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segunda-feira, 23 de maio de 2011

Uma bancada (nada) evangélica


Há algumas pessoas que se sentem mais tranquilas em saber que no Congresso Nacional existe uma bancada chamada de evangélica. Em tese, os valores e a cosmovisão cristã seriam defendidos ou mesmo difundidos por meio daqueles que eles apoiaram nas eleições a fim de que fossem seus representantes.

E é claro que a Bancada Evangélica se apresenta como defensora das bandeiras hasteadas pelos evangélicos. No entanto, na prática a coisa não reflete bem aquilo que na teoria é visto como a maneira ideal cristã de fazer política. Os políticos da dita bancada não se mostraram relevantes em casos como o “dos Sanguessugas”, nem denunciaram a existência do “Mensalão”, não protestam contra o funcionários fantasmas dos gabinetes dos assessores dos políticos, não se posicionam radicalmente contra a impunidade e falta de ética que permeiam a vida cotidiana da política nacional.


O que sobrou? Quase nada. Por isso esses caras precisam justificar sua existência. Eles precisam legitimar diante da grande massa evangélica a necessidade de se eleger um político que a represente. Caso contrário, tendo em vista que eles se assemelham em quase tudo aos políticos não envolvidos abertamente com a religião, não haveria razão por que elegê-los.


Obviamente, os figurões das grandes denominações sabem muito bem qual a utilidade desses indivíduos. Dentre as várias atividades na função de “despachantes” de igreja, eles servem para facilitar os processos de concessão de rádios, televisões, e outros favores cujas manobras políticas sejam necessárias. Contudo, isso não é tão forte assim para conquistar os votos dos fieis, do povão (até porque essas coisas são sempre feitas às escuras).


É aí que sobram alguns temas “relevantes” para que os políticos crentes se manifestem: homossexualismo, aborto e pedofilia. Ora, são temas relevantes que precisam ser analisados por toda a sociedade. No entanto, estando diante de um assunto que mexe com o imaginário e as emoções dos religiosos, eles se valem do sensacionalismo para chamar a atenção de seus eleitores. Não discutem o tema, apenas e tão se posicionam radicalmente contra. Especialmente quando a questão é aborto e homossexualidade.


No caso do PL122, por exemplo, certamente que há alguns exageros na redação desse Projeto. Não obstante, por trás das reivindicações dos homossexuais há o apelo sincero e justo de pessoas que sofrem uma série de agressões devido sua identidade ou opção sexual. A favor ou contra a prática homossexual, cristãos deveriam ser a favor da luta em prol do respeito e dignidade de quem quer que seja.


Enquanto escrevo esse texto, nas igrejas Brasil afora, politiqueiros sedentos pelo poder propagam alguma teoria da conspiração, segundo a qual os homossexuais vão lançar no xilindró pastores e padres que se recusarem a realizar casamentos entre pessoas do mesmo sexo. Ora, não é exatamente isso que eles têm pleiteado na legislação, além de que a própria Constituição garante liberdade de crença e expressão, o que significa que o Estado não deverá intervir nas particularidades das crenças religiosas dos cidadãos.


Assim como alguns ministros se negam a casar mulheres grávidas, e não lhes é imputada qualquer pena, enquanto a Constituição de 1988 vigir não poderá haver qualquer imposição a que líderes religiosos devam se submeter nesse sentido.


Repito, há muitos pontos questionáveis no PL122. De fato esse texto é polêmico e requer a atenção tanto dos religiosos quanto dos próprios homossexuais, que também precisam tomar cuidado para que, em suas militâncias, não atraiam para si mesmos o repúdio da sociedade.


Quanto aos cristãos evangélicos e sua Bancada de prática nada evangélica, os “currais” eleitorais das igrejas precisam se emancipar, tornar-se apenas igreja, e o povo crente precisa ser mais politizado. No entanto, são raros os pastores que têm algum interesse em, como líderes sociais, capacitar seus membros a fim de que estes possam analisar os políticos e suas maracutaias com a autonomia intelectual que todo cidadão deveria ter. É uma lastima, mas infelizmente é assim...

Um comentário:

Marcelo e Eunice disse...

por isto afirmamos: Politica na igreja.. NÃO.....

abraços e parabéns pela matéria

Marcelo

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