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domingo, 3 de janeiro de 2010

As dez maiores crises humanitárias de 2009

Médicos Sem Fronteiras lança 12º lista das crises humanitárias mais negligenciadas pela mídia

Civis encurralados em guerra violenta no norte do Iêmen


Cinco guerras anteriores no governorato Saada no norte do Iêmen levaram a um sexto conflito em 2009, o mais intenso já registrado. O Exército do Iêmen aumentou sua ofensiva contra um grupo rebelde representante da comunidade dominante na região, com perdas humanitárias sem precedentes. Civis e alvos não-militares, como hospitais, foram afetados pelos confrontos. Centenas de milhares se deslocaram e a assistência teve de ser virtualmente suspensa. Uma emergência nutricional foi descoberta entre crianças deslocadas. Pela primeira vez, um vizinho estrangeiro, a Arábia Saudita, foi envolvido no conflito, complicando ainda mais a vida dos civis.

Seguidores do movimento Al Houti em Saada promoveram várias guerras contra o Estado desde 2004, alegando marginalização social, econômica, política e religiosa. O governorato é lar para 700 mil pessoas. Ainda que a mais recente “sexta” guerra tenha começado em agosto de 2009, confrontos esporádicos em Saada deixaram dezenas de civis feridos. Equipes de MSF que trabalham na cidade de Razeh trataram homens, mulheres e crianças. O próprio hospital e a casa de MSF não ficaram incólumes à violência, com a primeira sendo atingida por balas e a última quase atingida por foguetes errantes. Combates na área restringiram o acesso dos pacientes ao hospital, tornando mais lento os serviços diários da unidade de emergência, cirurgia e nutrição.

A violência aumentou consideravelmente em agosto, uma vez que as Forças Armadas do Iêmen deram início a ataques aéreos e assaltos de artilharia contra os rebeldes Al-Houti. Confrontos foram registrados em 13 governoratos de 15 distritos, afetando quase toda a população. Em novembro, as forças sauditas envolveram-se no conflito, realizando ataques aéreos contra posições rebeldes dentro do Iêmen, depois que um guarda na fronteira saudita foi morto.

Na cidade de Al-Talh, a equipe de MSF realizou 195 cirurgias em agosto e setembro, 135 das quais em pessoas com ferimentos devido ao conflito. Mas a violência recentemente forçou MSF a suspender seu trabalho no hospital da cidade. Em meados de outubro, foguetes atingiram o Hospital Razeh, forçando seu fechamento, a suspensão das atividades da organuzação e a retirada da equipe. Essa era a última unidade de saúde funcionando fora da cidade de Saada. Milhares de pessoas por mês haviam sido tratadas nas duas unidades e agora a grande maioria da população está sem nenhum acesso à saúde.

Como outro resultado da violência, milhares de civis fugiram do norte para Saada e dezenas de milhares para os governoratos vizinhos de Hajja, Amran, e Al-Jawf, todos eles com pouquíssimo ou nenhum serviço de saúde. Enquanto 35 mil pessoas foram registradas como deslocados internos em províncias vizinhas, e 45 mil em Saada, números totais e os locais exatos de aglomeração eram difíceis de ser estabelecidos porque a violência restringiu os movimentos das agências de ajuda. Muitos deslocados internos ficaram hospedados com famílias.

MSF interveio em meados de agosto em Mandabah, no distrito Baqim, nas fronteiras da Arábia Saudita, para oferecer cuidados de saúde e água potável a milhares de deslocados na região. Em meados de novembro, a organização implementou um hospital na cidade que serve aos residentes e às populações de deslocados internos.

Também em novembro, em resposta a um surto de desnutrição entre as crianças deslocadas no acampamento de al-Mazraq, no governorato de Hajjah, MSF realizou um levantamento na região, encontrando um índice de 8% de desnutrição severa entre as crianças com menos de cinco anos, o que levou à abertura de uma intervenção de nutrição na área.

As consequências de outra crise humanitária continuaram a atingir a costa do Sul do Iêmen em 2009. Mais de 50 mil refugiados somalis e imigrantes etíopes atravessaram o Golfo de Áden em busca de segurança e uma vida melhor no Iêmen, configurando um aumento de 50% em relação a 2008. Passageiros pagam contrabandistas e contam que mais de cem pessoas são rotineiramente embarcadas em transportes para entre 30 a 40 pessoas. Muitos apanham, outros sufocam e vários se afogam antes de chegar à costa. No fim do ano, pelo menos 266 pessoas haviam se afogado tentando realizar a travessia e outras 153 desapareceram no mar. As equipes de MSF no sul do Iêmen ofereceram assistência humanitária para mais de 5,6 mil pessoas que chegaram às praias em 2009.

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