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terça-feira, 22 de dezembro de 2009

cUras, cUras e mAis cuRaS

Farei uma confissão: Ouço programas evangélicos, quando estou no transito sou acompanhado por algum pastor neopentecostal. A “memória 2” do som do meu carro é só de rádios evangélicas. Hoje isso soa como confissão de pecado. Esses programas são mal feitos, a maior parte do tempo é utilizado para a oferta com o fim de “permancer no ar e continuar sendo uma benção”.

Meus amigos não entendem porque eu faço isso, mas todo drogado é assim, ele sabe que faz mal, mas...

Com esse (péssimo) hábito ouço muitas pregações sobre sucesso, testemunhos de vitória financeira (“você pode tudo”) e cura. Mas é cura de dor nas costas, no braço, na unha... Eles não curam síndrome de Down, Alzheimer e nem vão ao GRAAC (Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer). Por que? O deus que cura dor nas costas não cura câncer? Estranho, no mínimo estranho.

Karl Marx acertou, a religião é mesmo “o ópio do povo”. É isso que o povo quer, algo que anestesie a vida, quando o efeito dessa anestesia acabar (e acaba rápido) aplica-se outra e assim vai. Não se fala em coisas difíceis e derrotas, apenas em vitórias. Curas, curas e curas. Quem oferecer mais ganha mais oferta e fica mais tempo no rádio.

A função da religião não é fazer com que as pessoas se sintam bem. Então o que Deus nos dá? Amor? Sim, Deus nos ama, mas não deseja domesticar animais de estimação, dando alimento e carinho, antes ele deseja maturidade, pessoas livres que respondam a ele com liberdade.

E paz? Sim, Deus nos concede uma paz sem igual, porém não é paz que se dá quando deixamos de falar do que é ruim e doloroso. Há pessoas de todos os tipos ao nosso redor, crianças e pais, jovens e adultos, pessoas que estão sendo cruelmente maltratadas e violentadas, afligidas e desprezadas. Qualquer pregação sobre paz que dá as costas a estas situações é uma tremenda farsa.

Curioso esse fascínio pelas curas, desde os tempos de Jesus isso acontece. Jesus curou, operou milagres e maravilhas, mas quando pregou sobre a vida no reino de Deus ele não disse que os felizes eram os curandeiros nem os curados, quando Jesus falou sobre a vida feliz ele disse:

Felizes são os humildes de espírito, os que choram, os mansos, os que têm fome e sede de justiça, os misericordiosos, os limpos de coração, os pacificadores, os perseguidos (Mt 5). Esses são felizes porque experimentam salvação, esses são felizes porque são sal da terra e luz do mundo.

Ser cristão não tem haver com cura nem prosperidade, ser cristão é cuidar do próximo é saber se relacionar com as pessoas vendo nelas a expressão de Deus (Mt 25: 34-45).Na bíblia quem disse “tudo isso te darei se, prostrado, me adorares” foi Satanás. "Tô" fora.

Villy Fomin

7 comentários:

Eduardo Blog disse...

olá... belo texto! concordo plenamente!!!

Déa Lima disse...

Incrível... não tinha acessado seu blog ainda, apesar de estar te seguindo no meu twitter... e como são verdadeiros os posts que vc vem colocando. É exatamente como me sinto em relação ao cristianismo que vejo sendo pregado... mto se fala, mas pouco se faz. Lastimável.

Drica disse...

Ótima reflexão.

Raoni Amorim disse...

Simplesmente profundo... Muito bom mesmo!!!

Anônimo disse...

Tive uma curiosidade ao ler o seu texto, que por sinal demonstrar ter sido escrito por uma pessoa bem instruida, qual igreja frequentas?

Maura Eternamente de Cristo disse...

Maravilhoso este testo amigo!
Muito bom mesmo!!!
Que Deus te ilumine sempre!!!
Amém!

Eloá da Silva Souza disse...

Sinceridade e realidade! A vida Cristã é bem isso aí.. seus textos trazem luz para a vida! Que Deus ti abençoe :D

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