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domingo, 27 de setembro de 2009

Frutos deste sistema

Mãe de assaltante morto em Vila Isabel após fazer comerciante refém sai em defesa do filho

Camilo Coelho e Djalma Oliveira, Extra

Duas mães, dois dramas distintos. No mesmo momento em que Ana Cristina Garrido agradecia ao major João Busnello, no sábado, Edmar Paula Mattos chorava a morte do filho. Sérgio Ferreira Pinto Júnior foi morto com um tiro disparado pelo oficial da PM sexta-feira, em Vila Isabel, quando mantinha Ana refém. Edmar, que trabalhava no dia da ação, não acompanhou os últimos minutos de vida do filho.

- Eu não queria que ele (Sérgio) tivesse morrido... Mas os policiais fizeram um ótimo trabalho - disse Ana, que recebeu a visita do major Busnello e relembrou os momentos do dia anterior:

Vídeo mostra a emoção do encontro

- Na hora do tiro, pensei que tivesse sido atingida. Corri pelo instinto. Eu lembrava muito do Caso 174, em que a refém morreu, mas pedi a Deus para sair viva.

"A polícia poderia ter esperado"

Longe dali, no Engenho Novo, a mãe de Sérgio recebeu a equipe do EXTRA em casa, e também relembrou o drama de sexta. Em meio a lágrimas, suspirava:

- A polícia poderia ter esperado um pouco mais. Ele não ia detonar a granada, a índole dele não era essa - lamentou Edmar, que trabalha como doméstica.

Segundo ela, Sérgio concluiu o ensino médio e estava desempregado há três anos. Era chamado para entrevistas, mas não conseguia ser contratado:

- Ele estava desesperado, achava que tinha que me dar do bom e do melhor.

A irmã de Sérgio, Karen Patrícia Mattos, de 22 anos, questionou a ação policial:

- Não precisava dar um tiro na cabeça dele.

Edmar prestou depoimento à polícia no fim da noite de sexta-feira e revelou que esteve com o filho no domingo anterior, quando ele levou a filha de 3 anos para vê-la. A família ainda tenta arrecadar dinheiro para conseguir pagar o enterro.

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Me pergunto: se ele tivesse tido um outro rumo na vida, com melhores oportunidades, ele estaria hoje aqui com sua filha de 3 anos?
O melhor que nossa sociedade consegue resolver esta pergunta é dar um tiro na cabeça dos excluídos.

Quando vi esta cena fiquei muito mal. Não estou justificando o rapaz que botou aquela mulher em risco, mas a situação e os culpados que o levou a fazer tal situação deseperadora é bem claro pra mim. Como ouvi uma frase um dia: "nem sempre quem puxa o gatilho é o bandido."


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