domingo, 21 de fevereiro de 2010

Pecar é omitir-se

Paulo Brabo - www.baciadasalmas.com

Este é o momento em que o mais desatento dos leitores desta série deverá ser capaz de me acusar de parcialidade, porque terá percebido que estou falando o tempo todo em espírito subversivo, em comunidade inclusiva e mudar o mundo, e não reservei qualquer espaço ou qualquer ênfase para falar de pecado ou de condenação (que é sua consorte) ou de salvação (que é o seu algoz). Quem me acompanhou até aqui poderá ter a impressão de que a boa nova que encontro nos evangelhos e neste livro de Atos apregoa menos uma religião a ser adotada (ou uma salvação a ser apropriada) do que um movimento revolucionário, com conotações vagamente hippies, cuja imoderada ambição é derrubar preconceitos, desarmar impérios e corrigir desigualdades ancestrais tendo um sonho por capacete e uma flor por espada. Meu leitor poderá pensar que vejo o cristianismo deste primeiro século como uma conspiração radical e pacífica, soprada do céu mas com consequências muito práticas e exigentes neste nosso mundo; um movimento humanitário e humanizador cuja marca mais visível e consistente era a promoção de toda sorte de inusitada reforma social, tendo em vista a criação de uma nova e radicalmente inclusiva estirpe de comunidade, pelo uso indiscriminado e intransigente da (sempre perigosa) ferramenta da paz e do amor. Poderá concluir que é mais ou menos isso que, na minha visão, Jesus entendia por reino de Deus.

E pensando assim não estará muito longe da verdade.

Porém mesmo quem se mostrou capaz de concordar comigo que para Lucas arrepender-se é mudar o mundo pela via da inclusão social (e não, como costumamos pensar, “abandonar o pecado” em qualquer sentido convencional) pode não resistir à indelicadeza de me lembrar que o batismo, tanto no livro de Atos quanto no evangelho do mesmo autor, é declaradamente administrado “tendo em vista a absolvição dos pecados”.

É precisamente o que Pedro acaba de dizer em sua resposta exemplar aos romeiros do Pentecostes (Atos 2:38), e é assim que Lucas descreve o batismo administrado por João durante o seu ministério (Lucas 1:77, 3:3). Não há como escapar que, para o autor de Lucas-Atos, o batismo (quer entendido como mergulho na água, na comunidade dos discípulos ou no espírito de Jesus), possibilitava Nossos pecados mais graves são os nossos pecados mais frequentes e mais públicos – e também os mais invisíveis.por si mesmo o resgate ou absolvição dos pecados – ou estava, pelo menos, irreparavelmente associado a esse indulto.

Como que para reforçar essa vitória final sobre a transgressão e o ingresso num novo modo de vida (movimento duplo que, afinal de contas, consiste na leitura usual que fazemos do batismo), Pedro conclui sua resposta exemplar com essa mesma ênfase no pecado: “salvai-vos desta geração perversa” (v. 40).

Não estarei então, com essa história de paz e amor e de reforma social, sendo culpado de dourar a pílula e de minimizar as ênfases dos apóstolos na necessidade de uma nova vida de pureza não apenas social mas pessoal (ou, para chutar o pau da barraca, já que é nisso que estamos sempre pensando, pureza sexual)?

Quando Lucas fala em “remissão dos pecados”, de que pecados estamos falando?

Podemos, sem forçar nem um pouco a mão, supor que nos versos acima a “remissão (ou absolvição) dos pecados” refere-se a toda sorte de transgressões – das mais ligeiras às mais severas, das mais enraizadas às mais recentes, das mais distraídas às mais fogosas; podemos ainda, como fizemos há alguns parágrafos, supor que incluía tanto as faltas que podiam ser canceladas pela apresentação de sacrifícios quanto aquelas que nenhuma oferta podia apagar.

Porém não temos como saber ao certo, porque ninguém nos evangelhos ou no livro de Atos rebaixa-se a fazer uma lista de pecados ou a dividi-los em classes ou categorias. Fomos nós que mais tarde nos alçamos a preencher essa lacuna e empreendemos uma temerária tabulação (e talvez não exista pecado maior).

Isso não quer dizer, no entanto, que não haja indicação muito clara, nos evangelhos, de quais são na visão de Jesus e de João Batista os pecados mais condenáveis – porque temos de supor que as faltas que mais frequentemente reprovam representam para eles também os pecados mais graves. E, para surpresa e embaraço dos que se afirmam representantes legítimos da sua herança, os pecados que Jesus e seu precursor consistentemente denunciam não são aqueles que chamamos “da carne” – a promiscuidade, o adultério, a luxúria, a gula, a embriaguez e suas criativas e embraçosas variações, – nem os pecados que classificamos como espirituais – a idolatria, a incredulidade, a impenitência e seus et ceteras.

Para Jesus, nossas faltas mais graves são justamente os nossos pecados mais frequentes e mais públicos – e também os mais invisíveis, aqueles que precisamos de uma epifania, uma poderosa e inclemente intervenção exterior, para sermos capazes de enxergar. Porque para ele os pecados realmente graves não são os que promovem as distrações da carne ou as atrofias da irreligião, mas os que dizem respeito às relações entre as pessoas. Pecar não é rebaixar-se ao sensorial ou negar-se a dobrar-se à devida evidência; pecar é recusar-se a ser como Deus, e recusar-se a ser como ele é recusar-se a oferecer indiscriminadamente a misericórdia. Pecar é sonegar um abraço, um curativo e um lugar à mesa.

O incrível é que essa sua opinião seja endossada sem ressalvas por ninguém menos que João Batista, o asceta e o outsider, o profeta que pelo que sabemos não conheceu o abraço sexual, que se vestia de pelos de camelo, vivia monasticamente no deserto e recusava-se a se alimentar do que não lhe fosse entregue sem intermediários pela natureza. Como vimos há pouco, o próprio João Batista, embora mantivesse a sua sob controle, recusava-se a imprimir qualquer ênfase sobre os pecados da carne; os frutos do arrependimento que ele reconhece e recomenda dizem todos respeito à aplicação da misericórdia e da justiça na relação entre as pessoas1.

No Novo Testamento o pecado a ser abandonado, perdoado e corrigido está invariavelmente ligado à qualidade da nossa relação com o outro. Abandonar o pecado (ou, alternativamente, “vencer a carne”) é adotar um modo de vida e de pensar justo e igualitário, e talvez nenhum outro evangelista se esforce para deixar isso mais claro do que o autor de Lucas-Atos.

Já vimos que a questão da generosidade e da distribuição igualitária de recursos está no cerne da parábola do rico e do Lázaro (Lucas 16:19-31). Mas a inclusividade e a misericórdia são também as lições de outra parábola peculiar a Lucas, a história do bom samaritano (10:33-36). Tecnicamente o levita e o sacerdote não cometeram pecado algum passando ao largo do homem ferido na estrada; ao contrário, não seria fora de tom, naquele tempo, elogiar o zelo dos dois em manter a pureza ritual e, consequentemente, sua aptidão para participar do culto no Templo. Ao apresentar a generosidade sem critério e sem medida do samaritano que passou em seguida, Jesus está explicando (a seu modo sempre transversal) que o pecado dos dois primeiros não foi, incrivelmente, de natureza positiva, mas negativa. Ambos se tornaram condenáveis não por algo que fizeram, mas por algo que deixaram de fazer. Seu pecado foi omitirem-se.

Essa preocupação com a correção das injustiças sociais é um dos temas centrais da doutrina de Lucas. Como vimos, é apenas Lucas que explica que os frutos do arrependimento são demonstrações de generosidade e justiça. É apenas Lucas que faz Jesus dizer aos discípulos (e não apenas ao jovem rico) “vendam o que possuem e dêem como esmola” (12:33). A inclusividade e a misericórdia são ainda a chave da parábola (também peculiar a Lucas) do filho pródigo (15:11-32). É apenas Lucas que conta a história de Zaqueu (19:1-10), que viu a face da salvação no dia em que decidiu restituir as injustiças econômicas que havia imposto aos submetidos à sua influência. E, como estamos prestes a ver, esta ênfase humanitária e igualitária se estenderá muito inequicamente livro de Atos adentro.

E, embora seja Lucas a escancarar o tema, será preciso lembrar que este assunto e esta ênfase não são de modo alguma exclusividade sua. Para levantar um único e espetacular exemplo, basta lembrar a última porção (25:31-46) do último discurso público de Jesus registrado no evangelho de Mateus. Aqui o rabi de Nazaré está muito declaradamente separando ovelhas de bodes: a triagem final está sendo feita entre os que serão admitidos no paraíso e os que serão lançados sem trâmite no inferno. E, inacreditavelmente, na opinião de Jesus os pecados que merecem o inferno não são, nenhum deles, convencionais ou positivos. Neste que é o último momento e definitivo momento, o filho do Homem (e portanto o próprio Deus) não reserva uma palavra de condenação para os idólatras, os apóstatas, os adúlteros, os lascivos e os incrédulos. Escandalosamente, na cena final os condenados não são os que fizeram o que não era permitido, mas os que deixaram de fazer o bem ao próximo – “porque tive fome, e não me destes de comer; tive sede, e não me destes de beber; era forasteiro, e não me acolhestes; estava nu, e não me vestistes; enfermo, e na prisão, e não me visitastes”.

A última mensagem de Jesus na narrativa de Mateus é, portanto, a mesma tão calorosamente avançada por Lucas ao longo do seu próprio evangelho e da sua continuação. Para nós a reviravolta reside em que, ao contrário de tudo que a tradição cristã levou-nos a pensar nos séculos que nos separam dos dias do Filho do Homem, pecar não é fazer o proibido: pecar é omitir-se. “Sempre que o deixaste de fazer a um destes mais pequeninos, deixastes de o fazer a mim”.

E ele não hesita em pontuar singelamente: “E irão eles para o castigo eterno, mas os justos [isto é, os que não se omitiram] para a vida eterna”.

Uma das tremendas singularidades dos evangelhos, portanto, está na sua insistência e na sua consistência em sugerir que todos os pecados são sociais – ou melhor dizendo, todos os pecados dizem respeito às relações interpessoais.

Esta realidade está encapsulada nos dois mandamentos que Jesus reconheceu como estando acima de todos os outros, as injunções de amar a Deus (sobre todas as coisas) e amar ao próximo (como nós mesmos). Se são esses os grandes mandamentos, são essas também as grandes transgressões. Pecar não é avançar contra o que é proibido, é mostrar-se em falta com as pessoas.

É por isso, naturalmente, que arrepender-se é abraçar a inclusividade e a misericórdia; porque fazer isso é deixar, finalmente, de pecar contra Deus e contra o próximo. É evidentemente isso o que Pedro está dizendo com este “salvai-vos desta geração perversa” – isto é, desassociem-se por completo do modo exclusivo/egoísta de viver e de pensar das pessoas deste mundo. E que Pedro cria que a alternativa à perversidade do mundo são a inclusividade e a generosidade (e não, digamos, o ascetismo e a religiosidade), ficará muito claro no que acontecerá depois.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Carta a um homem que pede que eu o ensine como orar

Caro Z.,

Obrigado pela sua mensagem, pelo carinho e pelos comentários sobre o livro.

Nem de perto imagino as dificuldades da sua presente situação, mas o fato é que não tenho respostas definitivas a oferecer aos seus questionamentos – e, mais importante, você não deveria acreditar em mim se eu afirmasse que tivesse.

Você pergunta como e por que uma pessoa sem religião – “sem um ato espiritual, que pisou uma igreja somente em seu batismo e não tem o hábito de orar” – pode prosperar. O que posso dizer é que variações deste questionamento aparecem constantemente ao longo do Antigo Testamento (por exemplo, no salmo 73).

O que o Novo Testamento faz, como em todos os assuntos, é reverter a pergunta: porque uma pessoa sem Deus não deveria prosperar? Deus derrama o seu sol e faz chover sobre justos e injustos. Melhor ainda: porque uma pessoa com Deus deveria prosperar? Na verdade, há inequívocas indicações no Novo Testamento de que seguir Jesus é seguir o seu caminho de renúncia, sofrimento, anulação e desintegração. A teologia da prosperidade não encontra qualquer brecha nesta boa nova.Cabe aos homens, e não a Deus, corrigir as injustiças deste mundo. O que está dito aqui é “quem quiser me seguir negue-se a si mesmo tome a sua cruz” e “basta a cada dia o seu mal”. Ou ainda, minha expressão favorita, encontrada em Atos 14:22: “por muitas tribulações nos é necessário entrar no reino de Deus”.

Será então verdade que o cristianismo é um movimento essencialmente pessimista? Sim e não. O que os seus primeiros proponentes deixam claro é que quem quiser seguir Jesus (e ele mesmo deixou claro que ninguém é obrigado!) deve estar disposto a deixar tudo para trás a fim de assumir um novo caminho. A estranhíssima vocação de um seguidor de Jesus é encontrar a paz mitigando o sofrimento dos outros, e não o seu próprio.

Para Jesus e os demais autores do NT, o problema do mundo dos homens é que ele é totalmente implacável; precisamente como animais, as pessoas só buscam solução para os seus próprios apetites, deixando pouco ou nenhum espaço para misericórdia, para a inclusividade e para o respeito interpessoal. É justamente porque o mundo é implacável que você foi demitido e ainda não encontrou espaço para voltar ao mercado. Na grelha do capitalismo, cair para o fogo aos 56 anos de idade é considerado trajeto sem volta.

A boa nova, como apresentada por Jesus, é que o reino de Deus foi inaugurado, e nesta nova realidade todos devem trabalhar de forma voluntária e consistente para que o mundo se torne menos implacável. Neste reino todos devem dar um passo além da carne (ou seja, dar um passo além das limitações da natureza humana), e aprender a imitar a Deus em sua inclusividade e generosidade. Arrepender-se é mudar o mundo.

Basta olhar ao redor para ver que este é um processo que está longe de estar sendo implantado satisfatoriamente. Mais do que isso, Jesus deixou suficientemente claro que a boa nova é de tal natureza que não devemos esperar ser nós mesmos beneficiados por ela; o que cada um pode esperar é meramente fazer sua parte para que o mundo se mostre menos implacável e injusto para os outros. O mundo dos afetados pelas nossas omissões é o único que podemos mudar.

Desde o tempo de Jó uma importante linha de pensamento dentro da Bíblia defende a idéia de que as coisas não acontecem neste mundo a partir de uma lógica de retribuição. Neste mundo não é que os bonzinhos e esforçados são premiados e os malvados punidos e confundidos. Como deixa claro o próprio livro de Jó, o mistério é mais profundo e não há respostas fáceis para o problema do sofrimento.

O escândalo do Novo Testamento está em sugerir que não apenas a religião não é necessária para sermos beneficiados pela graça divina, mas que cabe aos homens, e não a Deus, corrigir as injustiças deste mundo. Isso se faz quando nos arrependemos – isto é, quando passamos a imitar Deus em sua disponibilidade assombrosa de dar e dar-se.

Na lógica exigente da boa nova é por minha culpa que você está desempregado, e amenizar as durezas da sua condição é de minha única responsabilidade. Não posso pedir que Deus faça isso, e não posso esperar que outra pessoa o faça.

Numa palavra, não posso ensinar você a orar, mas posso oferecer um abraço, um beijo e um lugar à mesa. Mande seu telefone que quero ligar pra gente conversar.

Abração

PB (www.baciadasalmas.com)

Livre Arbitrio e Predestinação

‘Se não vos converterdes, todos perecereis’

Leonardo Boff

Adital -
Disse Jesus nos evangelhos: "Se não vos converterdes, todos vós perecereis". Quis dizer: "Se não mudardes de modo de ver e de agir, todos vós perecereis". Nunca estas palavras me pareceram tão verdadeiras como quando assisti a Crônica de Copenhague, um documentário da TV francesa e passada num canal fechado no Brasil e, suponho, no mundo inteiro. Na COP-15 em Copenhague em dezembro último, se reuniram os representantes das 192 nações para decidir a redução das taxas de gases de efeito estufa, produtores do aquecimento global.

Todos foram para lá com a vontade de fazer alguma coisa. Mas as negociações depois de uma semana de debates acirradíssimos chegaram a um ponto morto e nada se decidiu. Quais as causas deste impasse que provocou decepção e raiva no mundo inteiro?

Creio que, antes de mais nada, não havia suficiente consciência coletiva das ameaças que pesam sobre o sistema-Terra e sobre o destino da vida. É como se os negociadores fossem informados de que um tal de Titanic estaria afundando sem se dar conta de que se tratava do navio sobre o qual estavam, a Terra.

Em segundo lugar, o foco não estava claro: impedir que o termômetro da Terra suba para mais de dois graus Celsius, porque então conheceremos a tribulação da desolação climática. Para evitar tal tragédia, urge reduzir a emissão de gases de efeito estufa com estratégias de adaptação, mitigação, concessão de tecnologias aos países mais vulneráveis e financiamentos vultosos para alavancar tais medidas. A preocupação agora não é garantir a continuidade do status quo, mas dar centralidade ao sistema Terra, à vida em geral e à vida humana em particular.

Em terceiro lugar, faltou a visão coletiva. Muitos negociadores disseram claramente: estamos aqui para representar os interesses de nosso país. Errado. O que está em jogo são os interesses coletivos e planetários, e não de cada país. Isso de defender os interesses do país é próprio dos negociadores da Organização Mundial do Comércio (OIT), que se regem pela concorrência e não pela cooperação. Predominando a mentalidade de negócios funciona a seguinte lógica, denunciada por muitos bem intencionados, em Copenhague: não há confiança, pois todos desconfiam de todos; todos jogam na defensiva; não colocam as cartas sobre a mesa por temerem a crítica e a rejeição; todos se reservam o direito de decidir só no último momento como num jogo de pôquer. Os grandes jogadores se omitiram: a China observava, os EUA calavam, a União Européia ficou isolada e os africanos, as grandes vítimas, sequer foram tomados em consideração. O Brasil no fim mostrou coragem com as palavras denunciatórias do Presidente Lula.

Por último, o fracasso de Copenhague -bem o disse Lord Stern lá presente- se deveu à falta de vontade de vivermos juntos e de pensarmos coletivamente. Ora, tais coisas são heresias para espírito capitalista afundado em seu individualismo. Este não está nada interessado em viver juntos, pois a sociedade para ele não passa de um conjunto de indivíduos, disputando furiosamente a maior fatia do bolo chamado Terra.

Jesus tinha razão: se não nos convertermos, vale dizer, se não mudarmos este tipo de pensamento e de prática, na linha da cooperação universal jamais chegaremos a um consenso salvador. E assim iremos ao encontro dos dois graus Celsius de aquecimento com as suas dramáticas consequências.

A valente negociadora francesa Laurence Tubiana no balanço final disse resignadamente: "os peixes grandes sempre comem os menores e os cínicos sempre ganham a partida, pois essa é a lógica da história". Esse derrotismo não podemos aceitar. O ser humano é resiliente, isto é, pode aprender de seus erros e, na urgência, pode mudar. Fico com o paciente chefe dos negociadores Michael Cutajar que no final de um fracasso disse: "amanhã faremos melhor".

Desta vez a única alternativa salvadora é pensarmos juntos, agirmos juntos, sonharmos juntos e cultivarmos a esperança juntos, confiando que a solidariedade ainda será o que foi no passado: a força secreta de nossa melhor humanidade.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Lutamos contra a morte

Jung Mo Sung
(...) A CF deste ano deve ajudar as comunidades a tomarem mais consciência da materialidade da vida e da íntima relação entre essa dimensão e a salvação. A Bíblia, diferentemente da filosofia grega que divide o ser humano em corpo X alma, nos ensina que, na criação, Deus insuflou nas narinas do ser humano "um sopro de vida e o homem se tornou um ser vivente" (Gn 2,7). Nós somos seres viventes e como tais lutamos contra a morte. E a imagem de "sopro de vida" nos lembra que a vida é o dom mais precioso que recebemos de Deus, que a vida vem de "dentro" de Deus (nosso Deus é Deus da Vida) e que, como sopro, a vida é algo frágil que precisa ser continuamente cuidada e preservada. Por isso, a Bíblia continua a narrativa dizendo que Deus fez brotar da terra "toda espécie de árvore formosa para ver e boas de comer". A vida humana é para ser vivida na formosura, beleza, e com boa comida partilhada.
É pela mesma razão que Jesus disse que veio para que todos nós tenhamos vida e a tenhamos em abundância (cf. Jo 1010), assim como nós celebramos na eucaristia a memória de Jesus, que viveu e lutou para que a mesa compartilhada fosse uma realidade para toda a humanidade e, por isso, deixou o seu corpo como comida e o seu sangue como bebida. E na missa católica apresentamos, na oferta, "o pão que é fruto da terra e do trabalho do homem".
A vida humana depende do trabalho e da "natureza", depende também de como funciona a economia. E salvar a vida contra as forças da morte e contra as mentiras (8º. mandamento, na versão da Igreja Católica e 9º na versão das Igrejas protestante) e idolatrias que justificam essas mortes em nome de falsos deuses das (2º/3o. mandamento) é a missão do cristianismo e das igrejas.
Se perdermos de vista a dimensão material-econômica da vida, perdemos de vista o ser humano real e concreto e, assim, perdemos o núcleo da missão cristã e o que faz valer a pena sermos cristãos hoje, apesar de tudo. (No próximo artigo, o aspecto teológico-espiritual da economia).

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Marginalizados no mundo, centrais na Igreja


"Aqueles que são marginalizados no mundo são centrais na Igreja, e é assim que deve ser! Portanto nós somos chamados como membros da Igreja para continuar indo às margens da nossa sociedade. Os sem-teto, os famintos, os órfãos, pessoas com AIDS, nossos irmãos e irmãs perturbados emocionalmente - eles requerem nossa primeira atenção.

Podemos confiar que quando nós estendermos a mão com toda a nossa energia para as margens da nossa sociedade nós descobriremos que pequenas discordâncias, debates infrutíferos e rivalidades paralisantes irão gradualmente cessar e desaparecer.

A igreja será sempre renovada quando nossa atenção mudar de nós mesmos para aqueles que precisam do nosso cuidado. A bênção de Jesus sempre vêm a nós através do pobre. A experiência mais notável daqueles que trabalham com o pobre é que, no final, o pobre dá mais do que recebe. Eles nos dão comida..."

Henri Nouwen


terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Quanto custa para salvar uma vida?


Muitos de nós consideramos difícil doar dinheiro para pessoas que nunca vimos e de países distantes que nunca visitamos. Isso é ainda mais difícil durante períodos de incerteza econômica, quando muitas pessoas ficam ansiosas quanto às suas perspectivas econômicas. Embora este livro não tente depreciar os desafios que acompanham os momentos difíceis da economia, devemos lembrar que, mesmo na pior hora, nossas vidas continuam sendo melhores do que as daquelas pessoas que vivem em meio à pobreza extrema.
Quanto custa salvar uma vida? lança a esperança de que você veja o quadro geral e pense sobre o que é preciso para viver eticamente em um mundo no qual 18 milhões de pessoas morrem desnecessariamente a cada ano, uma taxa de mortalidade maior do que a da Segunda Guerra Mundial. Nos últimos 20 anos, somam-se mais mortes do que as causadas por todas as guerras civis e internacionais e pela repressão dos governos de todo o século XX - o século de Hitler e Stalin. O quanto daríamos para evitar aqueles horrores? Porém, não será muito pouco o que estamos fazendo para evitar o número de mortos ainda maior de hoje, e todo o sofrimento envolvido?
Se você ler este livro até o final e examinar com cuidado e sinceridade a situação global, concordará que é preciso que entremos em ação.

Site para adiquir o livro.

Filmes Save the Children “I WAS…”



Outros Filmes - Save The Children
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