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domingo, 4 de outubro de 2009

A miragem

O Brasil e o Rio de Janeiro estão salvos. Vêm aí as Olimpíadas. Tudo vai acabar bem.

Vão entrar 30 bilhões de reais. Melhor que isso, só o pré-sal. Vai vir gente de todo canto. Estamos no primeiro mundo.

Brasileiros em geral e cariocas em particular embarcam com facilidade nesse tipo de visão do paraíso. A nave dos Jogos Olímpicos vai pousar no país do futebol para trazer alegria e prosperidade. E viva a indústria da esperança.

Nessas horas, a vida real fica olhando tudo meio de lado, como se dissesse: “Lá vão eles de novo. Daqui a dez anos a gente conversa”.

Infelizmente, ainda não foi inventado o desenvolvimento movido a oba-oba. Entrada bruta de dinheiro e gente é boa quando há plano para o crescimento. Quando não há, é veneno puro.

O Rio de Janeiro acumula esqueletos – urbanísticos e humanos. O da antiga capital da República, o da Eco-92 (maior cúpula de chefes de Estado da história), o da Fórmula 1, o dos Jogos Panamericanos. Todas promessas de desenvolvimento. Todas falidas.

A Eco-92, por exemplo, trouxe uma obra significativa de infra-estrutura, a Linha Vermelha. Não foi presente de ninguém, foi dinheiro do contribuinte – como será boa parte da festejada grana olímpica. É uma via expressa importante, que atravessa quilômetros e quilômetros de uma cidade sem dinheiro para usá-la. Dali saem os bandos armados que barbarizam a própria Linha Vermelha com tiroteios, assaltos e mortes. Vêm de favelas certamente inchadas com ajuda da mão-de-obra temporária deserdada pela Eco-92. Qual é a graça?

Barcelona se desenvolveu com as Olimpíadas daquele mesmo ano, 92. Barcelona tinha estrutura e planejamento para se desenvolver. Senão, ia só inchar.

As grandes cidades brasileiras são, cada vez mais, amontoados de gente periférica, infeliz, e conseqüentemente violenta. A repressão às bocas-de-fumo no Rio de Janeiro está fazendo explodir os arrastões a prédios residenciais. A cidade ainda vai ter saudade da venda de drogas.

Os Jogos Olímpicos de 2016 podem funcionar bem como evento. Como farol de desenvolvimento, é promessa falsa.

Vem mais um esqueleto por aí. Dos grandes. Mais um milagre da multiplicação dos deserdados, dos engarrafados, dos mal alojados, dos que chegaram fácil e vão penar para permanecer. Mas a festa será boa.

A população de Chicago está comemorando. Não queria Olimpíadas lá de jeito nenhum. Por que será?

Um comentário:

Cynthia Lima disse...

É, não deveria ser assim, mas, pelo menos, com tantos gastos, vai acabar temporariamente com a festinha dos corruptos. Sem tanto dinheiro mal empregado voando por aí, quero ver de onde eles vão tirar dinheiro pra enfiar no bolso. Só espero que não venham com essa de tirar mais do nosso. Já que o rico e suado dinheirinho do brasileiro tem que ser usado pra algo sem prioridade, que pelo menos seja algo produtivo e não corruptível... Eu quero é assitir de camarote (e de braços bem cruzados) esse bando de merda, que nunca trabalhou na vida, suar a camisa pra "acabar" com esse monte de favela e enfrentar o tráfico no Rio de Janeiro pra fazer bonito pra gringagem... Ou será só uma bela maquiagem? É uma pena que a Comissão das Olimpíadas não terá a oportunidade de avaliar a rede de saúde e educação desta nação, sem falar no IDH, sobretudo nos Estados do Norte e Nordeste... aí seria lindo! Que venham...

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