia acontecer para as comunidades cristãs seria a demonização do PT ou do PV e da candidatura da Marina Silva, na tentativa de manter a visão de que a fé só pode ser expressa socialmente através de um único caminho político-técnico. Eu espero que a divisão política no interior das comunidades de base e do cristianismo de libertação seja visto como um momento de aprendizagem sempre necessária de que comunidade cristã deve ser lugar onde as pessoas celebram e fortalecem a fé cristã libertadora, respeitando pessoas que têm diferentes visões e propostas técnicas ou políticas. Em outras palavras, aprender que entre Fé e Política deve haver uma mediação e que a fé e opções teológico-religiosas não devem ditar as escolhas de caminhos políticos e técnicos na solução dos graves problemas que aflige o povo e o planeta.

Ajude a Nicarágua


A história de Sarah Ezequiel

Você pode achar o filme inquietante, até mesmo chocante, para assistir.
Este filme tem sido dado um certificado 15. Pessoas com menos de 15 anos são aconselhadas a não vê-lo.

Este vídeo do Reino Unido apresenta Sarah Ezequiel, que está vivendo com MND e que depois se tornou o nome desta campanha.
MND, Doença do Neurônio Motor, na maioria dos casos, é uma doença rapidamente progressiva e fatal que pode afetar qualquer adulto a qualquer momento. A causa da MND é desconhecida e não há nenhuma cura conhecida. MND afecta cerca de 5.000 pessoas apenas no Reino Unido, a qualquer momento. No Reino Unido, pelo menos cinco pessoas por dia morrem de MND. Expectativa de vida para a maioria das pessoas com MND é apenas de dois a cinco anos.

A história de Sarah será exibido em mais de 60 salas de cinema em toda a Inglaterra e País de Gales, em janeiro e fevereiro.

Parte da campanha está no 90-second film que se destina a transmitir o impacto emocional de receber o diagnóstico de MND. Ela conta a história de uma jovem mulher que está passando e é "atacado" pelo MND. Uma actriz interpreta o papel de Sarah e que seu corpo se deteriora e a cabeça da atriz é sobreposta sobre o corpo de Sarah Ezequiel.

A história de Sarah Ezequiel encontra-se no site da Associação MND.
http://www.sarahsstory.org.uk/

via osocio.org

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